Engarrafamento-Lagoa-Barra

12 Bilhões de reais. Por baixo é esse o valor dos incentivos que o governo Dilma concedeu até o momento à indústria automotiva desde 2008. As reduções de IPI, feitas a pedido das empresas produtoras garantiram que as mesmas pudessem vender os seus carros um pouquinho mais barato, mantendo uma demanda elevada por carros novos, sem que para isso as empresas tivessem que diminuir as suas margens de lucro.

O que da para fazer com 12 bilhões de reais?

Com o mesmo dinheiro concedido às empresas automotivas seria possível construir uns 30km de Metrô Urbano, ou mais de 300km de BRT. Claro que tais investimentos não seriam tão pulverizados como os carros que foram comprados com desconto nesses últimos 5 anos. Mas com cidades cada vez mais engarrafadas é um total contrassenso que o governo federal incentive a compra de veículos enquanto as cidades lutam com o problema gerado justamente por isso, o transito.

O Rio de Janeiro não foge a essa regra apesar de estarem em curso importantes investimentos em mobilidade na cidade. Até 2017 a cidade deve contar com quatro corredores BRT, um sistema de VLT no Centro e a extensão da Linha 1 do Metrô até a Barra da Tijuca. São mudanças substanciais, mas os investimentos na cidade (e na região metropolitana) não podem parar por ai.

Continuamos precisando urgentemente de recursos para o transporte de massa. A Linha 3 do metrô em Niterói precisa finalmente sair do papel. A linha 4 da Gávea ao Centro terá seus estudos licitados esse ano para ser construída (assim esperamos) na próxima década. Além disso, é preciso pensar em ligações ferroviárias mais abrangentes e de maior qualidade. E até mesmo um dos BRT’s em construção (TransCarioca) precisa a longo prazo de uma solução de maior capacidade.

E agora, ainda mais carros e engarrafamentos?

Em curto prazo no Rio de Janeiro não. Até 2016 a maioria das grandes obras na cidade estará finalizada e é muito provável que isso traga um alívio grande ao transito que hoje sofre muito por causa das obras (sim, em termos de desenvolvimento da cidade dois anos são curto prazo). Adicionalmente haverá um sistema de transporte melhor (mesmo que não ideal). Mas esse alívio será apenas passageiro se não houver um alinhamento estratégico entre as diferentes esferas governamentais. Apoio para obras pontuais enquanto de outro lado se incentiva a indústria do transporte individual está longe de ser uma estratégia integrada entre as diferentes esferas governamentais.

Diante desse fato nada menos que lógico o nosso governo federal estuda mais uma vez fazer exatamente isso, conceder mais benefícios para as montadoras.

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