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Por meio de delação premiada com a Polícia Federal (PF), o ex-governador do Rio,Sérgio Cabral, teria revelado esquemas de corrupção construídos e mantidos por ele durante os oito anos que esteve à frente do governo do estado. A informação é da CNN, que teve acesso ao material.

O ex-governador foi ouvido entre setembro e dezembro de 2019 por dois delegados da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Os depoimentos estão gravados em DVDs e cada anexo deu origem a um relatório policial. Em cada um desses documentos, o objetivo dos investigadores foi o de verificar se havia coerência nos fatos relatados por Cabral.

Antes de firmar o acordo de delação premiada, uma análise da probabilidade de veracidade dos fatos foi verificada. Os policiais analisaram datas, documentos entregues por Cabral, nomes de envolvidos, processos em andamento na Justiça e checaram o compartilhamento de provas de outros casos investigados e que se cruzam aos fatos delatados. Somente após este procedimento, os investigadores concluíram que o relato seria coerente.

O material produzido foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro de 2020, levando em consideração que autoridades com foro privilegiado foram citadas. O material tinha sido divido em 19 inquéritos, no entanto, seis meses depois, o presidente do STF, à época, ministro Dias Toffoli, determinou o arquivamento de 12 destes inquéritos. Os advogados de Cabral entraram com recurso para destravar a decisão de arquivamento dos 12 inquéritos. O pedido está sob análise da ministra Rosa Weber.

Entre os sete inquéritos restantes, dois estão em andamento no STF (um é processo), dois foram remetidos ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e arquivados posteriormente. Outros três inquéritos ainda estão com decisão pendente.

Apesar do arquivamento, outros 20 “novos casos criminais” começaram a ser apurados pelos delegados em setembro/2020 com a autorização do ministro Edson Fachin. Este novo conteúdo está sob avaliação do STF. Fachin marcou para que o plenário virtual da Corte decida, entre os dias 21/05 e 28/05, se esse novo conteúdo da delação de Cabral deve ser considerado válido ou não.

Na última sexta-feira (14/05) a Procuradoria-Geral da República (PGR) proferiu um parecer contrário à investigação do conteúdo da delação de Cabral, por considerar que o ex-governador “não age de boa-fé”.

Cabral também entregou à Polícia Federal e-mails, comprovantes de passagens aéreas e hospedagens de hotéis, conversas e agendas, algumas que já tinham sido apreendidas em operações da Lava Jato.

Os fatos relatados pelo ex-governador revelariam a sua capacidade de articulação para cooptar, manipular e comprar pessoas para atender seus interesses. Muitas vezes, Cabral se envolvia nas situações para, supostamente, “ajudar” um amigo apenas para ter a dívida pelo favor.

Por saber muito de muita gente, Cabral teria conseguido se manter no poder por meio de articulações na política nacional. O ex-governador teria ainda confirmado seu envolvimento direto no financiamento de campanhas eleitorais e em interlocuções com importantes empresários que teriam pago propinas milionárias.

No entanto, mesmo afirmando ter revelado tudo à Polícia Federal nas 900 páginas de delação, a instituição acredita que a parte do dinheiro desviado não será localizado em nenhum momento.

Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

3 COMENTÁRIOS

  1. O Ministério Público moveu ação direta de inconstitucionalidade para impedir delegados de conduzirem delações premiadas, justamente porque queria ser o único a decidir se as levaria adiante ou não. Curiosamente não tiveram nenhum interesse pela delação do Cabral. Depois o STF decidiu contra a ADIN do MP e delegados seguiram podendo conduzir delações. Daí os delegados tocaram para a frente a delação do Cabral e eis que integrantes do MP e judiciário aparecem em profusão nessa delação. Agora o MP se move de novo para tentar convencer o STF a mudar o entendimento dizendo que delegados não possam conduzir delação (apesar de isso estar expresso na lei) para tirarem proveito da vontade do STF de blindar o Toffoli (um dos delatados). Piada. Esse país é dominado por castas mafiosas. É óbvio que a condução das delações NÃO PODE FICAR NAS MÃOS DE UM ÚNICO ÓRGÃO, sob pena de que só as delações que interessem a esse órgão caminharem!

  2. No caso a justiça aí tem dois olhos uma boca e um ouvido e muita sensibilidade e só investiga ou julga quem quer mas sou brasileiro não perco a esperança

  3. Justamente, a delação premiada que poderia colocar o Judiciário e outros grandes políticos no olho do furacão da corrupção é a que mais enfrenta má vontade e detração dos responsáveis pelas investigações. Um doce para quem adivinhar o motivo.

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