Dom João VI foi um dos que mais deixou legado para o Rio de JaneiroA política é sem dúvida nenhuma, um campo que provoca paixões e inúmeras discussões calorosas. E não seria diferente em solo carioca. Esta cidade pôde presenciar alguns ciclos marcantes da história política do Brasil. Foi sede de um Império; primeiro por treze anos, aqui foi o centro do Reino Português; depois veio o Império do Brasil, com a independência; e algumas décadas a frente, a sede administrativa do Brasil República.

Homens notáveis, correntes políticas, aqui tiveram seu palco. Porém alguns deles permaneceram nos anais da história carioca, independente de suas convicções políticas. Negar que estes homens deixaram sua marca em solo carioca, seria um equívoco. Relembrar os seus feitos é sim, uma forma de imortalizá-los, junto como suas contribuições p ara o desenvolvimento da Cidade Maravilhosa.

Sem dúvidas nenhuma o primeiro homem a deixar um legado que mudaria completamente a cidade do Rio de Janeiro foi D. João. Com a sua chegada a cidade deixou seus ares provincianos e ganhou não só status de metrópole, mas sim inúmeras obras que até hoje contribuem principalmente com a formação cultural desta cidade. Podemos citar as mais famosas como o Jardim Botânico – meio ambiente -; A Biblioteca Nacional – conhecimento -, o Teatro São João e a Escola de Belas Artes – formação das artes e fomento a cultura -. Certamente D. João VI foi o grande responsável pelo desenvolvimento cultural desta cidade, aqui ele fundou escolas e liceus – o primeiro curso de engenharia -. Pode-se dizer também que ele foi um dos mentores do nosso fantástico carnaval, pois na época em que viveu aqui, promovia grandes festas, inclusive com carros alegóricos.

D. Pedro II foi um homem de notável inteligência, se não fosse sua visão avançada para época, para um assunto que anda tão em voga nos dias atuais, – a preocupação com o meio ambiente -, não teríamos o renascimento da Floresta da Tijuca. Foi graças a este homem que mandou reflorestar o Maciço da Tijuca com 90 mil árvores que ainda temos uma excelente qualidade de vida nesta cidade.

Pedro Ernesto, por exemplo, construiu a atual Av. Rio Branco Outro notável homem que deixou legados para esta cidade foi Pereira Passos, este promoveu importantes obras urbanísticas entre os anos de 1902 – 1906. Uma das suas mais famosas obras foi a construção da Avenida Central, atual Rio Branco, que deu áreas modernos a então Capital Federal. Podemos citar ainda entre as suas obras, o início da construção do Teatro Municipal; os aterros do Flamengo e de Botafogo; a construção das avenidas Beira Mar e Atlântica.

Prado Junior é outro homem que deixou importantes legados ao Rio, na sua gestão foi contratado o urbanista francês Alfred Agache para pensar o futuro do Rio. Também foi no seu governo que se fez o primeiro levantamento aerofotogramétrico, o que possibilitou a realização de toda planta cadastral do município; ele construiu o Instituto de Educação; a Praça Paris e a do Lido; promoveu as primeiras corridas automobilísticas do Brasil, dando assim a largada para a vocação do Rio como sede de importantes eventos.

Para completar a Trindade de notáveis formada por Pereira Passos e Prado Junior, temos Pedro Ernesto, sua administração foi marcada pela importância nas áreas da saúde e educação, projetos estes que foram copiados por Getúlio Vargas, além de influir sobre as Escolas de Samba.

Carlos Lacerda, polêmico mas de legado inegavelUm dos homens que mais tempo ficou a frente da prefeitura foi Henrique Dodsworth, este executou um novo plano urbanístico para o Rio. Assim, são seus legados, a Avenida Presidente Vargas; a Esplanada do Castelo; além de uma das mais importantes vias da cidade, se não a mais importante, o portão de entrada da cidade a Avenida Brasil com 58 quilômetros de extensão.

Carlos Lacerda é sem dúvida um dos que mais deixaram legados pela cidade. Esse polêmico político, quando de sua passagem pelo governo da Guanabara, deixou para a cidade do Rio, obras importantes como o Parque do Flamengo; a Avenida das Américas e o Túnel Rebouças – imagine o Rio sem esta via? -; além de banca o Plano Doixadis, que previa a construção das Linhas Amarela e Vermelha. Outro governador que também deixou um importante legado foi Negrão de Lima, este lançou o Plano Lúcio Costa, iniciando assim a expansão da cidade rumo a Barra da Tijuca.

Pai de inúmeros políticos nas duas últimas décadas, Brizola também é mais um governador que deixou marcas na cidade do Rio; destacam-se duas importantes obras: a Linha Vermelha que liga a cidade ao Aeroporto Internacional e a Baixada; e o Sambódromo que possibilitou a profissionalização das Escolas de Samba, as transformando no maior espetáculo do mundo.

Cesar Maia Um dos filhos políticos do brizolismo é o então prefeito César Maia. Este é o gestor que mais tempo ficou a frente da prefeitura do Rio. Considerado polêmico para uns, prefeito blogueiro para outros, é exaltado também por ser um hábil gestor público. Maia certamente se junta ao grupo de notáveis homens que deixam marcas importantes na cidade. Entre os seus principais legados não se pode deixar de mencionar os projetos Rio Cidade – que deu ar moderno a várias vias importantes da cidade, em bairros de todas as zonas da cidade -; o Favela Bairro – primeira intervenção urbanística de favelas no Rio -; a Linha Amarela; a modernização da administração pública; os Jogos Pan Rio 2007 – Cidade dos Esportes: Arena, Parque Aquático e Velódromo-, o Estádio João Havelange; a Cidade do Samba – que definitivamente profissionaliza o carnaval carioca; e a Cidade da Música, próximo a ser inaugurada. Pode-se dizer que o maior legado de Maia, assim como o D. João são os legados em pró da Cultura e Educação na cidade do Rio de Janeiro, algo que parece intangível, mas tem um valor extraordinário pelo seu alcance as gerações que delas podem usufruir.

Concordando ou discordando com suas gestões, estes homens, visionários aos seus tempos, formam um conjunto de notáveis, que sem sobra de dúvida, mudaram o perfil urbanístico e cultural da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Oxalá tenhamos nas próximas décadas, homens que continuem contribuindo para o engrandecimento desta que vai ser a eterna e amada Cidade Maravilhosa.

Texto de estréia de André Delacerda no Diário do Rio.

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