Poucos conhecem James Joyce como poeta. No entanto, ele começou escrevendo poesia.

O autor dos romances ‘Ulisses’ e ‘Retrato do Artista Quando Jovem’, fez tanto sucesso que ocultou o poeta.

James Augustine Aloysius Joyce foi um romancista, contista e poeta da Irlanda que viveu boa parte de sua vida expatriado. É amplamente considerado um dos maiores escritores do século XX.

Joyce, como seu “herói”, Leopold Bloom, foi um Ulisses moderno, era fraco e forte, cauteloso e precipitado, herói e covarde, englobava os múltiplos aspectos de cada ser humano e de toda a humanidade. Talentoso, foi – além de escritor – contista e poeta, sendo considerado por Ezra Pound um dos mais eminentes poetas do imagismo.

De suas duas peças mais antigas – pois é, Joyce escreveu peças também – sequer podemos ler fragmentos. Exilados é a única peça de teatro sobrevivente.

Ainda jovem, na escola, em Dublin, o jovem Joyce escrevia seus versos sob o título de ‘Moods’ (Estados d’Alma) e ‘Shine and Dark’ (Luz e escuridão), título que vem de um verso de Walt Whitman: “Earth of shine and dark mottling the tide of the river” (Terra de luz e escuridão matizando o correr do rio).

Suas obras mais conhecidas são o volume de contos ‘Gente de Dublin’ (1914) e os romances ‘Retrato do Artista Quando Jovem’ (1916) e ‘Ulisses’ (1922).

Joyce, no entanto, continuaria a escrever poemas. Publicou dois livros de poemas: ‘Música de câmara’ e ‘Poemas pinicada’. Foi só? Não.

Existe, na literatura de Joyce, mais de cem poemas (isso mesmo, cem!) que chegaram até nós por fragmentos acidentais, cartas, cartões ou que foram até mesmo resgatados da memória de pessoas que conviveram com Joyce.

Os versos abaixo, são alguns deles:

NOTURNO

Lúgubres na penumbra,estrelas pálidas o archote

amortalhado ondeiam

Dos confins do céu,fogos-fantasmas alumbram

arcos sobre arcos que se alteiam,

nave pecadobreu da noite

Serafins,

As hostes sem norte despertam

para o serviço, até que tombem

na penumbra sem lua, mudas, turvas, ao fim,

assim que ela erga e vibre inquieta

o seu turíbulo

e alto, longo, á turva,

sobrelavada nave,

a estrela-sino tange,enquanto, calmas,

as espirais do incenso ascendem, nuvem sobre nuvem,

rumo-ao-vazio, do venerável

resíduo de almas

BAHNHOFSTRASSE

Olhos que zombam mostram com sinais

a rua em que ando enquanto a tarde cai-

a rua é turva, e seus sinais, violáceos-

a estrela do encontrar-se e do apartar-se

estrela má!da pena!a idade moça,

do coração pleno de alento, foi-se,

e falta um velho e sábio para entender os

sinais, que me acompanham zombeteiros

Em 1941, em Zurique, já quase cego, Joyce morre de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada, durante uma operação para salvar sua vida.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui