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Um estudo inédito realizado por pesquisadores da Fiocruz, alerta sobre os potenciais riscos de aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias devido ao estresse térmico, que nada mais é do que o termo técnico, usado para definir o impacto do aumento das temperaturas no corpo humano. A pesquisa é de grande relevância, pois, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a mudança do clima está entre os maiores problemas ambientais da atualidade e entre as dez principais ameaças para a saúde global.

Os dados da pesquisa da Fiocruz constam da análise sobre saúde contemplados na componente de Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), cuja elaboração é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), que coordena o projeto.

Segundo Ludmila da Silva Viana Jacobson, doutora em saúde coletiva explica como foi elaborada a pesquisa.

“Nós olhamos para o impacto da exposição acumulada a altos níveis de estresse térmico, que é considerado de extremo risco à saúde”.

O estudo foi realizado com base em perguntas como: “O que acontece se você fica exposto durante sete dias, por exemplo, ao estresse térmico de alto risco?”, “Qual o impacto disso em óbitos por doenças respiratórias e cardiovasculares?”

A mudança do clima está entre os maiores problemas ambientais da atualidade e entre as dez principais ameaças para a saúde global listadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Com o aumento global da temperatura, as projeções indicam que haverá intensificação do estresse térmico nos humanos, especialmente nas regiões tropicais.

O estresse térmico no corpo humano ocorre quando há um aumento de temperatura durante um tempo determinado, como ondas de calor. Durante esse tempo de adaptação de um organismo humano saudável é comum haver dores de cabeça, mal-estar e perda da agilidade nas ações. No entanto, para alguns grupos considerados mais vulneráveis, como gestantes, idosos e pessoas com comorbidades, o estresse térmico pode ser mais danoso.

Por meio da pesquisa, foi detectado que conforme aumenta o nível de aquecimento global, aumenta também o número de dias com o WBGT acima de 28°C (conforme mostram as curvas em vermelho na figura). Os resultados apontam que o impacto das condições de estresse térmico foi mais acentuado para óbitos por doenças respiratórias, comparados à mortalidade geral e por doenças cardiovasculares, e variam de acordo com a localidade.

O Rio de Janeiro é uma das cidades em que há potenciais óbitos por doenças respiratórias. Rio Branco, Fortaleza, Vitória, Campo Grande, Goiânia, Boa Vista, Cuiabá e Palmas também são locais que apresentam a mesma perspectiva.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, há desafios para os serviços e os profissionais de saúde para lidar com as altas temperaturas. As respostas às ondas de calor, por exemplo, que tem em geral duração de três a cinco dias, precisam ser rápidas no sentido de identificar os sinais e sintomas causados pelo estresse térmico.

“É um alerta da ciência para que os serviços de saúde se preparem. Precisam capacitar os profissionais de saúde, levar a informação, discutir e ter na área de saúde especialização sobre mudança do clima”, concluiSandra Hacon.

Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

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