Não há como negar a importância da Feira de Caxias na cultura de boa parte do povo da Baixada Fluminense. São mais de sete décadas de alegria e lazer no Centro da cidade, e nada mais justo que iniciar no Diário do Rio, apresentando ao público carioca e fluminense, este pedacinho do Nordeste que invade todos os domingos a cidade de Duque de Caxias.

Há registros de relatos sobre a feira a partir da década  de 1920 com a chegada do trem na antiga estação Meriti – hoje Duque de Caxias – e na década de 1940 junto à chegada dos nordestinos. As barracas são montadas ainda na madrugada de domingo nas Avenidas Duque de Caxias, Presidentes Vargas e trecho da Rua Prefeito José Carlos Lacerda. São dois quilômetros e meio de feira e que só perde em tamanho para a de Caruaru – PE, considerada a maior feira livre do país.

Aproximadamente mil barracas se espalham nas vendas de legumes, frutas, roupas, utensílios domésticos, cereais, pés de galinha, caranguejo, chouriço na brasa, peixes secos, temperos moídos na hora, brinquedos, plantas, linguiças penduras, CD´s e os famosos anúncios dos “camelôs” dos seus produtos. Não faltam as comidas típicas do Nordeste como o vatapá, beiju, feijão de corda, acarajé, carne de sol com aipim, manteiga de garrafa e farinha de mandioca. Há também as barracas com venda de plantas e ervas de uso medicinal, algo que não saí de moda para os mais supersticiosos.

Não falta também o famoso escambo. Historicamente, as primeiras feiras surgiram para satisfazer essas necessidades entre as pessoas. Na feira de Caxias, tem uma parte só para isso. Lá se consegue trocar, vender ou comprar tampa de panela de pressão, rádio de pilha do tempo dos avós, moedas antigas, livros, vinil, fitas e tantas outras coisas.

 A feira de Caxias, não é um simples lugar para ir comer apenas o pastel com intermináveis doses de caldo-de-cana, mas uma projeção da cultura nordestina na Baixada Fluminense. Lá também não falta a música típica, cordéis, repentistas e outras lembranças da terra nordestina que é parte considerável da população caxiense. Quem chega aqui sempre ouve dos frequentadores: “Vai à feira de Caxias. Lá você encontra de tudo”. É um shopping a céu aberto da Baixada, que ganhou visitantes ilustres como: Jackson do Pandeiro, Nelson Pereira dos Santos e Chico Anysio que segundo os feirantes, eram sempre vistos. A feira é declarada patrimônio do município e do Estado do Rio de Janeiro. Vale a pena visitar.

SERVIÇO:
Feira de Duque de Caxias
Todos os domingos das 05h às 15h
Trem – descer na estação de Duque de Caxias
Ônibus – pegar qualquer ônibus com parada final no Centro de Duque de Caxias no Terminal Américo Fontenelle (Rio), Terminal Menezes Cortês (Rio), Terminal Presidente João Goulart (Niterói).

7 COMENTÁRIOS

  1. Obrigado a todos pelas boas palavras de incentivo. Daqui, fica minha gratidão!
    Nossa Baixada merece ter uma cobertura positiva sobre sua cultura, história, sua natureza e seu povo. O Diário, saí na frente em incentivar a escrita, a curiosidade e prestar o serviço de levar o outro lado da informação sobre nossa região. Vem mais descobertas por aí. Abraços a todos!

  2. Parabéns Marroni!Gostei muito de tua escrita!
    A feira de Caxias fala de todos nós que temos em nossas veias o sangue do povo nordestino.
    Marroni,sucesso pra você!

  3. Muito bom lembrar da feira e de questões que envolvem a Baixada Fluminense. Sinto falta de artigos nos jornais e outros site sobre essa região onde trabalhei durante 20 anos da minha vida.

  4. Um excelente mergulho na cultura nordestina. Parabéns, Marconi! ! Belíssimo trabalho apresentar a feira de Caxias com um espaço de vivência cultural. Sem contar que as vezes encontramos pessoas que a algum tempo não víamos. Amo essa feira.
    Sou nordestina, Pedagoga com pós em Educação Infantil , Tricolor e Portelense.

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