História da Igreja Matriz de Santa Rita

A igreja, localizada no Centro do Rio de Janeiro, proporciona um belo contraste. O histórico prédio está cercado por construções de arquitetura moderna. Contudo, não é só isso que a Matriz de Santa Rita proporciona. Tem muita história boa que vem de lá.

“O Brasil foi pioneiro na difusão da devoção a Santa Rita de Cássia. Sua igreja no Centro do Rio de Janeiro antecipa-se duzentos anos à sua canonização e trezentos anos à sua inclusão no Calendário Romano, só ocorrida em 2002. A devoção carioca começou em torno a um quadro a óleo da Santa, datado do século XVII, trazido pelo fidalgo português Manuel Nascentes Pinto e colocado em sua chácara do Sítio Valverde, atual Visconde de Inhaúma. A efígie da mística italiana se conserva na sacristia da matriz até hoje em dia”, diz João Carlos Nara Júnior, que é arqueólogo, arquiteto e urbanista e vem fazendo pesquisas sobre a Matriz de Santa Rita.

Esse quadro que ficava na chácara de Manuel Nascentes Pinto se tornou extremamente popular. Muitas pessoas passaram a visitar a propriedade de Manuel só para ver a imagem. Foi necessário construir uma capela para Santa Rita e sua imagem.

Em 1720, foi colocada a pedra fundamental do templo, exatamente onde ele se encontra hoje em dia. Um ano depois, em 1721, já estavam prontos a Capela-mor, a sacristia e o consistório da Igreja. Nessa época, também foi criada a Irmandade de Santa Rita de Cássia, que assumiu a administração.

“Tal fato abriu prolongada demanda, pois o Bispo D. Francisco de S.Jerônimo, o que colocou a Pedra Fundamental da Igreja, recusou-se a reconhecer tal intento, alegando que só o Rei de Portugal podia ser padroeiro das Igrejas no Brasil. Com a morte do benfeitor, seu filho Inácio, continuou a querela com o Bispo. Em 1741, por insistência do Bispo e ameaças até de excomunhão, o herdeiro Inácio Nascentes Pinto foi obrigado a ceder, entregando o Templo à Mitra, mas dando continuidade à questão. Certo dia, uma grave doença acometeu Inácio, deixando-o paralitico, sem voz e surdo. Considerando ser um castigo do céu por seu litígio com a Mitra, o herdeiro apelou para Santa Rita, prometendo encerrar a questão caso ficasse curado. Passados alguns dias, Inácio teve restabelecidos todos movimentos e sentidos, voltando a caminhar. Faleceu tempos depois, tendo passado a seus filhos a determinação de não mais entrar em conflito com a Mitra”, informa o site Matriz de Santa Rita.

A matriz de Santa Rita de Cássia já foi chamada “igreja dos malfeitores” porque ali faziam suas últimas orações os condenados à forca. Além disso, é o primeiro templo das Américas com decoração rococó em talha de madeira. É a única igreja colonial carioca que conserva intacta sua talha original, sem acréscimos ecléticos posteriores. A imagem original de Santa Rita de Cássia, trazida nos primórdios da construção, ainda se encontra o templo.

“Dentre suas tantas particularidades, destaca-se a presença de um cemitério de pretos novos (escravos mortos antes de serem vendidos) no Largo de Santa Rita. O cemitério foi anterior ao do Valongo e perdurou de 1721 a 1769. No Largo também já houve um chafariz e uma fonte, ambos removidos”, frisa João Carlos Nara Júnior.

No próximo dia 22 de maio será comemorado mais um dia de Santa Rita de Cassia na igreja. Mais um ano de celebração às históricas memórias desse lugar, que se mantém firme ao longo dos séculos.

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