Cobertura do ex-magnata Fragoso Pires segue à venda, 7 anos depois
A magnífica cobertura que pertenceu a Jorginho Guinle está à venda há pelo menos 7 anos. Não é à toa, especialistas avaliam-na em menos da metade do preço pedido pela imobiliária que pede menos.

Um palacete suspenso na Praia do Flamengo, número 284 está à venda, e não é de hoje. Em 2013 os principais meios de comunicação do país anunciavam o declínio do império do ex-magnata José Carlos Fragoso Pires, e a oferta do imóvel, que tem quase 4.000 metros quadrados de área e uma deslumbrante vista para o aterro do Flamengo. 7 anos depois, o belo imóvel, na época anunciado por 55 milhões de reais, segue à venda, sem interessados.

Embora seus salões de festas tenham recebido grandes nomes da história do Brasil e até mesmo cabeças coroadas, pode-se dizer que a espetacular cobertura não seja exatamente um imóvel com boas energias, do ponto de vista financeiro. Além do fracasso do conglomerado de empresas do ex-presidente do Jockey Clube, o imóvel também assistiu o ocaso da fortuna de seu proprietário anterior, Jorginho Guinle. Como vem sendo ofertado por quase uma década por diversos corretores, sem ser vendido até hoje, a família acabou buscando outras saídas: a esposa do dono, Ângela, acabou transformando o imóvel numa espécie de casa de festas, alugando a cobertura para quem quer sentir um pouco do gostinho do que foi o “high society” carioca no passado.

“Olha, o que posso dizer, a parte social continua extremamente bonita, mas o cheiro de mofo e as instalações elétricas meio aparentes denunciam a situação”, disse ao DIÁRIO um freqüentador que pediu anonimato. Segundo relatos, a família pede pelo aluguel da parte social, por uma noite, a bagatela de 15 mil reais.

Os corretores não parecem se entender sobre o preço que está sendo pedido por Fragoso Pires. A imobiliária Rio Exclusive anuncia o imóvel no ZAP por 60 milhões de reais, 5 a mais do que o valor jamais conseguido e que foi anunciado em 2013. Mas a concorrente Rio Exception é mais gulosa: seu anúncio dá conta de que são necessários nada menos que 116 milhões de reais (e uns quebradinhos!) para se tornar o próximo proprietário da cobertura que assistiu a queda de dois impérios. A Sotheby’s Bossa Nova, que anuncia para venda também a casa mais cara do Brasil, anuncia o imóvel com lindas fotos (reprodução abaixo) mas informa em seu anúncio que o preço é “sob consulta”. Outra corretora, a Whereinrio, promove a venda da propriedade por um valor intermediário: 83 milhões de reais.

O imóvel é incrível, mas, a exemplo do que ocorreu com a cobertura da família Seabra, também na Praia do Flamengo, sua venda é difícil, ainda mais por valores tão díspares da realidade do mercado“, disse ao DIÁRIO a executiva Lucy Dobbin, superintendente de vendas da Sergio Castro Imóveis, que através da sua grande sede em Laranjeiras atende toda a região. “Apesar dos salões suntuosos, podemos ver pelos anúncios que a parte íntima precisa de grande modernização, sem contar o fato de que poucas famílias buscam um imóvel deste tamanho. Além disso, normalmente as coberturas que ultrapassam cifras de 15 milhões estão nas orlas de Ipanema e Leblon, e algumas em Copacabana“. Segundo Dobbin, seu valor de venda não deve ultrapassar 25 a 30 milhões de reais. A julgar pelos 7 anos em que está à venda, a opinião deve ter mérito.

Para o corretor André Toledo, da Block Imóveis, “tantos corretores trabalhando o mesmo imóvel, e por preços diferentes, todos acima do mercado, pode ser uma causa pra esse negócio não sair. O que posso dizer é que neste momento, se não tiver preço, não vende nem pra milionário nem pra classe média e nem no segmento econômico“. Segundo o diretor do CRECI-RJ (órgão profissional dos corretores imobiliários), Laudimiro Cavalcanti, um imóvel ser ofertado por tantos preços diferentes por corretores é um “caso evidente de falta de profissionalismo“. Cavalcanti entende isso cria “uma falsa ilusão para o proprietário, fugindo da liquidez” e que seria “antiético avaliar um imóvel acima da realidade do mercado“.

