Foi por meio da temática do racismo e da arte que Nia DaCosta resgatou o vilão Candyman do ano de 1992 para os dias atuais. Protagonizado por Yahya Abdul-Mateen II, o filme “A Lenda de Candyman” causa medo, inquietação e diversão.

O vilão é apresentado logo no início da trama junto ao personagem coadjuvante de Colman Domingo, que vê a sua trajetória crescer ao longo do terror, e que garante boas surpresas. O enredo do filme relembra a história do bairro Cabrini Green, em Chicago, e os projetos habitacionais que eram aterrorizados pela história de um fantasma assassino que tinha um gancho na mão.

O Candyman poderia ser invocado uma vez que qualquer pessoa de frente para um espelho dissesse o nome dele cinco vezes. Quando o artista visual Anthony McCoy se vê perdido e sem inspiração, ele se volta ao estudo da lenda de Candyman, e esse encontro expõe novamente a população de Chicago aos perigos do vilão.

Yahya Abdul-Mateen II demonstra propriedade para interpretar o personagem de Anthony, uma vez que revela por meio de grande expressividade a entrega e a crença sobre aquilo que gostaria de transmitir.

Mas o ponto que realmente me fisga sobre “A Lenda de Candyman” é a marca escancarada de Jordan Peele. Ao mesmo tempo que temos a direção de Nia DaCosta, ainda muito tímida em sua filmografia, temos a produção e roteiro de Peele, que desde Corra! e Nós reforça o debate sobre racismo e preconceito em suas obras.

Escute o episódio do cineaspectos o gênero cinematográfico sobre Horror Negro

A narrativa faz questão de nos levar à reflexão do real vilão que permeia a vida da população negra de Cabrini Green e da grande Chicago, especialmente em discursos sobre gentrificação, artistas e pobreza, e posso dizer: quanta riqueza de sensibilidade, dor e identificação foram transmitidas em vários diálogos.

“O Mistério de Candyman”, lançado em 1992, está disponível na Apple TV. O novo filme pode fazer mais sentido para quem assistiu ao primeiro filme sobre o vilão, mas também funciona bem sozinho. “A Lenda de Candyman” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (26).

Jornalista, produtora e apresentadora do podcast cineaspectos. Como amante do cinema, ficou imersa em roteiros fantásticos, conheceu a beleza dos filmes de máfia e os incompreendidos dramas europeus. Sara adora desbravar a singularidade do cinema brasileiro, e acompanha de perto os principais festivais e mostras ao redor do mundo.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui