Muita gente que passa pela Rua do Passeio já deve ter notado um prédio antigo, de fachada neoclássica, próximo ao edifício da Escola de Música da UFRJ. Trata-se do Automóvel Clube. No entanto, essa construção guarda muitas outras histórias em suas centenárias paredes.



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Após chegar ao Brasil, uma parte da corte portuguesa desejava um local nobre para se instalar. Anos antes, mais precisamente em 1783, foi construído o Passeio Público (primeiro parque público da América Latina), o que valorizou muito aquela região da cidade, que antes era mal ocupada pelas nada agradáveis águas da Lagoa do Boqueirão. E foi no Passeio que essa parcela da elite lusitana decidiu morar.

Nessa área, se encontrava a residência do Marquês de Barbacena – projetada pelo arquiteto Araújo Porto Alegre – que depois de alguns anos foi adquirida pelo comendador Machado Coelho.

Cassino Fluminense

Décadas depois, em 1845, o prédio foi alugado para o recém-criado Cassino Fluminense, que fazia a alegria da corte – que a essa altura já não era só portuguesa. O sucesso do Cassino foi tão grande que o edifício precisou ser comprado.

Nove anos após o início do aluguel, a construção foi comparada e passou por profundas reformas que resistem até os dias atuais. São do período que vai de 1855 até 1860, a fachada e os principais espaços internos.

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Com mais de meio século de tradição no mercado imobiliário do Rio de Janeiro, a Sergio Castro Imóveis – a empresa que resolve contribui para a valorização da cultura carioca

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O tempo acelerou e o prédio passou a ser ocupado para fins menos festivos e mais sérios. No contexto da proclamação da república, o edifício, em 1890, teve a instalação do congresso através da convocação da Assembleia Constituinte Republicana.

No ligar das chaves do século XX, a construção deu a partida para ser o que é hoje em dia. Conforme conta o pesquisador Arthur Rodrigues:

Automóvel Clube Rio de Janeiro – foto antiga

“A partir do ano de 1900 o imóvel passa a abrigar o Clube dos Diários, composto pelos poucos proprietários de carros na cidade e que durante o final de semana viajam a Petrópolis. Em 1910 é adquirido pelo mesmo. Neste mesmo ano se inicia uma nova reforma sob o traço de Joseph Gire, executada pela construtora Januzzi, responsável pela instalação da port-couche metálica na portada principal e pela ornamentação de estilo eclético”, afirmou Arthur em um texto para a seção histórica do site da prefeitura do Rio de Janeiro.

A fusão com o Automóvel Clube se deu em 1924. Nesse período, mais reformas foram realizadas, como as dos salões laterais.

João Goulart no Automóvel Clube

No início da ditadura militar, o Automóvel Clube voltou a ter a política como combustível. Embora não tenha deixado de ser um espaço de lazer para os amantes de carros, o espaço, em 1964, serviu como ponto de encontro de políticos e base para comícios como o de João Goulart durante um baile das forças armadas em 30 de março, que funcionou como estopim do golpe.

O edifício ficou sob o controle do Automóvel Clube até os anos 1990. Nessa década, assumiu também a função de posto do Detran-RJ. Em 1996, o prédio pegou uma estrada para o passado. Nesse ano, por falta de dinheiro, o imóvel foi alugado para a instalação do Bingo Imperial. Embora o glamour fosse diferente, o acontecimento remeteu ao passado do Cassino Fluminense.

Com um tranco de uma parte da população, que realizou diversos protestos, o edifício foi leiloado e arrematado pelo município do Rio de Janeiro. Em 2003, o prédio voltou a ser ocupado pelo Automóvel Clube do Brasil. Porém, no ano seguinte, foi esvaziado e se encontra sem uso até os dias atuais.

Automóvel Clube Rio de Janeiro hoje

Em uma entrevista ao Jornal O Globo no ano passado, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse que não havia uma ideia do que seria feito no espaço, que se encontra em péssimas condições internas:

“Ainda não encontramos uma alternativa. O ideal é que tivesse uma iniciativa, como uma parceria público-privada. Mas até hoje não conseguimos viabilizar. Cheguei a pensar em fazer um centro de mídia não credenciada da Copa, mas a reforma custaria entre R$ 35 e R$ 40 milhões”, disse o prefeito em março de 2014.

Mais de um ano depois, o prédio segue sem uso, servindo apenas para relembrar tempos melhores.

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