Foto: Instagram

Fechado há 7 meses em decorrência da pandemia da Covid-19, o Galeria Café reabre seguindo uma lista de normas recomendadas pelo infectologista Rodrigo Lins. O bar, nascido em dezembro de 1997, quando abriu suas portas num espaço diminuto se comparado ao que ocupa hoje, é conhecido por momentos memoráveis e por ser o local de surgimento de artistas consagrados, está prestes a completar 24 anos.

O bar, comandado pelos sócios Alexandra Di Calafiori – presente desde a inauguração – e por seu companheiro, o ator e cantor Claudio Lins, fica localizado na zona sul da cidade, em Ipanema, um bairro cuja história está ligada às revoluções comportamentais e a conquistas como a liberdade de expressão e inovações das mais variadas. Os surfistas no Arpoador, e, nas décadas seguintes, perpetuaram-se através de acontecimentos como as Dunas da Gal (ou do Barato), o Posto 9, Bar Pizzaiolo, entre outros.  O Galeria fincou suas bandeiras (sendo a do arco-íris a principal delas) e até hoje faz história por lançar tendências e nomes ligados à música e à moda.

Para a reabertura, as regras estabelecidas foram estabelecidas como o funcionamento restrito às sextas e aos sábados, a partir das 20h e a capacidade de 42 pessoas sentadas (36 no salão e seis no mezanino). Neste primeiro momento, o bar não irá permitir pessoas de pé. O público ocupa, agora, mesas e cadeiras. O uso de máscaras é obrigatório, e a casa ainda dispõe de faceshields para uso. 

O menu manteve os drinques que fizeram a fama do local, que podem também acompanhar as comidinhas do Bar do Adão, vizinho e agora parceiro da casa. A cada fim de semana, acontecerão pocket shows de atrações variadas, que vão da stand up a apresentações musicais.

Pelo Galeria já passaram grandes personalidades, como estilista francês Jean-Paul Gaultier e a princesa Stéphanie de Mônaco. Foi lá, também, que Marina Lima e Adriana Calcanhotto conversaram pela primeira vez. O encontro foi promovido pelo Jornal do Brasil e resultou num bate-papo antológico para a Domingo, a célebre revista daquele diário.

Quando ninguém falava ainda em Pablo Vittar, “Open bar”, sua versão para “Lean on”, já embalava os freqüentadores do lugar. Quem não exatamente surgiu, encontrou ali a mola que o jogaria para (muito) além do Rio. E os DJs LC Ambient e Gustavo MM são provas disso. O artista visual Anderson Thives expôs na casa suas primeiras telas. A cantora trans Valéria Barcellos (ex-Houston) foi alçada do mezanino ao estrelato, e a lista de nomes não para por aqui.

A reboque da casa, outros estabelecimentos voltados ao público LGBTQI surgiram naquele quarteirão. Aquele trecho da rua mudou de cara muitas vezes, e o Galeria manteve-se incólume. Do seu surgimento aos dias de hoje, o país passou por diferentes planos econômicos que levaram seus sócios a rebolar, sem nunca esmorecer. Nesses tempos pandêmicos, a duras penas, os funcionários foram preservados, mas o prolongamento das medidas de segurança levou os sócios a pedir ajuda. Em maio, foi lançada uma vaquinha virtual no portal abacashi, e a adesão do público tem sido comovente.

Isso mostra que o Galeria não é só um lugar para dançar, flertar ou encontrar os amigos. É um espaço onde o acolhimento faz-se presente. Um lugar que marcou épocas e que, pela soma desses fatores, deixa uma marca indelével na vida cultural da cidade – não uma cidade qualquer.

O Galeria Café está localizado na Rua Teixeira de Mello, 31, Ipanema. Mais informações podem ser obtidas no Instagram do bar.

Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

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