Política

Garotinho se posiciona a favor dos Cassinos no Brasil

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Um dos principais políticos evangélicos do Rio de Janeiro, o ex-governador Anthony Garotinho, se posicionou nesta quarta-feira, 22/12, a favor da lei que autoriza a abertura de cassinos no Brasil. A lei é defendida e esperada em praticamente todos os setores da economia fluminense e tem sido empurrada por alguns dos grupos da sociedade civil mais engajados no Rio, como o Rio Vamos Vencer e o Coalizão Rio.

De acordo com Garotinho, não haveria só uma citação na Bíblia sobre cassinos. Formado em teologia, disse que não há um único versículo na Bíblia que fala sobre contra os jogos de azar. O ex-governador e ex-prefeito de Campos afirma que a Bíblia diz “Tudo lhe é permitido, mas nem tudo lhe convém” e orienta os cristãos para não serem como os fariseus, que se dizem religiosos e não o são. Continua o político dizendo que “Deus não gosta que você frequente ambiente que não são saudáveis. Se você acha que aquele ambiente não é saudável, não vá“, e diz mais, para não “colocar Deus no meio em algo que não tem nada a ver“. O pai da deputada federal Clarissa Garotinho sabe que a sua opinião não irá agradar a todos, mas prefere que as pessoas saibam o que pensa e pede argumentos para quem é contra.

Segundo ele, o Brasil poderia arrecadar pelo menos R$ 29 bilhões por ano com impostos sobre os jogos de azar permitidos, tendo assim muito mais recursos disponíveis para programas importantes como o Auxílio Brasil. A estimativa que faz é que os Cassinos poderiam gerar até 200 mil novos empregos. Também relembra que muito se diz que no Brasil que o jogo não é legalizado, mas em qualquer esquina tem uma banca do bicho, e ainda cita o tradicional programa Silvio Santos como uma espécie de jogo. Para ele, quem não é pobre é que irá jogar nos cassinos; e debocha de quem afirma que os cassinos vão servir para lavar dinheiro: no nosso país, para ele, seriam os bancos que lavariam o dinheiro.

O contraponto de Marcelo Freixo

No mesmo vídeo, Garotinho dá uma leve cutucada no deputado federal e pré-candidato a governador do Rio, Marcelo Freixo (PSB) que se posiciona contra os cassinos com o argumento de que o seu advento poderia aumentar o endividamento e desagregar as famílias. O candidato tem tentado se aproximar dos evangélicos e religiosos em geral, criando uma espécie de “Freixinho Paz e Amor“, segundo analistas.

Além de ter falado que o pobre não será o principal cliente ou usuário dos Cassinos, Garotinho acredita que não haverá desagregação, “pois vai quem quer“. E completou, dizendo que hoje as famílias já estão desagregadas. E termina atirando: “se não pode legalizar o jogo que se acabe com a Telesena, Mega Sena, Loto Fácil e que o próprio governo tem jogo. Sem contar os jogos online que as pessoas ficam jogando e que todos estão hospedados no exterior e que cobram imposto no exterior do dinheiro que o brasileiro joga“.

Há anos se tenta aprovar a volta dos Cassinos no país. Os mesmos foram proibidos na época do presidente Eurico Gaspar Dutra. Nos anos 80, uma iniciativa robusta do então deputado federal Aloysio Maria Teixeira Filho (MDB-RJ), quase conseguiu eliminar a proibição, mas acabou derrotada por muito pouco.

DIÁRIO DO RIO consultou teólogos e verificou que, de fato, os textos bíblicos não chegam a citar nenhuma proibição expressa à jogatina, à loteria, ou a apostas especificamente. O livro sagrado do povo Cristão recomenda que evitemos o amor ao dinheiro, tendo em vista que a cobiça seria a origem de todos os males – assim é dito em I Timóteo 6:10 e também em Hebreus 13:5. O ‘good book’ também aponta o cristão deveria manter-se distante da busca pelo enriquecimento fácil, o que se demonstraria nas passagens de Eclesiastes 5:10 e Provérbios 13:11; 23:5.

Quintino Gomes Freire

Diretor-Executivo do Diário do RIo e defensor do Carioca Way of Life