Fim de vistos para americanos e japoneses pode mudar turismo do Rio

Praia da Macumba - Rio de Janeiro - Foto: Alexandre Macieira | Riotur

Há na diplomacia algo chamado de princípio da reciprocidade, uma base do direito internacional. O princípio da reciprocidade consiste em permitir a aplicação de efeitos jurídicos em determinadas relações de direito, este princípio tem ao mesmo tempo uma natureza política, jurídica e negocial. Ou seja, vento que venta lá, venta cá.

Mas o Brasil vai fugir um pouco desse princípio da reciprocidade na ida de Bolsonaro para Washington, é que lá, o presidente vai anunciar o fim de visto de entrada no Brasil para visitantes do Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. Mas o brasileiro, entretanto, continuará necessitando dos vistos para estes países.

Claro que, a primeira vista, parece ser algo injusto para o Brasil, mas é algo extremamente necessário para o país. O potencial para aumentar o fluxo de turistas para o Rio de Janeiro é gigantesco, já que se tira um grande problema para os “gringos” escolherem nossa cidade, ao invés de Paris, Londres, ou outros países que não tem pedem visto. Afinal, não se faz necessário ir a um consulado, muitas vezes em locais distantes de onde moram os eventuais turistas.

Para efeito de comparação, o Brasil tem 10 consulados nos EUA:

  • Atlanta
  • Boston
  • Chicago
  • Hartford
  • Houston
  • Los Angeles
  • Miami
  • Nova York
  • São Francisco
  • Washington

Abaixo você pode ver a jurisdição de cada consulado:

Um morador da Carolina do Norte, Washington ou Pensilvânia, dificilmente conseguiria vir para o Brasil, a não ser com uma grande preparação. E, sejamos sinceros, dificilmente um americano quer fugir para o Brasil para trabalhar, enquanto o contrário realmente acontece. Sem contar canadenses, japoneses e australianos, onde ocorre o mesmo.

Com hotéis fechando no Rio e em todo o país, é necessário uma ação rápida do governo, e essa, sem dúvida, é um belo primeiro passo que mudará o turismo no Rio de Janeiro.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Principalmente para o caso dos EUA: o país tem a população muito espraiada, com interior bastante ocupado. Nos casos do Canadá e da Austrália a distância até um consulado tende a pesar para mais de meio país. O Japão é uma relativa exceção: o país tem o tamanho aproximado do Maranhão com bom sistema ferroviário de alta velocidade para conectar as cidades. Mas me colocando no lugar de um morador de Denver, que precisa ir até Houston ou do Ohio, tendo que ir até Washington, para visitar o Brasil, é preciso querer muito, principalmente se há necessidade de se fazer uma viagem prévia. E nem sempre se tem tempo para isso. Na América do Sul, Argentina, Peru, Equador, Uruguai e Colômbia não exigem visto para essas nacionalidades, mesmo necessitando do visto para entrar nesses países. O Chile possui isenção de visto nos EUA, e apenas cobra uma taxa de reciprocidade dos cidadãos da Austrália (país em que todos outros precisam de algum tipo de visto, mesmo que desburocratizado). Conclusão, se eu moro em Denver e estou na dúvida entre o Samba e o Tango, talvez a simplicidade favoreça os hermanos.

  2. O visto eletrônico para os países EUA, Austrália, Japão e Canadá já está em vigor desde o ano passado. Só esse movimento já aumentou em 85% o pedido para o Brasil.

  3. Alguém acredita mesmo que os gringos vão passar a disputar a tapa passagens para o Brasil apenas porque não exigimos mais vistos? É sério isso mesmo?

  4. Será que essa medida levou em conta o perfil do estrangeiro e o que cada um gasta no Brasil, ou apenas foi para fazer média com os governos das nações citadas?

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