Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

O Instituto Municipal Nise da Silveira inaugura nesta segunda-feira (26/07) a ocupação cultural “Arte, agoniza mas não morre: Nelson Sargento, 9.7”. A exposição conta com quinze quadros do sambista, seis deles inéditos, a exposição foi montada em dois andares da instituição, onde antigos quartos de internação foram transformados em pequenas e múltiplas galerias de arte, o Espaço Travessia.

Nelson Sargento pintou até os 96 anos, quando faleceu vítima de Covid-19, em maio deste ano. O compositor completaria 97 anos no dia 25/07, véspera da inauguração da exposição. O artista compôs mais de 400 músicas, muitos clássicos da música popular, e ainda deixou acervo com 80 sambas inéditos, poesias, contos, desenhos, pinturas e textos eróticos. Além de compositor era intérprete, poeta, escritor, pesquisador nato, ator e radialista.

Sua obra tem como base experiências pessoais. Nas pinturas, que transitam entre arte abstrata e naïf, produzia um retrato colorido e alegre de cenas das favelas cariocas, do samba e de mulheres, mas também formas abstratas. A produção começou quando o compositor ainda se sustentava pintando paredes.

Do conjunto de trabalhos apresentados, fazem parte os últimos seis quadros pintados por Nelson. A curadoria de suas obras para a ocupação foi feita pelo violonista Agenor de Oliveira, amigo com quem escreveu diversos sambas.

No movimento de ocupação artística de diversas tendências, serão expostas obras de 20 artistas especialmente convidados para essa homenagem. A seleção foi feita pelo curador Marcelo Valle, coordenador do Espaço Travessia, que explica que a escolha foi feita com base nas obras que de alguma maneira dialogam com a arte de Nelson, por questões de ancestralidade, negritude, samba, paisagem ou vivência nos subúrbios, favelas e periferia.

“Eu me refiro à ocupação artística porque ela extrapola e muito uma exposição convencional, a começar pelo próprio lugar: as enfermarias de um antigo hospital psiquiátrico no Engenho de Dentro, marcado não só pela violência, mas também pelas muitas histórias de vida e pela arte. O Espaço Travessia existe há pelo menos cinco anos e vem se tornando uma referência na Zona Norte, construindo um lugar de encontro entre diferentes artes e artistas fora do eixo Centro-Zona Sul. Sempre misturamos os artistas convidados com artistas que de alguma maneira têm relação com os espaços de cuidado da Rede de Saúde Mental. Temos estudantes de arte, artistas autodidatas oriundos de diferentes lugares, artistas representados por galerias internacionais e artistas com sofrimento psíquico. Afinal são todos artistas”, comenta Marcelo.

O instituto fica no Engenho de Dentro, Zona Norte da cidade. As visitas serão agendadas pelo e-mail contatonccs@gmail.com ou pelo celular: (21) 98909-1123, seguindo protocolos de segurança dentro do horário de 10 às 17h, de segunda a sexta-feira, a partir de 26/7.

Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

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