Pedra do Sal

Um dos locais mais divertidos do Rio de Janeiro carrega consigo muitos fatos marcantes da nossa história e cultura. A Pedra do Sal tem atualmente rodas de samba semanais, no entanto, a bagagem que esse lugar remete a incontáveis dias passados.

No início dos anos 1600, um grupo de baianos, que vinha de insussessos economicos causados pelo cículo do fumo, se instalou no bairro da Saúde, centro do Rio. Nessa região da cidade, a moradia era mais barata e por ser próxima ao cais do porto, as oportunidades de empregos como estivador e outros cargos eram promissoaras.

Na antiga Pedra da Prainha (que depois virou Pedra do Sal) havia um grande mercado de escravos. Devido à movomentação que existia na região, muitas das primeiras grandes docas e dos trapiches Cidade Maravilhosa datam esse perído.

“A Pedra do Sal foi uma barreira que impedia a ocupação do morro da Conceição. Deveria se chamar de Pedra do Açúcar, porque começou com desembarque de açúcar que vinha do porto, depois de sal e depois de outros gêneros alimentícios” contou o historiador Milton Teixeira.

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No século XIX, a ocupação baiana já estava mais que consolidada. Essa fixação deu à Pedra do Sal uma das suas maiores vocações: o cultivo e o fortalecimento da cultura afro no Brasil.

As casas de candomblé tiveram uma importancia fundamental nessa situação. O terreiro de João Alabá foi um dos mais simbólicos pontos. As tias baianas se encontravam nesse espaço dedicado ao culto às religiões afros.

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Com mais de meio século no mercado imobiliário carioca, a Sergio Castro Imoveis defende espaços que garantem a afirmação cultural e histórica dessa Cidade Maravilhosa.

Uma dessas tias era Hilária Batista de Almeida, a “Tia Ciata”, citada em todos os relatos do surgimento do samba carioca.

Além disso, o historiador Milton Teixeira aponta outra época de fortalecimento dos gêneros musicais com influências africanas naquela região da cidade:

“No século XX, muitos sambistas que vieram a ser consagrados na música brasileira se mudaram para a Pedra do Sal. Donga, João da Baiana, Pixinguinha e outros. A região virou um ponto de encontro de artístas de samba. Tem toda uma ligação com a música brasileira, a música negra, até porque nessa região se encontava a chamada ‘pequena África’. Até o coemço dos anos 2000 funcionou na Pedra o Bar João da Baiana” disse.

Renata Rodrigues, que produziu dois elogiados documentários sobre a Pedra (Pedra do Sal – Herança Cultural e Pedra do Sal e o Samba de Lei), conta como passou a frequentar o histórico local:

“Conheci a Pedra através das rodas de samba que acontecem no pé do Morro da Conceição, lugar em que fui levada por amigos. Assim começou a minha relação com esse lugar que há dois anos, eu sequer sabia que existia. Segunda-feira e sexta-feira um grupo de pessoas tornam este local diferenciado pelo o que acontece e por como é feito. As rodas são um resgate cultural lindo” revelou.

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Berço da cultura africana no Rio de Janeiro, a pedra do sal completará no dia 20 de novembro de 2015, trinta e um anos de reconhecimento oficial enquanto patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro. Seu tombamento foi uma ação pioneira no Brasil e significou uma conquista para povo negro que ainda luta pelo reconhecimento histórico dos seus territórios sagrados e pela preservação dos mesmos.

Em tempos de inaceitáveis manifestações racistas e de negação dos valores culturais brasileiros, a Pedra do Sal é um símbolo de resistência, que segue firme e forte na luta por um país mais justo e consciente.

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