Editorial: Carnaval em 2022 SIM

Um grupo insiste que não deveria ter carnaval em 2022. Ao contrário, nós que sobrevivemos à pandemia devemos celebrar a vida

Carnaval Rio 2020 - Viradouro - Fernando Grilli | Riotur

Começa – ainda timidamente – uma movimentação nas redes sociais chamada “Carnaval Não“, provavelmente idealizada por pessoas que não entendem o que significa para a nossa economia tudo o que gira em torno da festa mais famosa e turística do Rio. Não apenas hotéis, restaurantes, bares, lanchonetes e guias e pontos turísticos ganham dinheiro com o Carnaval, mas ambulantes, motoristas, costureiras, garçons e até mesmo aqueles que vivem de bicos faturam alto com a folia. O dinheiro circula em toda a cidade, gerando receita tanto para os mais pobres e até mesmo para os mais ricos. Não esqueçam, o Rio de Janeiro é uma cidade turística em essência, e é o principal destino brasileiro.

Nós aqui no DIÁRIO DO RIO defendemos desde o primeiro momento em que se tornaram importantes para a ciência o uso de máscara, o distanciamento social e até mesmo o lockdown. A redação ficou fechada por meses, e nosso pessoal começou a retornar quando os nossos colaboradores já tinham tomado a 1ª dose da vacina. Seguimos a ciência e o que o comitê científico dos órgãos governamentais sugeriam.

A pandemia começou em março de 2020, ficamos sem quaisquer eventos naquele ano, e em 2021, inclusive sem carnaval. Não tinha como celebrar a maior festa do mundo naqueles momentos: não poderia e se alguém sugerisse, o DIÁRIO DO RIO seria o primeiro a levantar e ser contra. E assim o fizemos várias vezes.

Felizmente a vacinação no Rio tem corrido muito bem, com mais de 95% da população adulta vacinada com os 2 ciclos. A população idosa e aqueles com alguma doença que os tornam grupo de risco para o Covid-19 já estão tomando a 3ª dose. No sábado, 20/11, a cidade do Rio comemorou ninguém internado pela doença e em 21/11, pela 1ª vez não houve morte causada pela pandemia no Rio. Era para todos estarmos comemorando juntos, felizes, o fato de que estamos finalmente saindo dessa.

Carnaval Não?

Mas está crescendo nas redes um movimento que diz “Carnaval Não“. Assim como os que diziam no início que o distanciamento social não funcionava, estes parecem não acreditar na eficácia da vacina (lembrando, 95% da população adulta vacinada). Não há uma lógica nisso, além de um medo irracional e paranóico, ou uma vontade louca de nunca mais sair de casa. Não há argumento científico majoritário desta vez, e se antes ficávamos indignados com as teorias da conspiração dos negacionistas, por que temos gente que combateu os que acreditavam que a vacina transformava pessoas em jacaré agora crendo que nasce pêlo em ovo? Será o mesmo pessoal que quer “eternizar o home office” pra poder continuar nos bares, restaurantes e praias durante o horário comercial?

Há um outro grupo que acha que carnaval na Sapucaí pode e carnaval de rua não pode (e olha que o Diário do Rio já publicou a agenda dos blocos de rua do Rio de Janeiro em 2022). Por trás dessa pseudo-lógica, querem repetir que que na Sapucaí daria para exigir o passaporte de vacinação e na rua não. Ou seja, nunca mais poderia acontecer nada na cidade e no mundo que não fosse em ambiente totalmente controlado. Uma falta de senso comum. Ainda mais com os incríveis e positivos resultados dos eventos teste recém realizados na cidade.

Quem é contra o retorno do carnaval e dos eventos, talvez não entenda o como sofremos em casa, quantas pessoas tiveram depressão, e ficaram psicologicamente abaladas com o isolamento. Também parecem não entender que uma hora a pandemia termina, e que este momento é exatamente quando uma grande maioria das pessoas está vacinada e até mesmo os médicos conseguem descansar.

Aprender a conviver

Os cariocas, brasileiros e o mundo terão de aprender a conviver com o Covid-19. É um vírus mutante e teremos de tomar essa bendita vacina todo ano. Como toda doença, algumas pessoas ainda morrerão por causa dela. Não é uma vacina daquelas que torna a pessoa 100% imune a doença e sim daquelas que quando todos a tomam se consegue controlar.

