Em setembro de 1987 latas e mais latas boiaram em parte do litoral do Rio de Janeiro. O mais curioso de tudo era o que tinha dentro delas. Sim. Elas estavam cheias de maconha. E dizem que a erva era da melhor qualidade. O episódio, que parece ficção, mas foi real, ficou conhecido como o Verão da Lata.

Tudo começou quando, em agosto de 1987, a tripulação do navio Solana Star, que vinha da Austrália, soube que estava sendo investigada por tráfico internacional e, para não serem presos, soltaram toda a carga de maconha, que estava guardada em latas, no litoral brasileiro. As latinhas saíram viajando pelo litoral paulista e fluminense.

Com isso, já no dia 25 de setembro de 1987, pescadores em Maricá, Rio de Janeiro, acharam algumas das latas. Quando abriram as mesmas viram que cada uma das latinhas tinha cerca de 1,5 kg de maconha. Eles avisaram a Polícia, mas já era tarde. Naquele momento, o produto já estava espalhado por boa parte da costa. No navio Solana Star tinha 22 toneladas de erva contrabandeada.

A notícia logo se espalhou e as latas, também. Quem achava uma na orla carioca já sabia o que tinha dentro. Virou uma febre. O Verão da Lata foi algo surreal em um país que havia acabado de se redemocratizar após décadas de ditadura militar.

“Eu me lembro bem dessa época. Eu não era muito de fumar, não, mas o pessoal que gostava, falava que a erva era da melhor qualidade. Era muito louco. Você estava em uma praia em Ipanema e, do nada, alguém chegava com uma lata cheia de maconha. Tinha até briga. Tinha gente que fica de binóculos para ver a lata de longe, de noite”, conta Mauro Azevedo, que era surfista na época do Verão da Lata.

A loucura foi tanta que “da lata” virou expressão, gíria, para se referir às coisas boas. Músicas faziam citação clara à maconha da lata. Todo mundo sabia, inclusive as autoridades, mas nada conseguiam fazer. Não tinham nem noção da quantidade de latas que boiavam pelo litoral.

Para fugir das investigações, a tripulação do Solana Star atracou no Porto do Rio de Janeiro e fugiu para outros países. Só quem ficou foi o  cozinheiro Stephen Skelton, que se encantou pela cidade e quis ficar por aqui. Acabou condenado a 20 anos de prisão. No entanto, ele ficou na cadeia por apenas um ano, pois era impossível comprovar sua relação com as latas do litoral, e a quantidade de maconha encontrada no navio era tão pequena que não fazia sentido condená-lo por tráfico internacional.

Essa história parece mentira, mas é verdade. Para provar isso, foi feito até um documentário sobre.

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