Cirurgia no RJ - Foto: Maurício Bazilio/Secretaria Estadual de Saúde

Certamente um dos segmentos mais importantes da medicina, pelo fato de ser responsável direto pelo salvamento de inúmeras vidas, o transplante de órgãos, assim como quase todas as esferas da sociedade, também precisou se adequar às novas medidas impostas pela pandemia de Covid-19.

Desde março do ano passado, quando teve início o momento pandêmico que vivenciamos até hoje, a Central Nacional de Transplantes (CNT) modificou os critérios para a realização de transplantes de tecidos e os intervivos visando garantir a segurança dos pacientes.

E, no Rio de Janeiro, especificamente falando, esses novos parâmetros foram adotados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), através do Programa Estadual de Transplantes (PET), responsável pela captação de coração, fígado, rim, pâncreas, pele, córnea e esclera (membrana que protege o globo ocular). Em 11 anos de atuação, vale ressaltar, a iniciativa já atuou na renovação de mais de 20 mil vidas.

Em 2020, o PET possibilitou que 698 transplantes de órgãos fossem realizados no RJ. Entre janeiro e março do referido ano, inclusive, ocorreu o melhor primeiro trimestre da história do programa, com 254 transplantes de órgãos sólidos. Essa marca superou em quase 54% o mesmo período de 2019 e colocou o estado no terceiro lugar em número absoluto de doadores no ranking oficial do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Já em 2021, de janeiro a maio, já aconteceram 253 transplantes, sendo 11 corações, 102 fígados, 133 rins, além de 5 cirurgias simultâneas de rins e pâncreas, uma multivisceral (fígado, pâncreas e intestino transplantados simultaneamente) e 1 triplo com fígado, pâncreas e intestino.

Para ampliar esses resultados, além de campanhas de conscientização para que as famílias digam ”sim” à doação de órgãos, o PET informa que ”tem intensificado as buscas ativas nos hospitais para identificar potenciais doadores e realizar as captações”. Paralelamente, a SES-RJ diz que ”empenha aeronaves para o transporte dos órgãos, o que contribui na corrida contra o tempo para salvar vidas”.

Vale destacar também que os hospitais da rede estadual que mais realizaram captações em 2020 foram Alberto Torres, em São Gonçalo; Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias; e Getúlio Vargas, na Penha. Paralelamente, o órgão com o maior número de transplantes realizados foi fígado.

Quanto a pessoas que aguardam na fila à espera de um transplante, segundo dados recentes divulgados pelo PET, em maio de 2021 há um total de 3.614 pacientes. No mesmo período, em 2020, eram 2.944 pessoas.

Para quem quiser ser um doador, é prudente avisar aos familiares, pois, de acordo com a lei brasileira, apenas eles podem autorizar. Vale ressaltar que o site Doe Mais Vida e o Disque Transplante (155) são canais oficiais voltados ao esclarecimento de dúvidas e debate sobre o tema.

Transplantado, secretário de Agricultura celebra: ”Doar é um ato de amor”

Além da Saúde, a pauta de transplante de órgãos é assunto também em outra esfera do Poder Executivo do RJ. Na Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa), o responsável pela pasta, Marcelo Queiroz, é a prova concreta que a doação de órgão salva vidas.

Atualmente com 37 anos, o secretário foi diagnosticado com um câncer no rim esquerdo em 2012, à época com 28. Em paralelo, descobriu que também era portador de uma doença renal degenerativa.

Embora tenha sido submetido a uma série de tratamentos e medicamentos, a doença progrediu a ponto de ter que entrar no processo de hemodiálise. Assim, os médicos informaram a Queiroz que a solução para a doença, principalmente em função de sua idade, seria a realização de um transplante de rim.

Prontamente, os pais de Marcelo se disponibilizaram a realizar a doação, mas, devido à idade e a possuírem comorbidades, após inúmeros exames não foram autorizados a realizar o procedimento. Por ser filho único e proveniente de uma família pequena, só dispunha de mais duas primas que, apesar de também terem se oferecido a doar, foram declaradas incompatíveis, uma vez que possuíam tipo sanguíneo diferente do secretário.

Sabedor da situação, Alberto Nascimento, amigo de Queiroz há mais de 20 anos, se disponibilizou a doar um rim e, após inúmeros exames e a devida autorização judicial, o secretário foi submetido à cirurgia de transplante em 2017.

”O transplante de órgãos, na maioria das vezes, é a única esperança de vida para quem tem algum problema de saúde mais grave. Incentivar e fomentar a conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos, tecidos e células é essencial. Doar é um ato de amor”, diz Marcelo Queiroz.

Marcelo Queiroz, secretário de Agricultura do RJ – Foto: Reprodução

Vale destacar que Alberto, no terceiro dia após a cirurgia, recebeu alta médica e que, atualmente, tanto ele quanto Marcelo estão em ótimo estado de saúde.

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