Ponto de referência no Centro do Rio de Janeiro, a Praça Tiradentes, há muito tempo, abriga essa característica de ser um local para concentração de pessoas. E bota tempo nisso.

Antigo Largo do Rossio do Rio de Janeiro (atual Praça Tiradentes) com o pelourinho ainda de pé. Ao fundo, o Real Teatro de São João (Debret, 1834)
Antigo Largo do Rossio do Rio de Janeiro (atual Praça Tiradentes) com o pelourinho ainda de pé. Ao fundo, o Real Teatro de São João (Debret, 1834)

A origem da Praça se deu no século XVII, quando houve o desmembramento do Campo de São Domingos. Nessa época, a Tiradentes se chamava Rossio Grande, em uma referência ao Largo do Rossio, de Lisboa, em Portugal.

Em pouco tempo, devido à localização, o então Rossio Grande se tornou ponto de encontro dos mais variados tipos de pessoas. Nesse mesmo período, a região passou a ser chamada de Campo dos Ciganos, por haver muitas tendas ciganas por lá.

No livro “A Conquista”, Coelho Neto descreve a prostituição no Largo: “Quando chegaram ao largo do Rocio, Anselmo fez uma observação sutil […] As mulheres, debruçadas às janelas, entre as cortinas, algaraviavam. O olhar, penetrando, dava imediatamente com os leitos muito lisos, muito alvos, ao fundo dos quartos entreabertos e iluminados. Não contentes com a exposição dos corpos ainda chamavam os transeuntes”.

Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa por Carlos Luis M C da Cruz

A partir de 1747, com a construção da Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa em um terreno próximo, a Praça passou a ser conhecida como Campo da Lampadosa. No ano em que a Família Real Portuguesa chegou ao Brasil, 1808, a Tiradentes passou a ser chamada de Campo do Polé, devido à instalação de um pelourinho no local.

Mais de duas décadas depois, em 1821, o príncipe-regente, D. Pedro de Alcântara, jurou fidelidade à Constituição Portuguesa na sacada do Real Teatro São João (hoje Teatro João Caetano). Depois disso, o nome passou a ser Praça da Constituição.

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No ano 1862 foi inaugurada estátua equestre de D. Pedro I, com projeto de João Maximiano Mafra, executado pelo escultor francês Louis Rochet a mando do imperador Pedro II. Isso mesmo, o monumento da Praça não é uma representação de Tiradentes.

Louis Rochet
Louis Rochet

Todas essas mudanças de nomes ao longo dos séculos foram acompanhadas por reformas que foram modelando a Praça Tiradentes como conhecemos hoje em dia. Além da estátua de Dom Pedro, a Praça tem mais quatro estátuas que representam a Justiça, a Liberdade, a União e a Fidelidade”, conta o historiador Maurício Santos.

O atual nome foi escolhido em 1890, dois anos antes do centenário da morte de Tiradentes. Morte que aconteceu perto da Praça, na esquina da Rua Senhor dos Passos com a Avenida Passos.

Bloco Toca Raul por Walter Mesquita - Fotos Públicas

Com vocação para as artes, a Praça é palco de blocos de carnaval, como o Toca Raul e será um dos locais onde acontecem eventos do Festival do Choro deste ano. Próximo à Tiradentes estão os Teatros Carlos Gomes e João Caetano, além do Real Gabinete Português de Leitura, entre outros importantes locais.

Embora tenha problemas de segurança e de conservação, como boa parte do centro da cidade, a Praça Tiradentes segue firme, exaltando a história do Rio de Janeiro e do Brasil.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Texto lamentável.
    O posicionamento em relação as obras executadas no local e em demais áreas da cidade é lamentável.
    Em grandes centros culturais, principalmente do velho continente, pode-se observar a integração no aparecimento de cafés, delicatessens, bares de vários formatos e restaurantes em meio adaptado nas construções barrocas, góticas, neoclássicas e etc.
    O turista procura estes locais até como base para admirar a região.
    Entendo ainda, que o centro histórico do RJ, deveria ser fechado ao acesso de veículos particulares para sua preservação.
    Infelizmente a frequência diária do local é péssima o que contribui para sua decadência. O entorno todo deveria ser revitalizado para termos um melhor aproveitamento de quem ainda tenta sobreviver.

    • Foi exatamente isso que o Paes falou, lembro-me perfeitamente, ele queria transformar o centro do Rio em uma cidade européia, claro, como bom playboy de zona sul que nunca pegou um ônibus na vida, nunca trabalhou e nunca andou no centro, só podia ter essa idéia de jerico de transformar o centro histórico num grande botequim para bêbados, como se o comércio se resumisse em bares, boates e restaurantes. Quando eu estudante universitário comprava meus livros em sebos, coisa que os playboys não sabem nem o que é. A praça Tiradentes era maravilhosa, o comércio vicejava, dizer que a frequência hoje é péssima é um tremendo preconceito, de dia tudo funcionava, à noite havia os teatros, mas quem acabou com tudo foi o Paes, é preciso conhecer a história, a frequência do centro sempre girou em torno do comércio do Edf. Central, Rio Branco, Carioca, 7 de Setembro, Tiradentes e Saara, há 10/15 anos a gente praticamente não conseguia andar no centro de tanta gente. Depois fecharam a metade da Rio Branco para esse ignóbil VLT que liga o nada a lugar nenhum passar. Foi o começo da desgraça, o fim de tudo. O que estou descrevendo é a realidade, hoje em dia é lamentável é ir ao centro, dá vontade de chorar com o que fizeram, não tem mais nada, não tem nem onde sentar, não tem banheiros, vc vai á praça XV e não tem bancos, um imenso terreno plano vazio; não tem mais comércio, acabou tudo. O Lavradio foi outra rua maravilhosa com lojas antigas de móveis e antiguidades, TODAS fecharam as portas, seguindo essa mesma lógica de estimular a abertura de botequins e bares para bêbados e congêneres, visando transformar o centro numa imensa poça de urina fétida e imunda.

  2. Era uma praça maravilhosa antes do Eduardo Paes acabar com ela. Havia muitos pontos de ônibus, movimento intenso de pessoas e veículos, o comércio era abundante e vicejante, existiam mais de 20 sebos (livrarias) no entorno, a praça Tiradentes foi para mim, durante muitos anos, um programa imperdível aos sábados de manhã!!!!!! Hoje, infelizmente, não tem mais nada!!!! Acabaram com os ônibus, estreitaram as ruas, todos os sebos fecharam, o comércio foi sepultado sob obras infindáveis daquele trenzinho maldito, a praça em si foi alargada, possui atualmente o tamanho de 2 ou mais campos de futebol, infelizmente pra ninguém andar ou sentar (não tem bancos e banheiros) pois está abandonada. À noite é perigosíssimo de ir, tem muitos assaltos e arrastões, virou um buraco de lixo. O sonho do prefeito era transformar o centro do Rio em um imenso botequim para bêbados e boêmios preguiçosos, as boas e centenárias lojas fecharam as portas e os botequins de bêbados não vieram. Os secretários de transportes do prefeito, como não entendiam nada de transporte, fecharam o centro para os bêbados poderem andar sem perigo, os guardas municipais multavam todo mundo, acabando de vez com o comércio, hoje em dia ninguém mais quer visitar o centro da cidade, eu ia de carro, havia muitos estacionamentos, agora não mais, é um imenso vazio, ermo e perigoso.

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