Nós todos estamos traumatizados, nós todos perdemos alguém próximo. Até o momento foram mais de 68 mil mortes em nosso estado, um número de pessoas menor do que os habitantes de apenas 34 dos 92 municípios do RJ. É como se toda a população de Guapimirim tivesse nos deixado em 2 anos, e é um número de pessoas maior que as que moram em muitos bairros do Rio como Méier, Olaria, Bento Ribeiro, Cascadura, Praça Seca ou mesmo Madureira.

Muita gente nos deixou, inclusive por não ir regularmente ao médico, em razão do isolamento social. Mas nós sobrevivemos e nós temos de lutar para que voltemos a viver e não sobreviver. Não podemos postergar e postergar, e nem inventar novos passos e procedimentos toda vez que atingimos uma marca positiva em direção ao fim da pandemia (dobrar a meta ao atingi-la?) – que venha o Carnaval!

Outra coisa cansativa é a comparação do Rio com a Europa, que tem um rigoroso inverno que obriga todos a viverem enfurnados em ambientes fechados e não ventilados, e que tem – como os EUA – uma quantidade insana de malucos anti-vacina que recusam-se a vacinar-se, e cuja própria existência dificulta bastante que se atinja a imunidade de rebanho. Na Holanda e na Áustria, o número de pessoas que rejeita a vacinação impressiona. O Brasileiro valoriza a vacinação e aceita-a – ao menos em geral – de bom grado.

E se o Covid voltar (que não aconteça) a aumentar seus números, tenhamos confiança e certeza que o prefeito e o governador serão os primeiros a cancelar eventos na cidade, inclusive o carnaval. Mas, agora, está liberada a celebração, com apoio da ciência – a mesma ciência que nos mandou pra casa – e isso é bom para todos nós que continuamos lutando por um Rio de Janeiro melhor.

30 COMENTÁRIOS

  1. Pensa bem, a OMS continua com decreto de pandemia, no Brasil está decretada pandemia, faz sentido NO MEIO DE PANDEMIA REALIZAR CARNAVAL, onde o risco de contágio é grande? onde está o papo de 600 mil mortes, etc? além disso pessoas vacinadas ficam doentes e transmitem, ou então decreta o encerramento da pandemia.

  2. Extremo desserviço essa matéria/editorial. Não sei em qual planeta vive quem o escreveu, e sequer faço questão de saber quem escreveu essa aberração em forma de “opinião”. Pior ainda é quem teve a ousadia de publicar. Dizer que quem critica a insanidade do carnaval não acredita na vacina… Nossa, sério, é de dar nojo. Puro suco de mau-caratismo.

  3. O Interior de São Paulo não tem carnaval de verdade. E algumas cidade trancou pro falta de dinheiro.
    O Rio de janeiro vai ganhar essa gente toda, e estão vacinados.
    Quanto ao exterior, é com a Anvisa.

  4. Acho que não temos muito que comemorar, aliás comemorar o que?
    Milhares de vidas perdidas aqui e pelo mundo, então pelo menos, temos que respeitar o próximo!
    Àqueles que defendem o seu retorno, assim como das festas de ano novo, sendo até plausível em alguns casos, como os profissionais que precisam de seus empregos, esquecem que por aqui nunca tivemos nenhum controle, nem no auge da pandemia, que por sinal não acabou e tem vários lugares com ondas crescentes e o pior, vários gringos circulando por aqui como lá no início (se não lembram tudo começou após réveillon e carnaval de 2020), trazendo novas cepas.

    • Por favor, seja razoável.
      Agora conversa de CPI.
      No México eles fazem festa para os mortos.
      A lembrança fica, mas o resto da vida de luto, não vale.

  5. Carnaval Sim …. Não podemos esquecer que ainda vivemos uma pandemia, mas temos que ressaltar o número de pessoas vacinadas. Se para muitos o Carnaval e não, então tbm teriam que dizer não aos ônibus, metrô e trens mega lotados , aos eventos e bares lotados e também os estágios com público… Eu quero carnaval sim , gera um número de empregos enorme e muitos pais de família que trabalham como ambulante tem de onde tirar uma renda no carnaval …. Única coisa que eu gostaria de ver e a restrições nós aeroportos e rodoviária que deveriam exigir teste negativo para entrar na cidade maravilhoso

  6. A pandemia ainda não acabou, a OMS acabou de dizer que a quarta onda é real e não se circunscreve apenas à Europa. Os números dos EUA, de novos contágios, são maiores do que em agosto. O Brasil mesmo voltou a ter aumento no número de óbitos.
    Em que planeta esse editorialista vive?
    Certamente é no mesmo de onde virão os turistas com novas variantes para o Carnaval.
    E não é só o Carnaval que tem que ser impedido, mas toda essa farra sem noção que estamos vivendo, como se tivesse acabado a Covid.
    É uma postura irresponsável que ainda vai causar a perda de muitos pais, mães e amigos queridos.

