História da Rua Quitanda e seus muitos nomes

A Rua da Quitanda é uma das mais conhecidas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Em outras épocas, a via já foi conhecida por muitos nomes diferentes. Alguns com histórias hilárias, inclusive.

A Rua foi aberta em uma das primeiras vias da cidade. A ideia era, em 1610, fazer uma ligação entre o bairro da Misericórdia com o da Prainha. E a ligação foi feita.

Caso o bairro da Misericórdia, extinto completamente no século passado, ainda existisse, a Rua D. Manuel, a Igreja de N.Sª de Bonsucesso e o antigo Arsenal de Guerra – hoje Museu Histórico Nacional – fariam (como fizeram) parte dele.

“Começava na rua do Porto (depois São José), no canto de Inácio Castanheira e terminava na cerca da horta dos frades São Bento, defronte à porta, por onde, mais tarde, os ditos frades abriram uma rua a que se deu o nome de São Bento, ainda conservado. Do fim da rua da Quitanda chegava-se à Prainha por um atalho e da Prainha alcançava-se o lugar – rua Uruguaiana – do curtume da vala grande, que ficava depois das charnecas e lagoas que aí então existiam e que foram sendo aterradas, formando-se um rossio, do qual o largo de Santa Rita é vestígio”, conta a pesquisadora Heloisa Helena Meirelles.

pintura: Rua da Quitanda

Como citado no começo do texto, a Rua da Quitanda teve muitos nomes: Rua do Açougue Velho, Rua Marcos da Costa, Rua Clemente de Matos, Rua do Provedor da Fazenda, Rua Mateus de Freitas, Travessa do Inácio Castanheira, Rua João dos Ouros, Rua do Padre João de Barcelos, Rua Pedro Fernandes, Rua Alexandre de Castro, Rua do Malheiros, Rua da Quitanda dos Pretos, Rua Direita Detrás da Candelária, Rua do Oratório de N.S. da Abadia, Rua do Oratório do Sargento Mor, Caminho para a chácara dos frades de São Bento, Rua Tomé da Silva, Travessa de Lucas do Couto, Rua Sucussarará e Rua João Alfredo.

Os nomes próprios, como Rua Marcos da Costa e Rua Clemente de Matos, se deram porque os homens citados foram grandes proprietários de casas na via. Outros são mais diretos, exemplo, Rua do Açougue Velho.

O nome Rua Sucussarará tem uma história engraçada que cheira a lenda. Dizem que um médico inglês, especialista em hemorroidas, falava para os seus pacientes, com um português truncado,: “O seu cu sarará”. Daí, a denominação “Sucussarará”.

Contudo, há outras versões para a Sucussarará. “No final dessa rua ficava a zona alagadiça da lagoa da Pavuna e era povoada por aves aquáticas como o socó de cores variadas e por algumas espécies com tons vermelhos ou laranjas, chamadas pelos índios de “sararás”. Unindo o substantivo (socó) ao adjetivo (sarará) chega-se a socó-sarará, que no sotaque português poderia ter dado ‘sucussarará'”, afirma Heloisa Helena Meirelles.

Em 1686, a via passou a ter o nome que tem até hoje. Isso se deu porque a “Quitanda velha” ou “Quitanda dos Pretos”, saiu das proximidades da igreja da Cruz dos Militares, na antiga Rua Direita, para as imediações da Rua da Alfândega. Mas ainda houve uma outra mudança de denominação.

Em 1888, o nome da Rua foi alterado para Rua João Alfredo, em homenagem ao Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, chefe do Gabinete da Abolição. Em 1892, por resolução da Intendência Municipal, foi restabelecida a antiga denominação tradicional de Rua da Quitanda, confirmada pelo Dec. 1165, de 31/10/1917.

Palácio Vigia, tempos atuais da Rua da Quitanda

Hoje em dia a Rua da Quitanda não muda mais o nome. Mas muita coisa mudou. A via mescla construções antigas, bastante comércio, espaços empresariais e prédios modernos, como o Palácio Vigia, por exemplo.

6 COMENTÁRIOS

  1. Estou emocionada, em conhecer um pouco da história de uma das ruas mais importantes de nosso estado…. A partir de hoje, será uma responsabilidade maior ao pisar no chão dessa jovem anciã, que guarda tantas histórias.

  2. Muito importante essa pesquisa.
    Os cariocas quase não conhecem a própria cidade.
    É muito bom saber que existem pessoas preocupadas em manter viva a nossa história.
    Parabéns pela riqueza de detalhes.
    Aguardo novas postagens.

    • Muito obrigado, Heloísa! Seu blog é ótimo. Eu leio sempre e certamente usaremos pesquisas suas para que nossos textos de história fiquem ainda melhores 🙂

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