Fabiana Bentes: Cadê as mulheres na política?

Fabiana Bentes diz que há uma discrepância grande entre candidatos e candidatas e conclama as mulheres para se candidatarem em 2022

Faltam apenas 10 dias para que os potenciais candidatos se filiem a partidos políticos. E… cadê as mulheres? Parece que só somos boas para cumprir cotas ou para servir de espécie de cabide de eleição… De vices, suplentes, a números para compor nominatas, somos as mais almejadas. Mas e o protagonismo para nós, mulheres? Onde está a verdadeira inclusão? Seja para um processo decisório, para uma candidatura majoritária, porque precisamos de tantas referências pessoais, profissionais e educacionais para alcançarmos alguma relevância, com tanta autoridade masculina por aí que sequer sabe falar português?

Há uma discrepância muito grande nas nominatas por si só, o volume de candidatos do sexo masculino, vocês irão ver, será infinitamente maior… E isso é ruim? Não, de forma alguma, porque a política não é feita para briga de sexos, mas é preciso representatividade natural, legítima e corajosa. Entender por que de fato as mulheres estão timidamente entrando para a política pode ser um sinal institucionalizado de aversão a liderança feminina, ao mesmo tempo, se há muito mais mulheres filiadas atualmente, com vontade de fazer política de verdade, por qual razão elas não aparecem em candidaturas majoritárias e proporcionais sem que sejam para servir de papel secundário? As chamadas ‘cabeças de chapa’ perceba se são homens ou mulheres… Ou quantos homens e quantas mulheres estarão neste pleito. E as lideranças de partidos políticos nas esferas municipais, estaduais e federais? Cadê?

De fato, há hoje, referências femininas que possamos, seja a ideologia que for, nos espelhar, inspirar, buscar saber como elas chegaram lá. Mas se ela te contar o longo e árduo caminho, você irá encontrar neste processo: desqualificação, deboche, machismo, e uma luta inimaginável para quem quer entrar na política. Eu mesma, por exemplo, já fui chamada de maluca mais de 100 vezes, por, segundo várias pessoas, não ser lugar para mim. O que seria lugar para mim? Quem decide isso?

O rito feminino na mulher na política precisa começar a vociferar, questionarmos por que sempre temos papeis secundários, quando o temos, não é? Por qual razão há quase uma determinação social que fiquemos de fora do confronto para, segundo os machões, pouparmos da dor. Qual dor? Da traição na política? Da baixaria? Da mediocridade que tratam os cargos públicos? Das decisões difíceis? Sinceramente, quem pensa assim não conhece as mulheres…

Bom, se nos últimos anos a política foi liderada majoritariamente por homens, que tal, mulheres, buscarmos o espaço de liderança e dizer: “Corroborem que não somos capazes! Deem-nos o protagonismo! Assim, vocês terão, quem sabe o argumento… que mulher na política é “fake news”.

Bom, os checadores de ‘fake news’ dirão que mulher na política não serve… Mas é fake, entendeu?


Vai! Filie-se! Candidate-se! E se quiser, me escreva e vou te ajudar a buscar um caminho! Temos menos de duas semanas! Vamos!

Jornalista, pós-graduada em Relações Internacionais pela PUC/RJ, com MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral. Foi Secretária de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro; Consultora/Diretora de Projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) / Ex-Conselheira de Segurança Pública do Estado do RJ / Foi vice-presidente dos Conselhos de Segurança Pública e Esportes da Associação Comercial do Rio de Janeiro / Preside a organização do terceiro setor Sou do Esporte e o coletivo Logística Solidária.
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