Clara Paulino, nova presidente da Fundação Theatro Municipal - Foto: Gui Maia/Secec-RJ/Divulgação

Desde o último dia 01/02, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro está sob nova gestão. Trata-se de Clara Paulino, ex-presidente do Museu da Imagem e do Som (MIS). Além dela, Ira Levin, regente experiente que já atuou em variadas instituições musicais, de ópera e balé, assume a direção artística do local para 2021.

Atualmente com 38 anos de idade, Clara, natural de São Lourenço, em Minas Gerais, mas criada no Rio desde a infância, enfrenta, logo de cara, um grande desafio à frente do Municipal: administrar um dos principais espaços culturais do país num período em que a cultura, como um todo, têm poucos recursos financeiros disponíveis e, além disso, em meio a um momento pandêmico que ainda vivemos e segue sem previsão de término.

”Minha formação é na área de História e trabalhei principalmente com museus e patrimônio, mas administrei um centro cultural no interior do RJ, em Quissamã, e vivi a experiência à frente de uma fundação estadual por 2 anos”, disse a nova mandatária do Theatro Municipal em entrevista ao site ”Concerto”.

Clara também aproveitou para ressaltar o acervo do local e o trabalho que será realizado: ”Por mais que seja um equipamento ligado às artes performáticas, é uma memória viva. O acervo é importantíssimo, já fui às centrais técnicas da Gamboa e de Inhaúma, há muito o que fazer.Já me reuni com as associações e o sindicato. Os artistas do Municipal passaram por muitas coisas ruins, estão fragilizados pelos déficits de pessoal, pelas ameaças de transformação em organização social. Estamos conversando e tentando mapear todas as questões, agravadas ainda por esse momento da pandemia.

Fachada do Theatro Municipal do Rio, na Cinelândia – Foto: Reprodução

Ademais, a presidente do teatro fez questão de enaltecer os profissionais com os quais trabalhará em conjunto: ”A equipe daqui é fantástica. Percorri palco e bastidores com a diretora operacional, estamos prevendo limpeza do ar-condicionado, troca do linóleo do balé, pedi avaliação dos pianos, vamos avançar num projeto em andamento de manutenção dos vitrais.”

Na área da programação, ainda de acordo com Clara, as atribuições ficarão sob responsabilidade de Ira Levin: ”O maestro já tem uma temporada pensada, com plano de retomada dos espetáculos presenciais no segundo semestre, se isso for possível. Só vamos reabrir em total segurança. Enquanto isso, planejo voltar com as visitas guiadas, talvez uma exposição com o maravilhoso material do Centro de Documentação. Também queremos retomar as aulas da Escola de Danças Maria Olenewa.”

Para custear a montagem e a execução da programação 2021 do local, vale ressaltar, o Theatro Municipal contará com dotação direta e captação de patrocínios. Já o terceiro pilar de financiamento das atividades, a bilheteria, por ora não é uma realidade.

”Em março haverá liberação de dinheiro do estado para manutenção e operacionalização. Prevemos uma média de R$ 3 milhões para atender ao dia a dia da casa e também aos espetáculos. Temos ainda que finalizar a contrapartida dos patrocínios da Vale e da Petrobras de 2020, negociando já uma continuidade. Mas quero crer que vamos conseguir dar muita visibilidade aos artistas da casa. Pensamos em anunciar a programação gradualmente e retomar da mesma forma a presença do público. É o maior desejo de todos aqui”, finalizou.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui