A oca, construída em 2014, pegou fogo na noite de-sexta-feira (25) Foto: Reprodução

Um incêndio destruiu parcialmente a Oca Kupixawa, um dos principais pontos da valorização da cultura indígena no Rio, localizada no Parque Lage, na Zona Sul do Rio. O fogo teve início na noite desta sexta-feira (25). Ninguém ficou ferido e o local está interditado. A informação foi publicada primeiramente pelo portal G1.

Segundo informou o Parque Lage, o Corpo de Bombeiros foi chamado por funcionários quando a cobertura da oca era atingida pelas chamas. “Ainda não é possível determinar as causas nem a extensão dos danos à estrutura da Oca”, disse o parque em nota.

Ainda de acordo com o Parque Lage, o entorno da oca foi interditada à visitação por tempo indeterminado “até que as providências de reabertura sejam integralmente adotadas para a total segurança dos frequentadores“.

O Parque Lage, no entanto, segue aberto ao público e a visitação à área verde está mantida, assim como os agendamentos prévios para acessar o Palacete, as Cavalariças e a Capelinha.

Suspeita de incêndio criminoso

Um vídeo gravado por um segurança do parque mostra a estrutura em chamas. Ao final da gravação, ele enfatiza que o ocorrido precisa ser verificado ao avaliar que “de uma forma muito estranha esse incêndio se iniciou”.

Para o Conselho Estadual dos Direitos Indígenas (CEDIND-RJ), o incêndio da Oca Kupixawa foi mais um ato de intolerância contra os povos indígenas e cobrou investigação das autoridades.

O Conselho Estadual dos Direitos Indígenas (CEDIND-RJ), classificou o incêndio da Oca Kupixawa como mais um ato de intolerância contra os povos indígenas e cobrou investigação das autoridades.

O CEDIN-RJ lembra que em Duque de Caxias, dentro da Faculdade FEUDUC, outra Oca já foi incendiada em mais de uma ocasião.

Para Sérgio Ricardo Potiguara, membro pela organização GRUMIN do Conselho Estadual dos Direitos Indígenas (CEDIND-RJ), por não ser a primeira vez que estes Incêndios ocorrem nas ocas do Parque Lage e de Duque de Caxias, é preciso que as autoridades públicas investiguem se trata-se de manifestação de ódio, racismo e intolerância contra os povos indígenas.

A ascensão ao poder no Brasil, a partir de 2019, de forças políticas de extrema direita e fundamentalistas tem acirrado o racismo estrutural em nossa sociedade e, infelizmente, temos vistos atos de intolerância se repetirem como o incêndio de Ocas e tentativas de despossessão e de desterritorialização de aldeias. Há alguns anos, em Brasília, o índio Galdino foi queimado à noite ao dormir na rua num ato típico de intolerância e racismo. Estas ações violentas são uma expressão do fascismo à brasileira, uma vez que tenta-se não apenas suprimir os direitos originários garantidos na Constituição Cidadã de 1988, como está ocorrendo neste momento no Congresso Nacional e está em debate no STF onde está sendo discutido a aprovação do famigerado “Marco Temporal” que é um grande retrocesso civilizatório já que não reconhece que os povos indígenas tem direitos assegurados às terras que historicamente ocupam e onde vivem protegendoos rios, nascentes e as florestas que são cuidados como ambientes saudáveis e são sua principal fonte de alimentos. O que está acontecendo no país é um ataque generalizado ao direito de existência por parte dos povos originários. O ato de queimar símbolos da cultura num espaço onde buscamos um reencontro com nossa ancestralidade em pleno Rio de Janeiro, uma cidade que é um antigo território indígena e onde no passado houve um massacre e um etnocídio destes povos, não pode passar impune. Os governantes precisam investigar e impedir que este crime cultural se repita mais uma vez!

1 COMENTÁRIO

  1. Alguém pode me esclarecer,o q tem índio a ver com o Parque laje???
    Essa estrutura de palha é estopim para pegar fogo no parque todo!!!
    Aquilo sempre foi uma fazenda….

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