Viaduto da Mangueira Foto: Fábio Guimarães/ Agência O Globo

É preocupante a situação das chamadas “obras de arte especiais” – viadutos, pontes, passarelas e túneis – da cidade do Rio de Janeiro. Em valores corrigidos pela inflação, o ano de 2019 já é o de menor investimento em manutenção estrutural dessas construções, como mostra um levantamento feito pelo gabinete da vereadora Teresa Berger (PSDB). Do orçamento atual de R$ 505 mil, a Prefeitura liquidou R$ 439 mil. Os números são os mesmos desde março deste ano.

Em comparação, a gestão Eduardo Paes, que antecedeu Marcelo Crivella, investiu, em média, R$ 3,4 milhões, enquanto Crivella manteve uma média nos 2 primeiros anos de mandato em R$ 1,2 milhão – uma redução de 65%. Ou seja, R$ 2,2 milhões a menos em gastos de manutenção dessas estruturas. A baixíssima execução de 2019, reduzirá ainda mais a média da gestão atual.

“É uma temeridade. A Prefeitura deixa de prestar um serviço fundamental para a cidade e põe em risco a vida da população”, critica a vereadora Teresa Bergher.

Para a construção e recuperação das obras de arte especiais, a Prefeitura de Marcelo Crivella saiu de uma execução zerada em 2018 para investir, até o momento, R$ 3,6 milhões. No entanto, os números ficam bem abaixo do governo de Eduardo Paes – o gráfico abaixo inclui, ainda, gastos com a duplicação do Elevado do Joá.

A presença de vegetação, um dos sinais da manutenção precária, pode ser vista em diversas estruturas, por toda a cidade. Em maio deste ano, o Túnel Acústico, na Zona Sul da Cidade, desabou. No mesmo mês, o DIÁRIO DO RIO noticiou que a Ponte Velha, na Barra, estava em péssimo estado de conservação.

Ponte Velha da Barra

Todavia, é um problema que tem solução, como comentam alguns especialistas.

“Não tem outro caminho: é prevenção. Essas manutenções têm que ser frequentes, constantes. Os governos podem até encontrar soluções para que não fique tão caro aos cofres públicos, mas é preciso que seja um trabalho que não pode parar”, destaca o engenheiro Rodrigo Costa.

A tecnologia também pode ser um forte aliado para esse trabalho:

“Hoje em dia, parece-me consensual que tal postura tenha prevalecido. A prova disso se reflete em várias teses acadêmicas e na criação de centros de pesquisas voltados para a Eletroquímica do concreto e suas interações com as tensões de trabalho que possam definir regimes de segurança específicos para cada viaduto. Em suma, há tecnologia disponível para prover aos órgãos públicos o controle de viadutos, prédios, estádios etc… O que não se tem é vontade política de inclusão destas tecnologias nos contratos com empreiteiras exigindo garantias superiores aos cinco anos convencionais”, escreveu Luiz Miranda, professor aposentado da Coppe/UFRJ e professor da Universidade Católica de Petrópolis, além de diretor da ECORR, Engenharia e Corrosão, em artigo ao Jornal O Globo.

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