Enel corre risco de não ter sua concessão renovada no interior do RJ

Diante de todos os problemas gerados pela Enel, o ex-secretário estadual de Energia, Wagner Victer, disse que é inadmissível uma simples renovação da concessão da empresa, que vence em 2026

Lideranças políticas debatem na Alerj sobre o trabalho desenvolvido pela Enel no Rio / Foto: Rafael Wallace (Alerj)

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) foi palco de uma reunião que contou com as presenças de deputados federais, estaduais e prefeitos do interior do Rio, para discutir sobre uma nova licitação para os serviços de distribuição de energia no interior do Estado, atualmente sob responsabilidade da Enel. No encontro, presidido pelo deputado federal, Paulo Ramos (PDT/RJ), a concessionária foi criticada pela baixa qualidade dos serviços prestados e pela transferência da sua sede para São Paulo, deixando no Rio de Janeiro apenas escritórios locais.

 “A distribuição de energia elétrica pela Enel tem representado um sofrimento muito grande para a população e um prejuízo para a economia do Estado. É preciso fazer um esforço para que haja uma nova licitação. Não pode haver a prorrogação automática de um contrato de concessão, principalmente considerando que a empresa não corresponde às expectativas dos consumidores e empreendedores”, afirmou Paulo Ramos.

Diante de todos os problemas enfrentados pelos clientes da Enel, o ex-secretário estadual de Energia, Wagner Victer, disse ser inadmissível uma simples renovação da concessão da empresa, que vence em 2026. Atual diretor-geral da Alerj, Victer expôs aos membros da Comissão de Trabalho e Serviços Públicos da Câmara dos Deputados, o histórico da privatização da distribuição de energia, além de abordar a necessidade da correção dos erros cometidos em caso de uma futura licitação.

 “Não podemos admitir uma simples renovação da atual concessão, até porque a Enel vem recebendo críticas pesadas em sua atuação. É preciso começar a definir o que se espera na nova licitação, estabelecendo que os investimentos na qualidade dos serviços são tão ou mais importantes do que o valor que se venha a receber pela venda da concessão”, declarou Wagner Victer.

Wagner Victer explicou aos deputados que, no final dos anos 1990, quando foram iniciadas as privatizações no setor de energia, o foco estava voltado para o curto prazo: no recebimento das outorgas. Na época, a cobrança por investimentos por parte das empresas foi negligenciada. Não havia, por exemplo, um planejamento para a criação de agências reguladoras que garantissem a fiscalização das concessionárias e a entrega de bons serviços à sociedade.

As lideranças reunidas defenderam a exigência de investimentos por parte do futuro concessionário sem o repasse dos custos às tarifas pagas pelos consumidores. Medida que exigirá eficiência da gestão e redução dos custos operacionais da empresa.

Presente à audiência, Guilherme Brasil, representante da Enel, se prontificou a apurar as reclamações de mau atendimento da empresa, especialmente em suas lojas no interior. Ele falou sobre a previsão de investimentos de R$ 2,6 bilhões para o biênio 2023-25. “Não temos uma solução agora, mas vamos internalizar o caso, fazer um diagnóstico e depois apresentar uma solução para a comissão”, concluiu o representante da Enel.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Atendimento precário: seja quando falta luz, péssimo atendimento em lojas, tudo de ruim. Moro no Rio e tenho casa depois de Cabo Frio. Sofro pra tentar resolver qualquer assunto q seja.

  2. não se privatiza servicos essenciais. na Europa poder público pegou as concessões de volta devido a existência de um serviço caro e de baixa qualidade.

  3. É mentira pura: mal atendimento, transferência da sede pra São Paulo. Se realmente eles pretendesse investir teriam feito. O que eles querem é ganhar tempo, ainda mais que esse investimento é somente para 2023, quem cai nessa.

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