Maternidade Pro Matre, no Centro do Rio (Foto: Reprodução Internet)

Com atendimento suspenso a gestantes desde 2009, o tradicional prédio do hospital maternidade Pro Matre, localizado junto à Praça Mauá, no Centro do Rio, vai ser leiloado para pagamento de dívidas da instituição. Sem funcionar há quase 12 anos, a unidade vem sofrendo com o abandono e com a ação de moradores de rua e dos depredadores. Inclusive, o imóvel já foi apregoado anteriormente, e o leilão anterior acabou anulado por tribunais superiores. Ele chegou a ser arrematado por empresários do ramo da hotelaria, que já teriam recebido de volta o dinheiro pago, em virtude da anulação do leilão.

O edifício fica localizado bem na esquina da Avenida Barão de Tefé com a Avenida Venezuela, no coração do “Porto Maravilha”. Fica bem pertinho do prédio sede da L’Oreal e do bem sucedido empreendimento corporativo Vista Guanabara, ambos com mais de 20 andares e construídos nos últimos anos. O Vista Guanabara se encontra plenamente ocupado, segundo informações de especialistas do mercado imobiliário.

Segundo Marcos Rocha, Diretor Regional da Sergio Castro Imóveis no Porto Maravilha, “o problema é a incerteza de nova anulação de mais um leilão, pois o imóvel não é tombado, e o seu potencial construtivo é enorme. Estima-se que um prédio novo no local possa chegar a 25.000m2 de área útil“. O profissional informa que teve acesso à documentos da época da construção do prédio da Pro Matre, e que uma parte do terreno teria sido doada pelo Governo Federal com a condição de ser feito um hospital no local, e isto poderia ser um obstáculo semelhante ao que ocorreu com a tentativa de venda do Clube de Regatas Guanabara, na Praia de Botafogo, cujo terreno também teria sido doado pela União com um objetivo exclusivo (no caso, de haver no local um clube esportivo).

O pregão ocorre virtualmente e está aberto desde 31 de março deste ano. O fechamento da primeira praça, com valor inicial mínimo de R$ 15,2 milhões, será no dia 6 de maio. Juridicamente, primeiro é feita uma primeira praça, tentando vender o imóvel pelo valor da avaliação, mas caso o imóvel não seja vendido nesta etapa, um segundo leilão será realizado no dia 14 de maio, com valor mínimo de R$ 7,6 milhões. O terreno tem cerca de 3.300m2 e são 6.083m2 construídos. O pregão será realizado pelo leiloeiro Tostes, e mais informações podem ser encontradas aqui.

Logo em frente do terreno da Pro Matre, do outro lado da Avenida Barão de Tefé, está à venda um outro imóvel, com 3.000 metros quadrados de terreno. Rocha diz que “antigo prédio da Brasil Seguros está conosco para venda ou aluguel, e o valor pedido é bem superior ao preço pedido pelo da Pro Matre, justamente por conta de seu grande potencial construtivo, e do fato de ser de esquina”. Vale lembrar que, para construir no local, é preciso adquirir certificados de potencial construtivo, os CEPACs, da Caixa Econômica Federal, que , segundo fontes de mercado, estariam sendo ofertados por muito mais do que valeriam.

Inaugurada em 1919, incialmente como uma associação beneficente, a Pro Matre funcionou como o primeiro hospital de emergência dedicado ao atendimento a pacientes da gripe espanhola. A criação da maternidade foi uma idéia do médico Fernando Magalhães com o suporte das senhoras da “sociedade carioca”, lideradas pela feminista Stella de Carvalho Guerra Duval. Na Pro Matre nasceram ilustres brasileiros, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No ano de 2000, a maternidade costumava atender até mil grávidas diariamente, realizando até 300 partos por mês, cerca de 10% dos procedimentos médicos desse tipo na Capital Fluminense. Sufocada por processos trabalhistas e pedidos de indenização de ex-pacientes, a maternidade acabou fechando, e deixando os imóveis no local à própria sorte.

Em 2009, o Conselho Regional de Medicina do Rio afirmou que não era possível manter a maternidade por problemas de ordem financeira.

3 COMENTÁRIOS

  1. Nasci lá. Meu pai foi médico de lá. Como acadêmico estagiei lá. Hoje trabalho no H. M. Fernando Magalhães (SMS). Nunca demolí-la! Poderia virar um Espaço Cultural

  2. Esse prédio e outros, antes servidos com unidades hospitalares, deveriam ter sido ocupados pelo Estado e pelo Município, aproveitando suas a estrutura e instalações disponível, e fazendo adaptações e instalações necessárias, para destinação como hospitais de campanha… Mas não. Governador e Prefeito preferiram fazer contratos de centenas de milhões com empresas para fazer do zero em terrenos.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui