Em meio a uma das áreas mais nobres da cidade do Rio de Janeiro, um local que serviu como refugio de escravos, enraíza sua história secular. Localizado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, o Quilombo Sacopã, há 105 anos ocupado pela família Pinto, preserva sua história, tradição e cultura.

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Quilombos, tradicionalmente, eram comunidades majoritariamente formadas — mas não apenas — por pessoas escravizadas fugidas. Tinham estruturas econômicas comunitárias, estruturas de poder estabelecidas e relações sociais e de identidade construídas. Com o tempo, o termo quilombo adquiriu outros significados. Hoje designa, sobretudo, espaços de solidariedade que buscam, a partir da identidade étnica, garantir o seu território, consolidando uma história de resistência ancestral e autonomia, garantindo com segurança jurídica o direito à propriedade, rompendo o ciclo de segregação espacial”, conta o historiador Luis Antonio Simas.

Criado no fim do século XIX por escravos fugidos de Macaé, na Região dos Lagos, e de Friburgo, na Região Serrana, o Quilombo Sacopã foi um dos mais importantes do estado do Rio de Janeiro.

O Quilombo de Sacopã tem 18 mil m² de mata em meio a prédios de luxo e mansões no bairro com o terceiro metro quadrado mais caro do Rio, a Lagoa. Constantemente é alvo da especulação imobiliária, por ser um espaço interessante para a construção de prédios de luxo.

No ano 1929, Manoel Pinto Júnior, sua mulher (Eva Manoela Cruz) e os cinco filhos, estabeleceram-se na Ladeira do Sacopã, dando início à comunidade existente hoje em dia, embora a área já fosse ocupada, de forma menos organizada, por alguns de seus antepassados.

Houve a forte remoção nos anos 1960, quando tiraram a maioria dos favelados daqui. Tínhamos que tomar um rumo, porque na época não tínhamos documento. Começamos a bolar uma forma para nossa permanência. Por eu ser o caçula, consegui dar o maior avanço em escolaridade e vim descobrir na Justiça uma coisa chamada usucapião”, lembra, em entrevista ao G1, José Luiz Pinto, mais conhecido como Luiz Sacopã, patriarca da sexta geração de família de escravos.

Já em 1999, sete décadas depois da chegada de seu pai, Manoel Pinto, Luiz Sacopã e seus parentes adotaram a denominação de quilombolas, já habitando a região.

Alguns anos depois, no século XXI, mais precisamente em 2005, os quilombolas do Sacomã receberam a certificação da Fundação Palmares.

Em 2014, o Governo Federal entregou aos moradores do Quilombo Sacopã o título de reconhecimento de domínio sobre as terras, após décadas de disputa judicial.

Em um local com uma vista privilegiada da cidade e preservando muito da nossa história, o Quilombo Sacomã resiste.

 

 

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