Jackson: Partido Novo e o conflito irreconciliável

Jackson Vasconcelos fala da escolha de Paulo Ganime para pré-candidato a governador do Rio e de uma possível composição com o Podemos de Moro

As candidaturas para o Governo do Estado do Rio de Janeiro tomam corpo ao surgir o deputado federal Paulo Ganime para representar o Partido Novo, escolhido na convenção dos dirigentes. No Novo não existe convenção para os filiados.

Paulo Ganime disputou a vaga com Juliana Benício, também aprovada no processo seletivo. O método é uma novidade bem-vinda no ambiente de escolhas prévias dos candidatos submetidos ao crivo das convenções.  A convenção, ao escolher quem representará o partido na disputa, define a estratégia para a campanha.

A escolha do deputado federal Paulo Ganime atende ao desejo do partido por alianças e, certamente, por uma aliança com o Podemos, onde está o ex-juiz Sérgio Moro. Juliana Benício não aceitaria a composição, que já foi anunciada em palavras e imagens pelo candidato a presidente pelo Novo, Felipe D’Ávila.

As alianças são instrumentos da ação política no mundo democrático, onde existem como facilitadoras do trabalho de governar e não como meios para se alcançar o poder, como acontece no Brasil. Aqui, o uso sábio da oportunidade de firmar a identidade de um partido durante a campanha, cede lugar à chance esperta de vencer eleição sem as amarras da identidade e de compromissos com programas. 

Aconteceu desse modo com o Partido Novo em 2018. Seus candidatos surfaram na onda Bolsonaro e tiveram vitórias. O compromisso liberal de Paulo Guedes justificou a opção da turma, assim como, por coincidência, serviu de argumento para o ex-juiz Sérgio Moro ser ministro da Segurança Pública e Justiça. Ele alegou o desejo de proteger a operação Lava-Jato.

Tem gente por aqui que acredita que a onda que invadiu a orla em forma de ressaca em 2018 acontecerá novamente, agora com o nome de Sérgio Moro. Por isso, alguns já agarram as pranchas e caminham em direção à praia. Resta saber, no entanto, se essa onda é mesmo boa para surfar, tanto quanto aquela que surgiu no oceano na eleição passada.

Os que conhecem o surf afirmam que as ondas formadas pelos ventos que sopram na praia não servem para o esporte, porque são fracas e desordenadas. Onda boa para surfistas é aquela formada pela forte ação dos ventos e tempestades no meio do oceano. Será que essa onda Moro tem essas qualidades?

Mas, a resposta a esta pergunta não servirá aos moradores do Estado do Rio de Janeiro, porque o problema aqui não está em surfar uma onda boa, como fizeram em 2018, mas em conduzir um transatlântico com rachaduras no casco e pouco combustível mar adentro.

Quem surfou na onda de 2018 com Bolsonaro viu que a decisão não serviu ao estado. Pode ter servido a cada um dos surfistas, mas ao estado, não.

É hora de pensar primeiro no Rio, para poder encaixá-lo no debate nacional e não insistir no erro de só pensar no que é melhor para o resto do Brasil ou para a carreira política de cada candidato.

O Partido Novo deveria, ao escolher os seus candidatos no Brasil todo, principalmente para a Presidência da República, insistir na defesa de sua identidade. As composições ficariam para a época de deliberação dos governos, para fazê-los funcionar a favor do povo.

Eu não vejo nos demais partidos um que deixe confortável a formalização de alianças com o Novo nas campanhas, pelo conflito irreconciliável entre os que acreditam na liberdade individual e os que botam fé na supremacia do Estado.

Formado em Ciências Econômicas na Universidade Católica de Brasília e Ciência Política na UNB, fez carreira com dezenas de cases de campanhas eleitorais majoritárias e proporcionais. É autor de, entre outros, “Que raios de eleição é essa”, Bíblia do marketing político.

3 COMENTÁRIOS

  1. Novo Já era! Pode mudar o nome pra Natimorto. Amoedo acabou com a reputação do partido. Quem sabe da história é o Roberto Motta. Todo mundo sabe que Gamine vai receber uns 5% de votos, se for. Boa pessoa, mas sem chance.

  2. Novo? Do Zema? Do Salles? Do Amoedo? O partido que parece Sindicato dos Banqueiros e “empreendedores da desgraça”? Não, obrigado…

    O RJ precisa de quem se importa com o carioca e não com reforminhas aqui, isensãosinha ali, subsídizinho acolá. Esse é o Novo.

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