  7. Temos de abrir tudo? Temos. E vamos. Mas não incentivar aglomerados. Porque é tão difícil de entender, jornalista?

    Irracional é abrir tudo acelerando num réveillon e carnaval com estrangeiros zicados de todo lado pra se concentrarem aqui agora. Se antes éramos o epicentro, agora são eles! Não se pode relevar o óbvio.

    Jornal, seja responsável.

  8. Não reclamam das 600 mil mortes? Então não tem o que comemorar. Ter 200% dos cariocas vacinados não quer dizer absolutamente nada com a quantidade de estrangeiros e pessoas de outros estados nacionais que participam do carnaval, e que podem entrar tanto no Brasil como no RJ sem se vacinar. É um absurdo apoiar essa “festa” por qualquer prisma que se observe. A mídia quer apoiar réveillon e carnaval pra lucrar, depois voltam com a mesma ladainha do fique em casa quando estourarem os casos de covid. Vamos refletir sobre isso, por favor.

  9. Cautela, ainda entendemos pouco da dinâmica dessa doença. O Carnaval, bem como, o Réveillon vão gerar aglomerações imensas com a presença de estrangeiros. Vacinados? Alguma disposição a barreiras sanitárias em portos e aeroportos? Creuo que não! Todos estamos cansados, mas um retrocesso agora seria impensável! Uma nova onda pondo tudo o que foi conseguido com tanto sacrifício a perder…

  10. Cancelar o carnaval é uma medida de suma importância, devido a contaminação de COVID, pode ser que a vinda de pessoal estrangeiro e com eles viessem novas contaminações, com intensidade maior das a que já tivemos, inclusive seria melhor cancelar o carnaval e o réveillon por medidas de segurança.

  11. Na realidade sou contra o radicalismo, ano passado fui contra o ” Fique em casa ” já foi provado Cientificamente, q não ajudou em nada pelo contrário. Seria o momento de retomarmos lentamente as atividades sem grandes aglomerações como é o Carnaval

  12. A questão não é “se aumentar o número de óbitos o prefeito será o primeiro a cancelar o Carnaval”, mas justamente o Carnaval (e o Réveillon) aumentar o número de óbitos, aí já será tarde demais, pois poderá vir uma 3a onda. Aí todos nós sofreremos as consequências depois dessa irresponsabilidade, após um longo período sofrido que tanto esperamos pra chegar ao ponto que chegamos hoje. Por isso mesmo, não é ainda o momento de grandes aglomerações, como era antes da pandemia, justamente pq o vírus sofre mutações e essa vacina não foi feita para combater as variantes. Mesmo sendo amante de Carnaval, prezo antes de tudo pela minha vida, dos meus familiares e amigos e claro, pela economia. Por isso sou totalmente contra ter eventos de grande porte na nossa cidade e nas capitais.

  13. Cancele-o. Seria um ponto de inflexão para nós. A própria existência desse evento doentio denominado “carnaval” já é motivo de vergonha para nós, brasileiros. É essa a imagem que nós brasileiros temos no exterior: um povo sujo, promíscuo, avesso à disciplina e a ordem. Cancelá-lo para sempre seria um excelente motivo para tomarmos vergonha na cara e passarmos a ter retidão e civismo. “Ah, mas o Rio de Janeiro”… prezados, o Rio de Janeiro merece é afundar cada vez mais no ostracismo e na lama e que o Brasil seja representado por outro lugar menos caótico e insalubre.

  14. Mas, enquanto isso – como informa o G1, em São Paulo, 58 cidades já teriam cancelado o carnaval 2022. A capital inclusive quer propor um comitê conjunto com Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para decidir a questão. O principal argumento é a cautela, quando a uma possível nova onda da doença.

    • Pensa bem, a OMS continua com decreto de pandemia, no Brasil está decretada pandemia, faz sentido NO MEIO DE PANDEMIA REALIZAR CARNAVAL, onde o risco de contágio é grande? onde está o papo de 600 mil mortes, etc? além disso pessoas vacinadas ficam doentes e transmitem, ou então decreta o encerramento da pandemia.

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