Torre de controle do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio - Foto: Luiza Moraes/Agência O Globo

O Aeroporto de Jacarepaguá – Roberto Marinho, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, passa por um problema operacional. Segundo informações do jornal ”O Globo”, devido à queda de parte do teto da torre de controle do local, ocorrida no dia 04/05, a mesma segue desativada e, por isso, operadores que antes atuavam ali, com visão privilegiada tanto da pista quanto das aeronaves, agora não têm mais o contato visual ideal para desempenharem sua função. Vale ressaltar que o referido aeroporto, em 2020, foi o que mais movimentou voos no Rio, com 66.374.

De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o local continua liberado para uso através de uma Estação de Comunicações e de alguns outros procedimentos operacionais, sem causar danos à segurança de funcionários, membros da tripulação e passageiros.

Entretanto, alguns profissionais relatam risco real de acidentes. Segundo o piloto de helicóptero Gustavo de Oliveira, de 44 anos, antes do ocorrido, os controladores de tráfego aéreo do aeroporto operavam na torre, de onde era possível observar bem a pista.

Ele diz ainda que os operadores trabalhavam com duas frequências. Enquanto uma controlava o espaço aéreo no entorno do local, a outra organizava a movimentação no pátio do aeroporto. Para Gustavo, a torre proporciona uma melhor organização dos pousos, decolagens e das manobras na pista.

”Agora, funciona apenas o rádio, que é manipulado pelo operador de um local onde ele não tem contato visual da pista e sua visão dos arredores depende das informações passadas pelos próprios pilotos. Como o movimento é dinâmico em Jacarepaguá, o alto volume de informações trocadas pode sobrecarregar o rádio e o operador ficar sem as coordenadas da pista e do tráfego aéreo local. Os pilotos estão tendo que se desdobrar”, diz Oliveira, que voo num helicóptero modelo Robinson R44.

Segundo as normas da Aeronáutica para a implementação da torre de controle, recomenda-se a utilização dela em aeroportos que movimentam mais de 20 mil voos por ano. O último anuário estatístico do Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), de 2020, porém, apontou que o de Jacarepaguá movimentou 66.374 voos, mais que o triplo do limite recomendado.

”Estão bem caóticas as operações em Jacarepaguá. Essa situação ocorre em outros aeroportos, mas que são menos movimentados, como o de Maricá e o de Cabo Frio.
Tanto o aeroporto de Maricá, quanto o de Cabo Frio, não chegaram a movimentar 4,6 mil voos em 2020”
, disse um instrutor de escolas de pilotagem que preferiu não se identificar.



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Raphael Fernandes

Raphael Fernandes é jornalista, baixista e apaixonado por futebol. Integra a equipe do DIÁRIO DO RIO desde fevereiro de 2019 e, paralelamente, atua como repórter no radialismo esportivo carioca.

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