Foto Cleomir Tavares/Diário do Rio

A Comissão de Transporte e Trânsito da Câmara Municipal do Rio apresentou na quarta-feira (15/9) o projeto de um estudo contratado pela Casa junto à Coppe/Ufrj, para fazer uma análise completa do sistema de transporte por ônibus na cidade. O trabalho vai avaliar a política tarifária e o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de prestação de serviço. Os pesquisadores terão até 180 dias para apresentar à comissão soluções que possam evitar o colapso do sistema.

O poder público está agindo para evitar que o que está ruim não possa ficar ainda pior”, disse o presidente da comissão, vereador Alexandre Isquierdo (DEM). “Há cinco anos nesta comissão, temos visto a piora do sistema a cada dia. Faltam ônibus, os que rodam muitas vezes estão sucateados e a população é quem sofre na ponta. Estamos viabilizando este estudo para levantar todos os dados financeiros e operacionais que possam nos nortear a encontrar uma solução. Espero que as empresas colaborem, pois depois dos cidadãos, elas são as maiores interessadas na solidez do sistema”, enfatizou.

Segundo o Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus), entidade que reúne as 36 empresas operadoras do transporte rodoviário de passageiros e o sistema BRT (Bus Rapid Transport), nos últimos anos, 16 empresas foram fechadas e quatro entraram recuperação judicial, o que provocou a demissão de 21 mil trabalhadores, sendo 7 mil só durante a pandemia.

Os demais membros da comissão, Luiz Ramos Filho (PMN) e Felipe Michel (PP), destacaram que é necessário abrir a “caixa preta” para saber se o preço da passagem está justo, se os itinerários estão corretos, bem como se está razoável o valor do subsídio dado às empresas. “Não podemos deixar o sistema quebrar. Sem ônibus não tem transporte e o trabalhador não consegue ir trabalhar. Toda a cadeia econômica da cidade vai sofrer se não agirmos”, alertou Ramos Filho.

O responsável por desenvolver o estudo, o professor Marcelino Aurélio Vieira da Silva disse que o foco do trabalho vai ser encontrar os problemas, e não os culpados. “Este é um estudo colaborativo. Precisamos de toda a transparência possível para que os verdadeiros problemas sejam identificados e soluções efetivas possam ser apresentadas. Sabemos da importância do transporte por ônibus na cidade do Rio de Janeiro e a necessidade de se respeitar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos para a saúde econômica das empresas. É nessa equação que vamos trabalhar”, adiantou.

O presidente da Rio Ônibus, João Gouveia, se colocou à disposição do parlamento e da COPPE/UFRJ para que todos possam trabalhar juntos. “Vivemos uma crise que foi aprofundada pela pandemia. Temos o maior interesse do mundo em colaborar. Vamos abrir todos os dados para acabar de vez com essa mistificação de que há uma ‘caixa preta’. Os empresários e os passageiros estão sofrendo. E é muito bom contar com a inteligência da academia e com o apoio do poder público para vencermos essa dificuldade”, prometeu.

Por fim, a representante da Secretaria Municipal de Transportes, Cláudia Fortes, designada pela Prefeitura para colaborar no estudo, frisou que o governo está empenhado em atender à cidade e aos cidadãos. “Fico triste de ver a decadência do sistema de transporte. Lamento muito termos chegado a esse ponto. Podem estar certos que darei toda a minha contribuição para dar à cidade um sistema de transporte de qualidade”, concluiu.

3 COMENTÁRIOS

  1. O principal gestor responsável pela degradação do sistema de transporte por ônibus na cidade tem nome, EDUARDO, e sobrenome, PAES. Tudo começou em sua gestão anterior.

  2. Infelizmente o Rio sempre sofreu com a corrupção no transporte coletivo, através do governo e do empresário. Tem jeito de resolver, tem jeito, mas precisa de transparência.

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