Em 2009, ainda como Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff anunciaria o Trem-Bala, que ligaria Campinas ao Rio, passando por São Paulo. A obra seria entregue para a Copa de 2014. Não foi. O governador Claudio Castro acaba de lançar um desafio a presidente: no último sábado, num evento em Santa Teresa, ele confirmou a expansão do metrô da Pavuna para Nova Iguaçu. Complementou: as obras, disse Castro, começarão em 2022. Das duas uma: ou Castro sai eleito com o pé nas costas no ano que vem ou vira uma Dilma. Apostas na mesa.

As primeiras obras do Metrô Rio começaram tardiamente e duraram 9 anos. As operações foram iniciadas em 1979 e tinham 5 estações na Linha 1: Praça Onze, Central, Presidente Vargas, Cinelândia e Glória. Nos anos 80 e 90 a malha foi expandida com mais aceleração. Nos anos 2000, movimentou-se mais pela Zona Sul até Ipanema. E, nos 2010, até a Barra.

Há projetos prontos para estender o metrô até São Gonçalo. Mas Castro passou por cima com essa reviravolta com o metrô para Nova Iguaçu. A linha passaria pela superfície em VLT, ligando a Estação Pavuna a Nova Iguaçu, passando por São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo e Mesquita, com um custo aproximado de R$ 1,7 bilhão.

Abandonada no trem da história, a Baixada segue crescendo desordenadamente, com uma enorme demanda de saneamento básico. A Nova Iguaçu que vai receber o metrô de Claudio Castro tem na região do Corredor da Estrada de Madureira o esquecimento de sua existência. Não há justificativa para tanta rua de lama em pleno século 21.

Apesar das enormes demandas  de infraestrutura, o metrô para Nova Iguaçu atenderia a um desejo enorme dos moradores da Baixada Fluminense por dignidade há décadas. Tudo na região funciona de forma precária. E um anúncio dessa magnitude seria um start eleitoral enorme para Castro.

Em setembro, Castro disse que lançaria o edital para a obra em outubro. Estamos em outubro. Sem tempo a perder, como diz o slogan de seu governo que mais parece um slogan de campanha eleitoral.

Sem tempo também a perder, Castro diz que vai reformar a Via Light, sem tocar na questão da segurança. Quem mora na Baixada, incrível, evita passar pelo trajeto até a Linha Vermelha com medo de assaltos e arrastões. A estrada é prima do Arco Metropolitano, onde você reza para atravessar em paz.

As verbas que advirão do loteamento da Cedae viraram solução para tudo. É bom lembrar que bem pouco tempo atrás, antes da Copa, antes das Olimpíadas, foram despejados bilhões de reais para se gastar em infraestrutura na cidade do Rio de Janeiro e, por fim, acabamos saindo do nada para lugar nenhum.

De todo modo não resta dúvida: se o metrô de Nova Iguaçu avançar de fato em 2022, Castro terá em mãos um ativo eleitoral poderoso.

Todos estamos de olho. Inclusive a Dilma.

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

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