Conheci o cartunista Adolar quando comecei a rodar o tablóide de humor, “Cartoon”, na “Tribuna da Imprensa”, no Rio de Janeiro, no fim dos anos 80.

Jornalista, chargista, cartunista, ilustrador e artista plástico, Adolar era um dos sujeitos mais tímido, gentil, carismático e talentoso do meio artístico.

Esse mês, infelizmente, recebemos a notícia da morte do cartunista.

Adolar Mendes era carioca. Nascido em 1962, no bairro do Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, onde aos 4 anos já fazia seus primeiros desenhos nos cadernos da escola.  

Canhoto e bom de bola, sonhava ser jogador de futebol. Em 1977, chegou a jogar na base do Vasco da Gama, seu time do coração. Mas a carreira de jogador acabou nas peladas do Politeama, time do amigo Chico Buarque.

Formado em jornalismo pela Faculdade Gama Filho, procurava se firmar na carreira jornalística quando a mulher, Ivaldete, vendo as caricaturas que o marido fazia, perguntou porque ele não trabalhava com arte.

Com o incentivo da esposa e alguns desenhos em baixo do braço, Adolar procurou o jornal carioca “Tribuna da Imprensa”, editado pelo jornalista Hélio Fernandes, irmão do Millôr Fernandes.

“Por sorte minha, o chargista do jornal estava sendo demitido naquele dia. O editor, então, perguntou se eu poderia começar no dia seguinte e assim começou minha carreira de chargista e ilustrador” – disse. 

Em 1991, Adolar foi convidado para trabalhar no jornal “O Dia”, também do Rio de Janeiro. 

Em 1993, a esposa foi transferida para São Paulo e Adolar largou o trabalho no jornal carioca e mudou-se para a capital paulista. Começou fazendo frilas no jornal “O Estado de São Paulo”.

No mesmo ano, participou e venceu o concurso para revelação de novos talentos, realizado pelo jornal “Folha de São Paulo”, onde trabalhou de 1993 a 2018, ilustrando a coluna ‘Painel Político’. 

Em 1996, montou o ‘Estúdio Aquarela’ e passou a trabalhar com diversas editoras brasileiras, com especialização em livros didáticos e infanto-juvenis, além de diversos trabalhos prestados para revistas, periódicos empresariais, agências de publicidade e afins. 

O trabalho do artista está em exposição em uma galeria permanente com mais de 500 caricaturas, no principal restaurante italiano de São Paulo, o Lellis Trattoria, na Alameda Campinas, 1.615, nos jardins.

Durante a pandemia da Covid-19 o cartunista começou a pintar caricaturas multicoloridas e grandes telas em série com personalidades. 

Adolar morreu no dia 2 de agosto, aos 59 anos, vítima de câncer, depois de lutar por nove meses contra a doença.

Deixou a mulher, três filhos e centenas de fãs e amigos espalhados pelo país.

Adeus, amigo.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

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