Outro dia, saindo da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), onde fomos prestigiar o lançamento de um livro do amigo Ykenga, fomos – eu e o cartunista Netto – parar num boteco próximo ao Teatro Rival, no centro do Rio de Janeiro.

Lá, encontramos o compositor Paulo Zdanowski. Para quem não está ligando o nome a pessoa, Zdanowski foi um dos integrantes da banda ‘Brylho’, uma banda brasileira de soul/funk formada em 1978 por Arnaldo Brandão, Cláudio Zoli, Paulo Zdanowski, Robério Rafael e Ricardo Cristaldi.

Zdanowski foi também parceiro de Cassiano nos singles “A Lua e Eu” e “Coleção”. Entre um chopp e outro, conversamos muito sobre desenho (Netto fazia a caricatura do Zdanowski, do garçom e do dono do boteco), música e Cassiano.

Nesta sexta-feira, (7/5) ainda abalado com a morte do ator Paulo Gustavo, acordei com a notícia da morte de Cassiano, também vítima da covid-19.

Porra, estamos ficando sem ídolos!

Genival Cassiano, nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 16 de setembro de 1943. Com 17 anos mudou-se para o Rio de Janeiro com o sonho de fazer música.

Filho de músico e fã de João Gilberto, Lupicínio Rodrigues e Jackson do Pandeiro, Cassiano iniciou-se na música junto com o irmão e um amigo, formando o grupo ‘Bossa Trio’ – que logo se transformaria em ‘Os Diagonais’, banda de samba/funk, marcada por uma forte influência do jazz e do, até então, incipiente soul americano.

No Rio, o músico foi apresentado ao ‘rhythm and blues’ de músicos como Otis Redding, o ‘soul’ de Stevie Wonder e o ‘suingue’ de Tim Maia. Por reunir todas essas referências, álbuns de sua discografia, como ‘Apresentamos nosso Cassiano’ (1973) e ‘Cuban soul’ (1976), são considerados jóias da música soul no Brasil.

Com Tim, Cassiano emplacou sucessos como ‘Primavera’ e ‘Eu amo Você’. O compositor também teve composições gravadas por Ivete Sangalo, Marisa Monte, Alcione, Gilberto Gil e Djavan, entre outros.

Além de compositor, Cassiano era também músico e cantor. Ele próprio, gravou alguns de seus sucessos, entre eles, ‘A lua e Eu’, que fez parte da trilha sonora da novela ‘O grito’ da ‘TV Globo’ e ‘Coleção’ que foi febre nacional graças a outra novela global, ‘Locomotivas’, em 1977.

Em 1978, Cassiano foi diagnosticado com tuberculose e precisou retirar um pulmão, o que o obrigou a abandonar a carreira de cantor. No entanto, ele nunca deixou de compor e de se apresentar como músico. Sua discografia conta com dois álbuns com o grupo Os Diagonais, quatro discos como solista e três coletâneas.

O cantor de 77 anos, faleceu no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde estava internado desde o final de abril.

Foi se encontrar com a lua. Adeus, Cassiano.



Toda manhã o resumo do Rio de Janeiro

Ediel Ribeiro
Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

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