Foto Cleomir Tavares/Diário do Rio

Segundo informou a jornalista Anna Ramalho, o prefeito Eduardo Paes vai criar um gabinete de crise que vai discutir e acompanhar as medidas e soluções necessárias para a crise sem precedentes que enfrenta o Centro da Cidade. A ideia de se ter um comitê com poderes reais para decidir o que é melhor para a região foi comunicada em reunião com alguns dos maiores proprietários de imóveis da área central, na semana passada, no Palácio da Cidade. O audacioso projeto de revitalização do Centro é pilotado pelo secretário de Planejamento Urbano, Washington Fajardo.

O novo gabinete deverá ser composto por secretários de pastas como: Assistência Social e Direitos Humanos; Infraestrutura, Habitação e Conservação; Ordem Pública, Planejamento Urbano, entre outras, conforme disse o prefeito Eduardo Paes, que teria afirmado que participará pessoalmente do gabinete, que se reuniria a cada duas semanas, e teria também a participação de membros da sociedade.

A idéia deixou empolgado o diretor da Sergio Castro Imóveis e do DIÁRIO DO RIOClaudio Castro, um dos principais entusiastas do Centro Histórico.

Proprietários e investidores que escolheram o Centro da Cidade como seu principal fico ficaram muito felizes em saber que a prefeitura tem, com todo o caos urbano que se instalou nessa região, a mesma preocupação que nós temos. É uma crise sem precedentes mas a solução passa pela valorização do espaço público, ordem pública e tolerância zero com o caos. Esta gestão parece ter vontade política e capacidade para resolver, em médio prazo, os principais problemas que tem ocasionado a decadência do Centro do Rio“. disse Castro.

Paes afirma que revitalização do Centro do Rio é prioridade

Em dezembro do ano passado, quando nem mesmo tinha sido eleito prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes assumiu o compromisso de recuperar a região central da Capital Fluminense.

E um dos carros-chefes da ”reativação” do Centro do Rio é a transformação de imóveis comerciais em residenciais, fato este que, para acontecer no volume desejado, precisaria passar por uma alteração na legislação de condomínios. Segundo especialistas, a transformação de um condomínio comercial em residencial exigiria a concordância da unanimidade dos proprietários, o que pode ser muito difícil e demorado. Os mesmos especialistas defendem a flexibilização das normas construtivas de locais como Lapa, Cruz Vermelha, Beira-Mar e Porto Maravilha, possibilitando uma maior verticalização em terrenos nestas áreas.

Centro do Rio passa por crise sem precedentes

O Centro da Cidade do Rio de Janeiro vive uma das suas piores fases. Depois de um boom de crescimento com o advento do Porto Maravilha, além das grandes reformas feitas no último mandato de Paes na área da Praça XV, a região passou por maus bocados nos últimos anos e as consequências ruins estão pelas ruas.

Muitos imóveis vazios, moradores de rua, insegurança, patrimônio histórico sendo destruído, insegurança para novos investimentos por conta da grave crise econômica são alguns dos problemas mais evidentes. “Muita gente confunde toda a desgraça que se abateu com a crise econômica enfrentada pelo Rio, com resultados das obras fantásticas que foram realizadas na região, como o VLT. Uma coisa não tem nada a ver com a outra“, disse Castro.

Centro do Rio tem quase metade dos imóveis comerciais vazios

O percentual de lojas, escritórios e salas comerciais que estão vazios no Centro do Rio chegou a 45% no fim de 2020, segundo número divulgado pela Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi). O dado atesta o recorde negativo do setor na região e evidencia a necessidade de transição para uma realidade em que o Centro do Rio possa ver renascer o uso residencial de parte de seus imóveis.

Mais de 80% dos comerciantes do Centro do Rio registraram queda no faturamento

Os comerciantes do Centro do Rio ainda sentem o gosto amargo da crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) com empresários do comércio de bens e serviços da região, 80,3% dos entrevistados registraram queda acima de 25% no faturamento de 2020 no comparativo com 2019. Para 10,6%, a redução variou de 16% a 25%, seguidos por 4,6% que apresentaram queda de 6% a 15%. Por fim, 4,6% afirmam que houve diminuição do faturamento em até 5%.

Comércios no Centro do Rio enfrentam dificuldades para ficar abertos, após quase 1 ano de pandemia

Com muitas lojas fechadas e pouca movimentação pelas ruas, é possível encontrar alguns estabelecimentos comerciais que resistem a crise. Alguns clássicos, que mesmo com dificuldades permanecem em funcionamento, entre eles: Rei dos Galetos, com filiais nas ruas São José e Rodrigo Silva, a Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias e o Bar Amarelinho, na Cinelândia.

‘A desordem urbana no Centro do Rio assusta e afugenta o consumidor’

Durante o Natal e o Carnaval, dois dos principais feriados para o comércio no Rio de Janeiro, a movimentação nas ruas do Saara remetiam a uma cidade fantasma, tamanho era o tímido fluxo de pessoas que transitava pelo local. Segundo a Fecomércio-RJ, a queda nas vendas durante o período chegou a 40%.

Polo Saara (Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega), é o maior shopping a céu aberto da América do Sul, com mais de 900 lojas espalhadas por 11 ruas nas adjacências da Rua da Alfândega, a maioria voltada para o comércio popular.

1 COMENTÁRIO

  1. O Rio de Janeiro, no passado considerado destino de milhares de pessoas de todo o Brasil, que procuravam emprego e qualidade de vida para viver bem e manter dignamente sua família, vem a cada ano se deteriorando na economia e por conseguinte, no social. O Centro do Rio é uma grande amostra, como o efeito bumerangue pode atingir uma sociedade como um todo, descaso com o social, empobrecimento da população em benefício de poucos. Revigorar uma economia em frangalhos requer mudanças de comportamento dos setores públicos e privados na aplicação de recursos escassos. A cidade do Rio de Janeiro mostra claro, a desigualdade social, por um lado Leblon, por outro Rocinha. Cabe a todos setor privado e público, arregaçar as mangas e ir firme enfrentar esse monstro que se chama miséria. Em especial as entidades que representam o setor produtivo, separar dos seus orçamentos robustos uma pequena parcela e direcioná-los a projetos de geração de emprego e renda, tais como estimular organizações cooperativas de materiais recicláveis, de cultura em toda sua cadeia, criar quiosques de produtos produzidos nas comunidades, direcionar oferta x demanda de mão de obra, oficinas de capacitação de mão de obra, claro que todas essas iniciativas, em um ambiente favorável e de pouca burocracia que estimule práticas empreendedoras. Ao setor público uma das propostas é criar um Fundo direcionados a projetos, como exemplo -Cooperativas de Costureiras – intensivas em mão de obra. Nosso estado no passado que tinha a capacidade de mostrar a moda para o Brasil e mundo, hj perde para outros estados da união. Cabe ao poder público, e que essa situação sirva para reflexão, que os recursos no passado abundantes e mal aplicados sirva para mudança de atitude e faça a boa aplicação e
    correta do dinheiro público, se não o futuro é logo ali e o Bumerangue está rodando. Bom dia.

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