História da Praça XV

História da Praça XV

7 de julho de 2015 2 Por Felipe Lucena
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Praça XV por MAHM

Local onde as histórias de vida de pessoas se cruzam, a Praça XV diz muito sobre a memória do Rio de Janeiro. O local foi centro de muitos acontecimentos importantes para o passado, que refletem no presente da cidade.

Paço Imperia, Jean-Baptiste Debret

Paço Imperia, Jean-Baptiste Debret

Inicialmente, no século XVIII, a Praça XV foi chamada de Várzea de Nossa Senhora do Ó, Largo do Terreiro da Polé, Largo do Carmo, Praça do Carmo, Terreiro do Paço e Largo do Paço.

O espaço passou a ter o nome atual após a proclamação da republica, que aconteceu no dia em 15 de novembro de 1889. Anteriormente, em 18 de março de 1870, a câmara da cidade decretou que o lugar passaria a se chamar Praça de Dom Pedro II.

Carmo - pintura de Richard Bates - 1808

Pintura de Richard Bates – 1808, no destaque Igreja do Carmo

Até meados da década de 1770, com a construção do Cais do Valongo, a Praça XV foi o principal ponto de desembarque de escravos africanos na cidade. Depois disso, até o fim dos anos 1800, a Praça recebia a maior parte dos navios de passageiros que chegavam ao Rio de Janeiro:

“Nesse período, essa região, era a porta de entrada do Brasil, o cartão de visitas da cidade” conta o historiador Milton Teixeira.


Com mais de meio século de tradição no mercado imobiliário da Cidade do Rio de Janeiro, a Sergio Castro Imóveis apoia construções e iniciativas que visam o crescimento da Cidade Maravilhosa sem que as características mais simbólicas do Rio se percam.

Outro dado histórico liga a Praça à história da cidade. Em 1834, partiu de lá a primeira navegação a vapor para Niterói. Da mesma Praça XV saiam barcas para vários bairros litorâneos do Rio de Janeiro. Assunto que é debatido por especialistas em transportes atualmente, que acreditam que um aumento no transporte hidroviário poderia melhorar o transito carioca.

Entre outras datas históricas que ocorreram na Praça XV estão o Dia do Fico e a dia em que Princesa Isabel declarou a Lei Áurea, de uma sacada do Paço Imperial, que fica na Praça.

Paço Imperial por Patricia Figueira

O Paço Imperial foi erguido no local como Palácio dos Governadores e da Casa da Moeda. As obras foram terminadas em 1745, no governo de Gomes Freire de Andrade.

Um dado curioso é que o Paço Imperial foi o primeiro imóvel da cidade do Rio de Janeiro a ter janelas de vidro.

Aquarela de Thomas Ender de 1817 retrata os escravos no entorno do Chafariz, recolhendo água, o cais com assentos e lampiões.

Aquarela de Thomas Ender de 1817 retrata os escravos no entorno do Chafariz, recolhendo água, o cais com assentos e lampiões.

O Chafariz do Mestre Valentim, que foi construído no governo do vice-rei dom Luís de Vasconcelos, inaugurado em 1789, é até hoje um dos símbolos da histórica Praça XV.

A Praça XV também é local de despedidas. Em 1889, com a Proclamação da República do Brasil, uma parte da família imperial partiu para o exílio em um navio que saiu da Praça.

construção da Avenida Perimetral

A construção da Avenida Perimetral, que aconteceu na década de 1950, atravessou a Praça XV, ligando a Avenida Presidente Vargas ao Parque Brigadeiro Eduardo Gomes. Há quem defenda que essa obra tirou um pouco o brilho do local.

Estátua Equestre de Dom João VI por Halley Pacheco de Oliveira

Quinze anos depois, em 10 de junho de 1965, foi erguida a estátua equestre do rei dom João VI. Há quem diga que o monumento foi colocado onde Dom João teria desembarcado com a corte real em 1808. No entanto, alguns relatos desmentem essa afirmativa:

“Dom João desembarcou onde hoje é o Arsenal de Marinha do Rio, na base do Morro do São Bento. Isso está muito bem documentado” esclarece Milton Teixeira.

Monumento a João Candido por Al Lemos

A estátua mais recente da Praça XV é o de João Cândido, inaugurada em 2007. Em memória a Revolta da Chibata, liderada pelo marinheiro.

“Passar pela Praça XV é caminhar cercado de história. Atualmente, temos problemas de segurança, mas é um lugar onde devemos parar e observar toda a história que ali se encontra” afirma o historiador Maurício Santos.

Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.


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