Foto: Filipo Tardim

Shopping, comércio, festas, praças lotadas e escolas retornando as aulas colocando em risco profissionais da educação, crianças e suas famílias. Tudo isso acontece em Duque de Caxias, onde a Prefeitura resolveu fazer vista grossa e controle sanitário em um só local: no Parque Natural Municipal da Taquara, que fica no terceiro distrito. Nem mesmo o fim da validade em 29/01, do último decreto de restrições sanitárias, assinado pelo prefeito Washington Reis (MDB), fez o parque reabrir.

Quem chega no Parque da Taquara, vai encontrar uma barreira com letreiro improvisado e guardas ambientais que cumprem suas obrigações orientando os banhistas, trilheiros e moradores que faziam atividades no local, a dar meia volta e se quiser, são orientados a buscar lazer na cachoeira de Xerem, que fica no quarto distrito e nunca fechou.

O Parque da Taquara não está só fechado, está há anos abandonado! Quiosques, banheiros, sede administrativa estão caindo aos pedaços, com mau cheiro, pichados, trilhas e áreas próxima a cachoeira com muito lixo, poucas lixeiras e sinalização no caminho.


O Parque Natural Municipal da Taquara é a única opção de lazer gratuita para moradores dos bairros da: Taquara, Santa Cruz da Serra, Parada Angelica e Jardim Rotsen. No seu interior encontramos as cachoeiras Das Dores (Rio Taquara) e Véu de Noiva. O parque reúne muitos lagos, córregos e corredores ecológicos. Em suas florestas, encontramos uma grande diversidade de flora e fauna, com espécies nativas de árvores e flores de raríssima beleza, além de centenas de tipos de animais silvestres.


Enquanto a Prefeitura de Duque de Caxias cumpre com mãos de ferro a entrada no parque, não vemos o mesmo afinco no controle de aglomerações em praças, no calçadão, bares e casas noturnas. Tudo acontecendo aos olhos da Prefeitura e do prefeito que após ter sido infectado por Covid-19, circula pela cidade com máscara no bolso.

Por ser o único lugar que tem Guarda Ambiental para controlar a entrada, saída e evitar lotação, qual interesse em manter o Parque da Taquara fechado? Inclusive catracas foram colocadas, até antes de pensar em ter pandemia, justamente para controlar o número de pessoas dentro da unidade de conservação.

Enquanto isso, a Reserva Biológica do Parque Equitativa, segue ocupada há anos por grupos religiosos neopentecontais que celebram orações, vigílias e cultos dentro de uma área de Mata Atlântica. No lugar onde a presença humana só poderia ser de pesquisadores, há barracas, fogueiras, cultos e vigílias madrugada à dentro e degradação. Não há nenhuma preocupação com a pandemia do Covid-19 e autorização ambiental para estarem ali.

Em Duque de Caxias, o espaço público, arrejado e terapêutico segue fechado sem nenhuma justificativa, mas quem quiser pagar, pode entrar em qualquer um dos sítios que ficam no entorno do Parque da Taquara. Esperamos que o espaço seja reformado e devolvido da forma mais rápida ao povo caxiense. Uma medida compensatória daria uma boa reforma neste espaço privilegiado de Mata Atlântica em plena Baixada Fluminense.

Marroni Alves
Cidadão Baixada. Filho, neto e bisneto de pernambucanos é caxiense, portelense, tricolor, professor de História e Jornalista. É pesquisador na área da pessoa com deficiência, voluntário do Lions Clube Xérem e no Pré-Vestibular Comunitário da Educafro.

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