Fabiana Bentes: Vai que cola

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre algumas atitudes de políticos que podem ser consideradas inapropriadas

Festa de aniversário de Cláudio Castro na Zona Sul do Rio - Foto: Reprodução

De festas megalomaníacas a licitações para lá de questionáveis, parece que esqueceram três coisas na política: empatia, momento adequado e responsabilidade, muita responsabilidade. Só para citar como exemplo, enquanto alguns políticos festejam (não sei bem o quê) ainda há luto em Petrópolis com gente que perdeu sua família e que ainda está desabrigada, além de mais vítimas das chuvas em Paraty, Angra, Mesquita e Rio, com mortos, feridos, desabrigados e desaparecidos.

Para qualquer cidadão comum, um enredo de terror e tristeza; para outros, a apoteose perfeita para usufruto da vulnerabilidade, da fragilidade e da falta de socorro digno, e, assim, de forma sórdida, sambar na cara da sociedade angariando votos nestas ocasiões. E é aí que entra nossa arma mais importante: o voto.

Findo o prazo de filiação partidária, começa a preparação do discurso político para convencer o eleitorado de que votar neste ou naquele candidato vale a pena. Eu não sei se é coincidência, mas, no dia que comecei a escrever este texto era primeiro de abril, o famoso Dia da Mentira. E, vamos combinar, quantas mentiras contaram para a nossa população durante todos estes anos para conquistar nosso voto? Eu mesma acreditei em várias.

Mas não dá para ficar inerte com a avalanche de hipocrisia que veremos nos próximos meses, ou mesmo as que acompanhamos nestes últimos tempos. Como também não adianta dizer que ninguém te representa, porque querendo ou não alguém vai acabar falando por você. E se não é pra falar o que você não quer, melhor começar a fuçar a vida dos potenciais candidatos e identificar aquele que mais se assemelha ao seu pensamento, mesmo com algumas diferenças, afinal ninguém tem obrigação de concordar sempre, em que pese o momento delicado que estamos vivendo com o cerceamento da liberdade de expressão sob a égide da moralidade e da defesa da democracia.

Entendo a dificuldade de votar no menos pior, aliás, isso vem acontecendo no estado do Rio de Janeiro e nos municípios há um certo tempo. Mas ”meu irmão”, como dizem os cariocas, não tem para onde ir, alguém vai ser eleito e você precisa fazer algo!

Comece a identificar em redes sociais os potenciais candidatos, leia o conteúdo, veja como se comportam frente às necessidades da população. Questione as decisões, busque as páginas de vereadores e deputados que fiscalizam e vejam quantos questionamentos existem sobre a gestão, ao mesmo tempo perceba quais são as causas defendidas pelos os que desejam o primeiro mandato ou a recondução ao cargo e, mais que tudo, corrobore que o comportamento do seu candidato não afronte a sua inteligência, menos ainda deboche da situação da população fluminense, que não está boa há muito tempo.

Ainda há bons políticos emergindo, gente com coragem de enfrentar o sistema, em busca da fiscalização, do controle, de fazer a coisa certa. Vote neste sem dúvida.

Não aceite mais candidatos “vai que cola”, principalmente aqueles que festejam enquanto a população agoniza, mostre na urna que não cola mais.

Jornalista, pós-graduada em Relações Internacionais pela PUC/RJ, com MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral. Foi Secretária de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro; Consultora/Diretora de Projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) / Ex-Conselheira de Segurança Pública do Estado do RJ / Foi vice-presidente dos Conselhos de Segurança Pública e Esportes da Associação Comercial do Rio de Janeiro / Preside a organização do terceiro setor Sou do Esporte e o coletivo Logística Solidária.
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