Foto: Reprodução Facebook

É comum que as pessoas se surpreendam ao descobrir que ‘Os 3 Mosqueteiros’ eram, de fato, quatro: Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan.

‘Los 3 Amigos’ também eram quatro: Angeli, Laerte, Glauco e Adão Iturrusgarai.

Mas o grupo começou, originalmente, como um trio. ‘Los 3 Amigos’ eram Angeli Laerte e Glauco.

Até que um dia em um boteco em São Paulo, Adão Iturrusgarai ouviu: “Ei, Adão, tá a fim de desenhar com a gente?” O convite, feito pelo Laerte, numa tarde de 1990, mudou a composição do grupo, que passou a ser um ‘trio de quatro’.

O trio que se reunia semanalmente para produzir a série ‘Los 3 Amigos’, ganhou novo integrante naquela ocasião, mas só engrenaria como quarteto três anos depois, com a volta de Iturrusgarai de uma temporada em Paris.

Sempre fui fã do quarteto, mas, para mim, Angeli é o melhor.

Talvez por ser quadrinista, admire mais o Angeli. Os quatro são geniais, mas, nos quadrinhos, Angeli é imbatível. Ele influenciou não só a minha maneira de trabalhar, mas o meu estilo.

Arnaldo Angeli Filho, mais conhecido como Angeli, é cartunista e chargista. Nasceu em São Paulo, no dia 31 de agosto de 1956. Começou a desenhar ainda criança. Aos 14 anos, publicou seu primeiro desenho na revista ‘Senhor’.

Ainda na adolescência, conheceu o periódico carioca ‘O Pasquim’ e se apaixonou pelos cartuns de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo. Autodidata, ele confessa que começou copiando o trabalho desses desenhistas.

Com o tempo, seu trabalho ganhou influência dos cartuns underground do cartunista norte-americano Robert Crumb e dos franceses Wolinski e Jean Marc Reiser.

Em 1973, começou a carreira como chargista no jornal ‘Folha de S. Paulo’. A partir desse período colabora também com os jornais alternativos ‘Movimento’, ‘Versus’, ‘O Pasquim’ e com o ‘Diário de Notícias’, de Lisboa.

A partir de 1983, sua produção se afasta do tom politizado de suas charges e reencontra as influências do underground das décadas de 1960 e 1970. Angeli, então, abandona a charge para se dedicar às histórias em quadrinhos.

Ainda na ‘Folha’, deixa o caderno de política e passa para a ‘Ilustrada’, caderno de cultura, em que publica tiras de seus personagens que retratam tipos urbanos, com narrativas de situações tipicamente paulistanas, da boêmia e da vida cotidiana, com destaque para Rê Bordosa, Bob Cuspe e os velhos hippies Wood & Stok, ao lado de quadrinistas estrangeiros.

Ainda na década de 80, publica, pela editora Circo, a revista ‘Chiclete com Banana’. Surgem aí novos personagens como Walter Ego, Rigapov, Rhalah Rikota, Mara Tara, Moçamba, Bibelô, Meiaoito e Nanico, Ritchi Pareide, Aderbal e Os Skrotinhos, entre outros.

Com Laerte e Glauco cria a série ‘Los 3 Amigos’. Em 1995, publica ‘FHC: Biografia Não Autorizada’, pela Editora Ensaio, coletânea de charges produzidas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para a TV, Angeli produz esquetes e roteiros, atuando junto às equipes dos programas ‘TV Colosso’ e ‘Sai de Baixo’, ambos da Rede Globo.

Com base em seu trabalho, o diretor Otto Guerra lança, em 2006, o longa-metragem de animação ‘Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n Roll’.

Em 2008, é um dos homenageados no 1º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro, que apresenta ‘Angeli/Genial’, uma mostra retrospectiva da produção do cartunista.

Também nesse ano, é lançado o curta-metragem de animação ‘Dossiê Rê Bordosa’, dirigido por César Cabral e baseado na personagem criada por Angeli. Seus desenhos estão incluídos na ‘Enciclopédia del Humor Latino Americano’, da Colômbia, na ‘Antologia de Humor Brasileiro’ e no Museu do Cartum e Caricatura de Basiléia, Suíça.

Atualmente, desenha para a ‘Folha de S. Paulo’ e para o seu site no portal ‘Universo On-line’.

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