A frente e fachada do Pestana Hotel pela Domingos Ferreira é motivo de preocupação dos moradores de Copacabana.
A frente e fachada do Pestana Hotel pela Domingos Ferreira é motivo de preocupação dos moradores de Copacabana.

Na Avenida Atlântica, entre Barão de Ipanema e Constante Ramos, fica o luxuoso hotel Pestana Rio Atlântica, com seu famoso terraço com piscina que sedia tantas festas badaladas, e seus varandas debruçados sobre a praia de Copacabana. O hotel, que já foi de Roberto Marinho e foi construído sobre o terreno do antológico Cine Rian, hoje pertence à rede portuguesa de hotéis e tem feito promoções para conseguir mais hóspedes durante a pandemia, como noticiado aqui.

O que pouca gente sabe é que o 4 estrelas tem também frente para a Rua Domingos Ferreira, uma rua residencial tradicional de Copacabana, com diversos prédios familiares e alguns restaurantes muito queridos aos moradores do bairro. Mas estes mesmos moradores não entendem por que tamanha falta de cuidado da multinacional portuguesa com a rua: “A fachada que dá para a Domingos Ferreira é completamente abandonada por eles. A calçada é sempre suja e esburacada, e com esgoto a céu aberto. As portas do hotel estão em estado precário, e mendigos dormem ali o tempo inteiro“, disse ao DIÁRIO Linda Ferreira, moradora das imediações.

Mas não é só a dona Linda que conta histórias do local não. “Não dá pra entender um hotel tão bacana, tratar Copacabana como uma latrina. Deixam lixo na calçada, que é escarafunchado por moradores de rua, que defecam e urinam na frente do hotel todos os dias. Eles nem se dão o trabalho de limpar. A fachada do prédio para a rua é todaquebrada, com vazamento de esgoto permanente, e ainda usam a rua para estacionamento de enormes caminhões, que por vezes sobem na calçada e acabam de destruir o que ainda resta de Copacabana” reclama Adriano Nascimento, administrador do Edifício Lellis, vizinho do grande hotel. E completa: “Nosso prédio vive sendo intimado e conserta sempre a calçada no entorno. Gostaria de saber porque a Prefeitura protege o Pestana e deixa que mantenha sua calçada completamente destruída na Domingos Ferreira?”.

O DIÁRIO DO RIO foi ao local. No momento que a reportagem chegou ao local, verificamos esgoto junto à rampa da garagem, grandes buracos na calçada, assim como um sem número de moradores em situação de rua acampados na porta do hotel. Os moradores se retiraram para que tirássemos as fotografias que ilustram a reportagem. A porta da garagem, em alumínio preto, está toda amassada e quebrada. E a fachada do prédio demonstra uma grande decadência, com muitas barras de alumínio quebradas, mármore branco encardido, lixo e esgoto.

Quem entra no hotel pela frente não tem idéia da precariedade da entrada. Um funcionário que pediu para não ser identificado disse ao DIÁRIO que a frente da Domingos Ferreira é usada apenas por funcionários e fornecedores e que a diretoria sabe dos problemas. “Não tem como não saber, pois o fedor de esgoto e fezes chama a atenção, assim como os caminhões que por vezes sobem na calçada para fazer entregas”, disse.

É muito descaso com Copacabana“, lamentou um garçom de um restaurante em frente, na Domingos Ferreira. Realmente a aparência do imóvel é péssima, e a calçada em frente ao hotel se tornou uma área que os moradores da rua evitam. Será que quem se hospeda lá tem noção da aparente falta de apreço que a multinacional portuguesa demonstra com a princesinha do mar? Por razões como esta a hashtag #copacabanapedesocorro tem dominado os grupos de facebook de moradores do bairro.

Recentemente, o hotel teve uma das famosas festas interrompida pela polícia, por promover aglomeração ilegalmente durante a vigência de restrições por conta da COVID-19. A festa era clandestina, como noticiamos aqui.

