Foto: Divulgação/Grande Rio

Pedindo licença na entrada da data 13/06 (Dia de Exu), a Acadêmicos do Grande Rio, atual vice-campeã do Carnaval carioca, anunciou o enredo para o próximo Carnaval ”Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu’‘, que será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

Quando tiver Carnaval será bacana ver uma escola de samba apresentar aquele orixá que foi e é demonizado, sendo cantado e apresentado no maior espetáculo da Terra. Exu não é diabo! No auge da intolerância religiosa a terreiros de candomblé, principalmente na Baixada Fluminense, essa é uma bandeira necessária, um ato de coragem e a reafirmação que a tricolor de Caxias está em busca da sua identidade e comunidade.

Autoral, o enredo vai propor uma visão poética sobre diferentes faces, histórias, linhas e lugares que conectam a Exu, propondo sete caminhos a serem percorridos. Dos fundamentos africanos às múltiplas brasilidades, será contada e cantada a força de Zumbi, a energia que circula por feiras e mercados, a alegria das noites, nos bares e cabarés, as folias e os festejos carnavalescos, a arte que tanto dialoga com Exu, reinventando o espaço urbano.

Segundo o texto divulgado ”olhando para o solo da nossa comunidade, invocamos as provocações de Estamira, moradora do lixão de Gramacho, que conversava com Exu por um telefone e se conecta simbolicamente a outros pensadores considerados loucos, poetas que viam no lixo a possibilidade da transformação. ‘Câmbio, Exu. Fala, Majeté!’ é a forma como Estamira se referia ao orixá Exu – uma expressão misteriosa e com múltiplos significados. Em tempos tão incertos entendemos que divulgar este enredo é permitir que a nossa escola fale, sonhe, reinvente o seu próprio mundo. Todos nós, que amamos o carnaval e a vida social das escolas de samba, estamos precisando de um banho de energia. Que este enredo vá ao infinito, como está insinuado no cartaz – um cartaz para ser girado, movimentado, redefinido por cada um. ‘Na capa de Exu, caminho inteiro…’ Fala, Grande Rio!”.

Arte de Antônio Gonzaga, que pode ser lida de cima para baixo, de baixo para cima – o giro, a carta de baralho – essa é a energia de Exu!

O carnavalesco Gabriel Haddad na sua rede social disse que o enredo vinha sendo maturado há alguns anos. ”Desde criança eu admirava as giras na casa de meus avós maternos, fazendo com que o universo exusíaco sempre estivesse presente em meu imaginário. Ainda não sabemos de que forma o carnaval de 2021 acontecerá, mas nesse momento de incertezas nos apoiamos no poder, na inquietação e na transformação do mais humano dos Orixás. Somos artistas – não conseguimos, não podemos e nem queremos frear a nossa criatividade”, escreveu.

O carnaval é um lugar de aprendizado. É a maior sala de aula do mundo. Eu quero moro em Duque de Caxias, sou um amante do carnaval, não sei absolutamente nada e todo ano aprendo mais com as professoras ”escolas de samba”, agradeço a Joãozinho da Gomeia pelo legado que deixa no chão da Grande Rio. Parabenizo os carnavalescos pela brilhante ligação dos enredos deste ano com o próximo, agora protagonizando Bará no começo, meio e fim de um desfile do Grupo Especial. É perceptível em todos os sentidos que, o tão sonhado campeonato para o Quilombo de Caxias está a caminho. A Grande Rio agora tem um rosto! E como é bom ver isso. Não tenham medo de Exu! Obrigado, Grande Rio!



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