Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do RJ - Foto: Eliane Carvalho/Governo do Estado

Trechos da delação do ex-secretário de Saúde Edmar Santos levantam suspeitas sobre o envolvimento do governador em exercício Cláudio Castro e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano, num suposto esquema de propinas. O dinheiro seria desviado de sobras do orçamento da Alerj.

O trecho foi divulgado pela edição deste sábado do Jornal O Globo. Segundo a reportagem, Edmar Santos, afirma que Cláudio Castro participava dos desvios e cita uma reunião do ex-secretário de Saúde com o presidente da Alerj, André Ceciliano. Ele relata ainda que, além de Ceciliano, também estavam na reunião os deputados estaduais Márcio Canella (MDB) e Rodrigo Bacellar (Solidariedade).

Em agosto foi divulgado que, no pedido que levou ao afastamento do governador Wilson Witzel, a Procuradoria Geral da República apontou a existência de um esquema que desviava dinheiro das sobras do chamado duodécimo da Alerj, que é a verba que o governo envia para a Assembleia todo mês para custeio. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a estratégia consistia no desvio, em proveito dos deputados, de sobras desses duodécimos do poder legislativo, que seriam “doados” ao erário estadual sob pretexto de financiar as secretarias municipais de Saúde.

Ainda de acordo com a denúncia revelada no mês passado, depois que o dinheiro retornava para a Secretaria Estadual de Saúde, “parte dos valores seria repassada para alguns municípios específicos, o que viabilizaria o desvio para alguns integrantes do esquema, além de exploração política nas bases eleitorais de olho nas próximas eleições“.

De acordo com a delação de Edmar Santos, nesta conversa, André Ceciliano teria manifestado descontentamento com o então secretário da Casa Civil, André Moura, e com Cláudio Castro. E que isso teria deixado claro que os dois participavam do esquema ilícito.
Ele contou ainda que Ceciliano teria proposto que deixaria de fazer pagamentos aos dois e que ele próprio seria o único beneficiário de valores ilícitos.

Em nota ao Jornal O Globo, a assessoria do governador em exercício Cláudio Castro afirmou que ele não tem conhecimento dos fatos relatados por Edmar Santos e nega qualquer envolvimento com irregularidades.

O presidente da Alerj disse que nunca se reuniu com o ex-secretário de Saúde para tratar de assuntos que não fossem do interesse da população. Sobre os duodécimos, André Ceciliano afirmou que os repasses das sobras foram feitos em março para ajudar as cidades no enfrentamento à pandemia, tudo de forma transparente e publicado em Diário Oficial. 

O deputado Rodrigo Bacellar afirmou que sua atuação no pedido de verbas para a saúde sempre se direcionou para atender os municípios e de maneira republicana. O deputado Márcio Canella informou que sempre pediu e continuará pedindo a todo secretário de estado melhorias e serviços dignos para toda população da Baixada Fluminense. E que toda reunião com autoridade pública sempre foi pautada por relação republicana. André Moura, que hoje representa o governo do Rio em Brasília, afirmou que desconhece qualquer suposto esquema citado em delação e nega qualquer tipo de envolvimento.

Há praticamente um mês no cargo, o governador em exercício Cláudio Castro só deu entrevistas em Brasília para falar do Regime de Recuperação Fiscal.



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