10 COMENTÁRIOS

  1. O PESTANA BRASIL tem uma administração além de incompetente tbm irresponsável. Sou membro de um programa de fidelidade através de pontos e fomos enganados, pois o grupo fechou quase todas unidades no Brasil. Para utilizar os pontos temos que fazer viagens internacionais caras , do contrário perdemos os pontos que tem prazo de validade. Uma vergonha!

  2. A natureza jurídica das calçadas urbanas e a responsabilidade primária dos Municípios quanto à sua feitura, manutenção e adaptação para fins de acessibilidade.

    Em cada edificação o responsável pela sua calçada – construção, conservação e limpeza, enquanto que o poder Público tem a responsabilidade de serviços de fiscalização, fornecimento de
    iluminação, limpeza da rua e seguranca.

    Em nosso país, possuímos um
    enorme número sem fim de leis federais, estaduais e municipais. No caso do Rio de Janeiro, infelizmente, quase todos os dias os vereadores elaboram leis para beneficiar certos grupos de comerciantes de bares e restaurantes (mesa, cadeiras), taxistas (telefones, toldos), a proliferação de ambulantes com as suas barracas, sem falar nos informais que também são causadores do caos urbanístico, e que por conta disso, a Prefeitura peca por isso, a falta de fiscalização e de ditar regras referente da responsabilidade desses grupos. Fora isso a questão do gradeamento sem uma regra fixa de onde vai o direito e os deveres do estabelecimento residencial e a rede de hotelaria em relação a manutenção das suas calçadas.

    A lei municipal n• 1.350, de 26 de outubro de 1988 delibera que são “os
    proprietários de imóveis residenciais, comerciais, industriais, condomínios e terrenos baldios obrigados a construir e/ou promover a conservação e limpeza das calçadas diante de seus imóveis. As jardineiras ou os canteiros existentes nas calçadas também são de responsabilidade dos donos”. Sendo assim, nos prédios ou condomínios, esta função cabe ao síndico.

    Bom… A sugestão que dou ao síndico do Edifício Lellis e o que aprendi, enquanto, Associação de Moradores, é provocar o Ministério Público do setor de Cidadania, até porque, está deflagrado vários crimes urbanísticos que atentam quanto a segurança dos pedestres. Primeiro, é tirar fotos, nomes e endereços de todos os estabelecimentos de hotelaria e levar a petição de suas queixas para Associação de Hotelaria que defende e representa os interesses de todos os hotéis da Cidade do Rio de Janeiro e depois, se possível fazer um abaixo assinado dos moradores do bairro. E depois, enviar tudo como falei ao Ministério Público da Cidadania que cobrará a cada um a sua responsabilidade pela segurança do pedestres, a acessibilidade e da manutenção dos calçamento. Um advogado pode muito bem peticionar o processo.

  3. Não só incompetência e vista grossa da prefeitura do Rio, é também um descaso da multinacional, porque essa é uma entrada de funcionários e de entregadores, ou seja, o hotel não tem interesse de ter uma fachada bonita e limpa pra receber faxineiros, camareiras, etc. É ridículo! Além do mais isso atrai animais peçonhentos. Fico imaginando o armazenamento de produtos dentro desse hotel. Será que a vigilância sanitária, não quer fazer uma visita?

  4. Esta situação na rua Domingos Ferreira em Copacabana, da qual o maior responsável é a rede de hotéis Pestana, é um atestado da incompetência e pequenês da Prefeitura do Rio de Janeiro. Quando as autoridades de um país permitem que empresários estrangeiros tratem com desprezo a terra que os hospeda, é o mesmo que dizer: “Podem sujar, esculachar, não estamos nem aí!”. Ademais, os portugueses do Pestana só fazem isso aqui no Brasil, porque em Portugal ou qualquer outro país europeu… nem pensar!, já teriam levado uma gorda multa e advertência séria da fiscalização local! O grande problema do brasileiro é não se dar ao respeito! Que lástima e desperdício…

  5. Bom hotel e bem localizado. Dois pesos, duas medidas. A frente é para inglês ver, os fundos é para a população de Copa!. Com poucos recursos dá para resolver esse problema. É só querer. A pergunta que não quer calar: eles querem arrumar o local?! De nada adianta ter uma frente bonita e bunda suja.

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