Há quem não conheça o charme dos festivais de cinema. O glamour do tapete vermelho, o som de fãs encontrando seus ídolos. Há também quem não tenha vivenciado a aclamação de uma obra com aplausos de pé por oito minutos. Há quem não tenha sequer chegado perto disso, mas que, de alguma forma, foi impactado pelas repercussões de um festival de cinema.

O Festival do Rio, após uma breve pausa em decorrência da pandemia, faz seu grande retorno neste sábado (17), em um novo formato. A mostra de filmes será realizada na plataforma do Telecine, e qualquer pessoa com acesso poderá assistir aos longas.

Se antes da pandemia, nós tínhamos uma delimitação geográfica e de espaço, hoje nós temos livre acesso a eventos como esse. Em 2020, cerca de 900 mil pessoas passaram pelo Festival de Cinema de Gramado, exibido na plataforma do Canal Brasil. Quem diria que tanta gente poderia viver a experiência de um festival ao mesmo tempo?

É claro que a distância nos arranca algumas coisas. Nos festivais, muitas vezes somos os primeiros a reagir àquele filme. Sentados nas primeiras fileiras, os críticos se preparam para ditar qual caminho a obra trilhará. A reação da plateia é que vai dizer o quão rápido aquele longa chegará ao circuito e se ele conquistará grandes bilheterias.

Mas quando chegamos a um festival virtual, alguns sentimentos se perdem. O bate-papo com diretores, produtores e elenco se limita a algumas lives nas redes sociais. As conversas com os amigos depois de um filme passam a ser tweets ainda durante a exibição, como se fossemos verdadeiros comentaristas de uma transmissão ao vivo.

Mesmo que de alguma forma essas situações virtuais sejam ruins, elas nos fizeram descobrir um lado bom. O festival de cinema online nos permite uma maior proximidade com o que estava distante. Se antes alguém precisava pegar um ônibus ou avião para acompanhar a uma mostra, agora é só pagar uma mensalidade de streaming, ou assinar os primeiros trinta dias grátis.

E enquanto a plateia ditava os caminhos do sucesso por meio dos elogios, dos aplausos e da vibração, os “twitteiros” levam aos trending topics e fazem daquele filme o assunto do momento.

Os tempos vêm e vão, os formatos mudam, e a arte permanece. Seja numa sala escura com um telão enorme, ou até mesmo no conforto da sala de casa, numa telinha de notebook ou no aparelho celular. E quem sabe num futuro próximo não conseguiremos unir trending topics e aplausos para festejar a sétima arte? Pago para ver!

Se você se contagiou pela emoção de vivenciar um festival virtual de cinema, confira a programação do Festival do Rio, disponível no Telecine de 17 a 31 de julho. Os filmes ficarão disponíveis por 24 horas na plataforma do Telecine e, aos sábados, haverá exibição no canal Telecine Cult.

  • 17.07 | Druk – Mais Uma Rodada, Thomas Vinterberg
  • 18.07 | Caros Camaradas – Trabalhadores em Luta, Andrei Konchalovsky
  • 19.07 | Slalom – Até o Limite, Charlène Favier
  • 20.07 | O Mauritano, Kevin Macdonald
  • 21.07 | Edifício Gagarine, Fanny Liatard e Jérémy Troulih
  • 22.07 | Quo Vadis, Aida?, Jasmila Zbanic
  • 23.07 | De Volta à Ítalia, James D’Arcy
  • 24.07 | Dias Melhores, Derek Tsang
  • 25.07 | Bela Vingança, Emerald Fennell
  • 26.07 | A Boa Esposa, Martin Provost
  • 27.07 | DNA, Maïwenn
  • 28.07 | Ainda Há Tempo, Viggo Mortensen
  • 29.07 | A Candidata Perfeita, Haifaa Al Mansour
  • 30.07 | Verão de 85, François Ozon
  • 31.07 | Noite de Reis, Philippe Lacôte

Para outras informações, acesse o site do Festival do Rio.

Jornalista, produtora e apresentadora do podcast cineaspectos. Como amante do cinema, ficou imersa em roteiros fantásticos, conheceu a beleza dos filmes de máfia e os incompreendidos dramas europeus. Sara adora desbravar a singularidade do cinema brasileiro, e acompanha de perto os principais festivais e mostras ao redor do mundo.

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