Casa de Banho de Dom João VI por Halley Pacheco de Oliveira
Casa de Banho de Dom João VI por Halley Pacheco de Oliveira

O atual Museu da Limpeza Urbana, localizado no bairro do Caju, já abrigou algumas histórias antes de ser um museu da COMLURB. A mais famosa dessas memórias foi a de casa de banho de um monarca.

No início do século XIX, a região onde hoje fica o bairro do Caju, gozava de uma paisagem natural intocada. Lá existia um casarão, que ficava a poucos metros do mar, que nessa época, naquela área (banhando pela Baía de Guanabara), era limpo.

Saco do Raposo, Retiro Saudoso, onde hoje fica a Praça do Mar, pintado por Gustavo Dall'Ara em 1911
Saco do Raposo, Retiro Saudoso, onde hoje fica a Praça do Mar, pintado por Gustavo Dall’Ara em 1911

O Caju era uma região belíssima, de praias com areias branquinhas e água cristalina, onde não era rara a visão do fundo da Baía, tendo como habitantes comuns os camarões, cavalos-marinhos, sardinhas e até mesmo baleias”, escreveu o cronista C. J. Dunlop.

Essa casa, que era propriedade do rico comerciante de café Antonio Tavares Guerra, passou a ser utilizada pela Família Real Portuguesa. O motivo? Fins medicinais. Aqui no Brasil, Dom João VI foi mordido por um carrapato e ficou com uma ferida. Os médicos recomendaram banho de mar para sarar o ferimento.

Dom João VI

Como o monarca era notoriamente avesso a qualquer tipo de contato com o elemento água, só aceitou tomar o banho curativo da Praia do Caju se fosse pendurado em uma espécie de tina, que permitia que apenas suas pernas se molhassem. Tão logo Dom João se viu curado da ferida, deixou de frequentar a paradisíaca praia. No entanto, a Chácara Imperial Quinta do Caju ficaria para sempre conhecida como Casa de Banhos de Dom João VI”, conta Leonardo Ladeira, na Coluna do Patrimônio Histórico, do site Rio e Cultura.

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Em 1938, o casarão foi tombado pelo IPHAN. Entretanto, como não abrigava nenhuma instituição, acabou sendo ocupado por um grupo de pessoas. Décadas depois, em 1961, já no governo de Carlos Lacerda, a grande e histórica foi desocupada. Mas continuou sem utilidade e, por mais de uma vez, quase desabou.

Em 1979, o escritor Rubem Fonseca, então diretor da Fundação Rio, sugeriu que a casa se transformasse em centro de artesanato. Todavia, o plano não foi adiante.

No ano de 1985, foram iniciadas obras de restauração do imóvel. As obras foram finalizadas, o casarão voltou a ser como era nos tempos de glória, mas seguiu sem função e três anos depois foi ocupado por uma família sem-teto.

Casa de Banho de Dom João VI

Na década seguinte, em 1996, foi feita uma nova restauração, com financiamento da COMLURB em parceria com a Região Administrativa da Zona Portuária, e passou a ser o Museu da Limpeza Urbana, ganhando função e valorização.

Contudo, em 2012, o Museu foi fechado para visitação devido à falta de verba. A Comlurb informou, em nota, que não existe previsão de reabertura do museu.

Neste sábado, um grupo de moradores da região fez um protesto pedindo a reabertura do Museu.

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