Pois é. Lá se foi o Índio, ex-centroavante do Flamengo. Só soube dias depois. Quase nenhum jornal noticiou. Estavam ocupados demais com a pandemia.

Aluísio Francisco da Luz, nasceu na cidade de Cabedelo, na Paraíba, em primeiro de março de 1931. Aos cinco anos de idade mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira de jogador profissional, em 1947, no Bangu Atlético Clube, onde ganhou o apelido de Índio.

Dois anos depois, transferiu-se para o Flamengo, time pelo qual se consagrou, atuando em 202 jogos. Foi o décimo maior artilheiro da história do rubro negro, marcando 144 gols. 

Centroavante forte, ágil e ótimo cabeceador, a história do jogador se mistura com a do Flamengo. No rubro negro jogou até 1957, e fez parte do time que conquistou o segundo tricampeonato estadual da história do clube, em 1953-1954-1955, num ataque formado por Rubens, Índio, Evaristo e Zagallo, apelidado de “rolo compressor”.

Joel, Rubens, Indio, Evaristo e Zagallo. (foto divulgação)

Em 1957, Índio foi contratado pelo Corinthians. Pelo alvinegro paulista fez 101 jogos e marcou 52 gols. Jogou também no Espanyol (Espanha) e pelo América do Rio de Janeiro, onde encerrou a carreira, em 1965. 

Conheci Índio no clube Vale do Ipê, onde joguei com ele num time de veteranos, onde jogaram, entre outros, Marquinhos, ponta-esquerda que jogou no Vasco, Flamengo e Fluminense e Mendonça, ex- Botafogo.

Índio era, também, treinador na escolinha de futebol do clube. Foi o primeiro treinador do meu filho, Eddie e o principal responsável por sua ida para o  Vasco da Gama.

Foi um grande prazer tê-lo conhecido, ter jogado com ele e de ter, algumas vezes, bebido com ele – ele, só refrigerante – e de ter tido a alegria de conhecer alguém que ajudou o Rio ser mais Rio e o Flamengo mais Flamengo.

Índio era um grande papo. Um grande contador de casos. Eu gostava de ouvir suas histórias. Como, por exemplo, a do dia em que Togo Renan Soares, o Kanela – maior treinador da história do basquete brasileiro – o viu jogando uma pelada na Ilha do Governador e o levou para o Flamengo, quando ainda era jogador do Bangu.

Outra, sobre o ídolo Zizinho: “A gente (os juvenis) não chegava perto dele, não. Ficava de longe só olhando. Eu ia para o campo nos treinamentos e ficava observando muito o Zizinho, não é? Como ele corria, como jogava. Passei até a imitar ele depois”, relembrou. 

Mais uma: Índio gostava de lembrar os quatro gols marcados na vitória elástica por 12 a 2 sobre o São Cristóvão, na maior goleada da história do Maracanã.

Em sua trajetória pela seleção brasileira participou de 10 jogos e marcou 5 gols, fazendo parte do time que disputou a Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Com a camisa da Seleção também disputou a Copa América de 1957.

Índio também teve presença decisiva nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958, foi titular e marcou o gol mais importante da carreira em uma das partidas decisivas contra o Peru que deu a vaga para o Brasil.

Índio, porém, não foi à Copa. Vicente Feola optou por Mazzola, Dida, Vavá e “um certo” Pelé.

Índio, além de um grande jogador, foi um grande homem, humilde, gentil e generoso. Uma grande perda para o esporte e para nós que éramos seus fãs. 

Adeus, amigo.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

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