A empresa do ex-magnata era dona do navio Angra Star, que encalhou, abandonado, na baía de Guanabara em 2013, tendo recebido uma multa milionária por deixar vazar para o mar uma parte dos 200 mil litros de uma mistura de óleo, água e areia encontrada em seus reservatórios quando da ocorrência. Na época, defendeu-se dizendo que o barco estava alugado a outra empresa, além de estar hipotecado ao BNDES para garantia de dívidas.

Fragoso Pires está recluso há muito tempo, e não é a primeira vez que tem má sorte com seus imóveis. Há alguns anos, o prédio na Avenida Venezuela 110, que foi a suntuosa sede da Frota Oceânica e Amazônica, foi colocado à venda por 25 milhões de reais, e acabou sendo desapropriado logo depois pelo então governador Sergio Cabral Filho, por cerca de 1/3 do valor que pedia pelo prédio. O edifício se tornou a sede do INEA, Instituto Estadual do Meio Ambiente.

O empresário Rafael Fragoso Pires, que faleceu recentemente após complicações causadas pelo novo coronavírus conforme noticiamos aqui, era filho do armador com sua primeira esposa. Rafael esteve presente na festa de noivado que foi um dos primeiros focos da doença no Rio de Janeiro: era o pai da noiva.

Enquanto alguém não desembolsar os 116 ou os 60 milhões de reais, a casa de festas suspensa da Praia do Flamengo 284 vai seguir realizando o sonho de quem quiser ter um gostinho do que era o Rio de Janeiro fervilhante dos anos 60 a 80, pelo menos depois da pandemia da COVID-19.

13 COMENTÁRIOS

  1. Imaginem vocês o gasto astronômico para refazer a eletrica, hidráulica, cabos de tv por assinatura, internet etc? Fora todas as reformas necessárias. Pelo menos 20 milhoes, ou vc fica com o mofo, hidráulica a lonto de vazar e eletrica a ponto de um curto e tudo virar cinzas. Não importa quem visitou o apartamento, o que importa é o imóvel. Não compro um apartamento por quem o visitou, mas pelo o qye é. Tem castelos e Palacios na Europa por5 mil euros. Quem vai comprar um imovel por um valos exorbitante no decadente bairro do flamengo com um jardim mal cuidado e um antro de marginalidade e sexo ao ar livre?

  2. Daqui a pouco estará deteriorado e sendo vendido por alguns milhões. É assim que termina a história de todas as grandes famílias tradicionais que falem…

    Quantos imóveis conhecemos de grande ricos que ficaram pobres, os imóveis vieram ruínas e depois demoliram e construíram grandes e modernos prédios?

    Pois é… Vai vendo..

  3. É um belo produto com uma exuberância impar! Porém, infelizmente, está fora da nova modalidade de moradia e preços do mercado nacional.

  4. Imagino o número de certidões negativas, cópias de CIdendidade, formal de partilha…Acho que com essa confusão cartorial que existe no Brasil, nunca vão encontrar um gringo que queira enfrentar essa burocracia.

  5. O Apartamento e lindo, e eh isso que importa,eles anunciam o imóvel porque querem mostrar, e paga quem quer e não interessa que fique 4 5 10 anos. matéria de péssimo gosto, sem respeito algum com a família, que agora passou por esta perda. agora virem aqui comentar usando Alemanha como exemplo, eles la realmente redistribuíram riquezas a escravizando e matando mais de metade da população, roubaram as vidas de milhões de pessoas.e as transferiram para outras. e o que atualmente se diz ” redistribuição de riquezas” e na realidade as mesmas politicas de pão e circo que eram realizadas pelos romanos. tem muitas pessoas que não merecem o pais em que vivem.

    • Os herdeiros devem ficar com todo o patrimônio por quê?
      Meritocracia foi de quem construiu o patrimônio!
      E então, na Alemanha, eles (herdeiros) é que devem se esforçar para com parte (40% dos bens só membro da família falecido) mais que suficiente do patrimônio herdado manterem e desenvolverem eles próprios o seu.
      Isso é uma forma de meritocracia com justiça social através da redistribuição de riquezas.
      Citei a Alemanha, que também cobra imposto alto sobre doações, inclusive religião.
      Mas poderia citar França também.

  6. HERANÇAS transmitidas de pais para filhos, de geração em geração, tendo como consequência a concentração de fortuna.
    Chega-se ao cúmulo de deixar o imóvel há quase década sendo anunciado – porque foram tantos bens herdados, formando um gordo patrimônio, que não se importa em deixar uns anos a mais.

    Se fosse na Alemanha, o valor de 60% do patrimônio deixado como herança é cobrado de imposto para o Estado.

    Assim estará sendo feita redistribuição de riquezas.

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