Foto: Rodolfo Ribeiro

Ao som de violinos e violoncelos, 43 famílias plantaram árvores para homenagear vítimas da Covid-19 e profissionais de saúde, durante a inauguração do primeiro Bosque da Memória do Rio, em uma área de 600 m² na Alameda Sandra Alvim, no Recreio dos Bandeirantes. A inauguração foi realizada em dois dias diferentes para evitar aglomerações, no sábado (12/06) e no domingo (13/06).

Apoiada pela ONU, a ação foi promovida pelo grupo Patativas, adotante da Alameda, e contou com o apoio da Fundação Parques e Jardins que preparou os berços, forneceu equipamentos e terra adubada.

Mudas de ipê amarelo, guriri, pau-brasil, pitanga, grumixama, graviola, caju, acerola, aroeira e amora foram doadas por familiares e amigos das vítimas, respeitando o bioma local, a vegetação nativa de restinga. Cada família escolheu uma espécie para plantar e as árvores foram identificadas com o nome da pessoa falecida, representando as mais de 25 mil vidas perdidas no Rio e os mais de 45 mil profissionais de saúde da cidade.

Enquanto acompanhavam a apresentação do grupo sinfônico A Quarta Corda, formado por jovens do Morro dos Macacos, a família de Ariela Vianna da Silva, de 26 anos, enterrou as cinzas do corpo da jovem junto à muda de Ipê Amarelo. Ariela era estudante de design de moda e faleceu em outubro de 2020.

Muito emocionadas, as pequenas Ana Laura e Ana Raquel ajudaram seus pais a plantarem uma muda de Pau-Brasil em homenagem ao avô Sydney Carlos Borges, falecido há mais de um ano, em maio de 2020. No final, entregaram um lindo desenho produzido por elas, com muitas estrelas, corações e uma declaração de amor: “Te amamos, vô!“.

Foto: Rodolfo Ribeiro

A árvore é um símbolo de vida, de renascimento. Que o Bosque da Memória represente a continuidade dos laços, do vínculo e do amor. Isso, a morte não leva“, observou a organizadora do evento e adotante da área, a arquiteta Isabelle de Loys.

As cerimônias tiveram as participações de representantes da Fundação Parques e Jardins e do grupo Patativas, do filósofo e capelão do INCA, Bruno Oliveira, e da psicóloga do INCS, Mariana de Abreu Machado, que falou em nome dos profissionais de saúde.

A Covid afastou as famílias do ambiente hospitalar e os pacientes foram colocados em nossas mãos para curar, cuidar e aliviar o sofrimento de todos. Wstamos aqui para homenagear e agradecer aos profissionais que também foram vítimas da doença e a todos aqueles que continuam trabalhando e cuidando de uma maneira humanizada de todas as pessoas que chegam para a assistência“, destacou Mariana.

Bosques da Memória

A campanha “Bosques da Memória” foi criada em 2020 com o objetivo de plantar árvores e recuperar florestas, como um gesto simbólico de homenagear pessoas que morreram na pandemia e agradecer aos profissionais de saúde no Brasil. A entidades Rede de ONG’s da Mata Atlântica (RMA), Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e Pacto pela Restauração da Mata Atlântica se uniram e idealizaram um projeto de alento e solidariedade às famílias enlutadas.

Os plantios são apoiados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em alinhamento com as ações da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas.

É um esforço da ONU, com aprovação dos países-membros, para criar um movimento global de recuperação, reverter a perda de espécies e ajudar no cumprimento de metas de redução de emissões de carbono.

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