Uma das mais antigas propriedades do estado do Rio de Janeiro, a Fazenda do Capão do Bispo vive um mau momento. A casa, sede da fazenda, que é o que sobrou da sesmaria doada por Estácio de Sá aos Jesuítas, está com piso comprometido, vazamentos de água, mato alto, portas e janelas extremamente danificadas, entre outros problemas.

Em um evento público realizado na fazenda do Capão do Bispo no mês de agosto, o Diretor Geral do INEPAC, Claudio Prado de Mello, declarou que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa estava elaborando um edital de chamamento público para fazer o termo de cessão de forma que grupos interessados na sua ocupação pudessem se candidatar. Existe um grupo de moradores do local que está sendo formalizado e vai se chamar Associação de Amigos do Capão do Bispo e eles têm interesse nesse uso. Outro interessado foi o Instituto Cravo Albim.

A Fazenda Capão do Bispo fica na Avenida Suburbana, nº 4616, em Del Castilho, Zona Norte do Rio.

O antigo engenho era uma das fazendas mais importantes da antiga Freguesia de Inhaúma e um dos primeiros núcleos disseminadores de mudas de café rumo ao interior, para as plantações que iriam representar a maior riqueza da província fluminense e do país no Segundo Reinado. A Casa do Capão do Bispo (Bem Tombado Federal e próprio estadual) foi construída no final dos setecentos e pode ser considerada um símbolo da arquitetura vernacular brasileira. Pertenceu ao Bispo José Joaquim Justiniano, o primeiro Bispo nascido no Brasil, até sua morte, em 1805. Inclui-se no Projeto Circuito de Fazendas Históricas do Rio de Janeiro.

Em 1759, a Fazenda foi confiscada dos Jesuítas e passada à Coroa. Foi leiloada a partir de 1761. Um dos compradores foi o Bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que ergueu a casa grande da fazenda em um capão (porção de mato isolado no meio do campo) sobre um outeiro de 20 m de altura. Foi então que surgiu o nome. Por séculos foi uma propriedade rural, servindo de espaço para algumas atividades agrárias.

Foi desapropriada em 1961, passando ao governo do Estado da Guanabara, sendo a emissão de posse dada em 1969. Entre os anos 1950 e 1960, Capão do Bispo foi ocupado por cerca de 30 famílias. Neste período, o patrimônio foi bastante danificado.

Nos anos 1970, de 1973 a 1975, o IPHAN fez um trabalho de restauração na sede e instalou um Museu Rural e um Centro de Estudos Arqueológicos (CEA), que funciona, com todas as dificuldades, até hoje em dia.

No ano passado, o DIÁRIO DO RIO já havia denunciado as más condições do local.

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