Lagoa por Matthias Meurer
Lagoa por Matthias Meurer

Obras da natureza também têm história. A lagoa mais famosa do Rio de Janeiro conta com um passado que está diretamente ligado às memórias do País.

No início da colonização do Brasil, a região onde hoje fica a Lagoa Rodrigo de Freitas deixou os portugueses interessados. Aquela área, conhecida pelos índios nativos como “Sapopenipã”, apresentava terras de boa qualidade para o plantio da cana-de-açúcar. Já a Lagoa era chamada de “Capopenipem”, que significa “lagoa das raízes chatas”

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Com mais de meio século de tradição no mercado imobiliário da Cidade do Rio de Janeiro, a Sérgio Castro Imóveis apoia construções e iniciativas que visam o crescimento da Cidade Maravilhosa sem que as características mais simbólicas do Rio se percam.

Logo após a expulsão dos franceses, foi instalado o Engenho Del Rei pelo Governador Antonio Salema na região da Rodrigo de Freitas. Os portugueses chamavam a área de Lagoa dos Socós, pois havia muitas dessas aves por lá.

Já no século seguinte, em 1660, as terras foram adquiridas por Rodrigo de Freitas Castro e Mello, que ao voltar para Portugal deixou a área de herança para seu filho Rodrigo de Freitas. Daí veio o nome: Lagoa Rodrigo de Freitas.

Contudo, chamar de “lagoa” não é tão correto assim. Tecnicamente falando, o termo é outro, como destacam alguns especialistas:

Trata-se então, da Laguna Rodrigo de Freitas. Mas por que ‘laguna’ e não ‘lagoa’? A diferença é que laguna mantém comunicação com o mar através de um canal. É uma área deprimida, localizada na foz oceânica dos rios e formada por água salobra ou salgada. Esses ambientes lagunares são verdadeiros corpos d’água isolados, formados pelas oscilações dos níveis de maré nos períodos glaciais e interglaciais associados aos climas globais e, que estão sempre em transformação” contou a geógrafa Sonia Gama em entrevista ao jornal O Globo.

Uma providência que modificou um pouco o cenário da Rodrigo de Freitas foi tomada com a chagada da Família Real Portuguesa.

A Lagoa em 1884
A Lagoa em 1884

No início do Século XIX, D. João VI, ao se transferir para o Brasil, teve como primeira providência a construção de uma fábrica de pólvora para que seu exército e sua marinha pudessem proteger a cidade de possíveis invasões francesas. O local escolhido para a construção da fábrica foi em terras que circundavam a Lagoa, já então denominada ‘Rodrigo de Freitas’. Para que esta construção pudesse ser realizada D. João VI indenizou a família Rodrigo de Freitas e nesse mesmo ano a fábrica foi construída. Em 1826 a fábrica de pólvora construída por D. João VI explodiu e foi então transferida para a Raiz da Serra no caminho que D. Pedro II fazia para chegar a Petrópolis, e passou a chamar-se Fábrica da Estrela” informa o instituto de pesquisa Rio de Janeiro Aqui.

Com o passar dos séculos, a produção de cana-de-açúcar passou a render menos lucros e muitas dessas fazendas se toraram pequenas chácaras. A região da Rodrigo de Freitas foi um desses casos.

Lagoa em 1809
Lagoa em 1809

Na década de 1970, a especulação imobiliária chegou com força na área da Rodrigo de Freitas e partes da Lagoa foram aterradas para a construção de prédios residenciais.

Lagoa Rodrigo de Freitas, 1965
Lagoa Rodrigo de Freitas, 1965

Os aterros não foram uma novidade. Eles já aconteciam desde 1808. Nesse processo todo, mais da metade da Lagoa Rodrigo de Freitas foi aterrada” afirma o historiador Maurício Santos.

Lagoa hoje
Lagoa hoje

Após uma série de protestos, inclusive de moradores e arquitetos como Oscar Niemeyer e Lucio Costa, a Lagoa Rodrigo de Freitas e sua orla, em 1975, durante a gestão do prefeito Marcos Tamoyo, foram tombadas pelo patrimônio histórico.

Nesse período, foi proibida qualquer alteração na linha do espelho d’água restringindo assim as construções na área em torno da Lagoa. A área da margem seria utilizada para a construção de área de lazer para a população.

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Nos anos 1990, foi iniciado um trabalho para tentar despoluir a Lagoa. Nessa mesma década, a Rodrigo de Freitas passou a receber a famosa árvore de natal, que já virou um cartão postal carioca, assim como a própria Lagoa.

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