Foto: Felipe Abraão

Deitar na cama, apagar as luzes, colocar o fone de ouvido e ouvir o novo álbum da banda carioca Baleia é uma viagem pela alma. Sofia é uma encantadora de ouvidos, canta com a alma, e a banda, que era um sexteto na origem e que agora se apresenta como quarteto, se reinventou, ganhou vida nova e estão na melhor fase, vejo e ouço muita energia vindo deles. E com essa energia surgiu o novo trabalho, um álbum vivo e em em 2 capítulos, chamado Coração Fantasma.

Convidamos a banda Baleia para nos contar um pouco mais sobre esse belíssimo trabalho, e confesso que é uma grande honra falar sobre esse álbum que, com certeza, deixa um legado como um ‘disco vivo’ que foi sendo construído e lançado em harmonia com seu público.



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Eu Quero Falar de Música: ”Coração Fantasma” é um grande disco e me parece não ter sofrido muitas influências externas em seu discurso, indica que vocês procuraram a pura alma da banda. Conta pra gente como foi idealizado esse disco e o processo criativo…

Baleia (Gabriel): A banda estava vindo de um momento conturbado. Não apenas de dificuldades nas nossas vidas pessoais e do momento político do país, mas também da perda de 2 integrantes e de um desgaste de todo o processo do disco anterior, o Atlas. Entendemos que precisávamos nos reinventar e nos conhecer como banda novamente. Juntamos isso a um descontentamento com os métodos tradicionais de criar e lançar um disco. Então, unimos o útil ao agradável ao poético. Um disco que pudéssemos lançar aos poucos, com tempo e tranquilidade, pra explorar novos lados da banda, deixar fluir, deixar que o próprio processo fosse ditando as regras, explorando uma musicalidade mais direta, menos escrutinada. Nos vulnerabilizarmos. O resultado final desse disco é desconhecido pra nós tanto quanto para o público.

EQFM: Após a saída de João Pessanha e David Rosenblit, como aconteceu essa reorganização instrumental da banda?

Baleia (Gabriel): Decidimos olhar para essa perda como um ensejo. Uma oportunidade de explorar e lapidar a essência da banda. Eu assumi a bateria e nos reorganizamos como um quarteto. “Menos é mais” foi o nosso slogan durante esse processo (risos). “Eu Estou Aqui” foi a 1ª música que surgiu dessa transformação e é a canção mais direta que a gente já fez. Nossas apresentações agora têm mais elementos eletrônicos e samples misturados às nossas performances ao vivo. Mas posso dizer que estamos em nossa melhor formação e que nosso show nunca esteve tão vivo.

EQFM: O que mudou na musicalidade de vocês desde o Atlas até agora? Novas influências…

Baleia (Gabriel): O Atlas foi um disco muito pensado, um processo árduo de concepção com um resultado bastante idiossincrático. Nosso maior prazer em fazer música sempre veio da busca de uma interseção entre o popular e o experimental ou alternativo. E agora a gente sente uma necessidade de explorar nosso veia mais pop, de entender o quanto podemos nos aventurar numa linguagem comum sem perder nossa identidade. É um processo e ainda estamos no meio dele. Provavelmente vamos lançar músicas ainda mais pop antes de fechar o disco. E depois tenho certeza que vamos pegar toda essa bagagem e começar a refinar mais ainda esse meio termo entre o que é único na nossa música e o que é maior que nós e nos conecta ao todo.

EQFM: Como tem sido a recepção do público em relação a esse novo formato de ‘disco vivo’ ?

Baleia (Gabriel): Tem sido ótima! A gente gostaria de poder fazer desse processo algo muito mais interativo e aberto aos fãs, mas infelizmente isso demanda muito mais produção e dinheiro do que podemos lançar mão. Mas é ótimo como as pessoas vêm entusiasticamente falar com a gente e dividir suas opiniões e visões. Eles estão descobrindo e entendendo aos poucos os novos rumos da música. Assim como nós. A sensação é que banda e público estão caminhando juntos numa pequena aventura musical.

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