Fachada do Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Foto Cleomir Tavares/Diário do Rio

Considerado pela plataforma especializada em turismo ”TripAdvisor” como uma das principais atrações turísticas do mundo, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), localizado na Zona Sul da capital fluminense, investirá R$ 880 mil na ampliação e digitalização do seu acervo, considerado o maior da América do Sul e com papel crucial para o estudo e conservação da flora brasileira.

Os recursos, liberados na última sexta-feira (20/08), são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ (Faperj) e serão aplicados na ampliação de 25% da capacidade de armazenamento do herbário, aquisição de novo sistema de climatização do local e uma câmara fria destinada ao laboratório de sementes.

Além disso, serão restauradas 80 mil amostras oriundas das restingas e mangues do Rio de Janeiro, hoje praticamente inexistentes. A rica coleção pertencia à antiga Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) e foi doada em 2017 ao Jardim Botânico.

O conjunto de coleções biológicas do JBRJ reúne 850 mil amostras, incluindo exemplares de plantas desidratadas, a xiloteca (amostras de madeira), a carpoteca (coleção de frutos), bancos de sementes, fungos, DNA e etnobotânica, que contribuem para ampliar o conhecimento e a conservação da flora neotropical.

A iniciativa foi selecionada no âmbito do Programa Apoio à Conservação da Biodiversidade: coleções biológicas do Estado do Rio de Janeiro (Colbio), de financiamento de projetos que visem a dar suporte à organização, manutenção, informatização, digitalização, gestão e divulgação das coleções biológicas de instituições sediadas em território fluminense. O prazo para a conclusão das ações é de 3 anos.

”O herbário do Jardim Botânico do Rio está entre os 100 maiores do mundo. A manutenção e ampliação da capacidade instalada são desafios constantes em um acervo de grande porte e que incorpora cerca de 25 mil novas amostras anualmente. O acervo cresceu muito além do esperado, à medida que foi ganhando reconhecimento nacional e internacional. Em 20 anos, o número de amostras mais que dobrou, e a necessidade de ampliação da área ocupada pela coleção é urgente. Em 2000, havia 350 mil amostras. Hoje são mais de 850 mil”, diz Rafaela Campostrini Forzza, coordenadora das coleções biológicas da Diretoria de Pesquisas do JBRJ e curadora do herbário.

Dentre os investimentos previstos no projeto, a pesquisadora destaca também a aquisição de uma câmara fria para o banco de sementes da instituição. ”A nossa câmara está em sua capacidade máxima de armazenamento. Uma nova vai ampliar a capacidade do acervo. Além disso, as amostras depositadas no banco de sementes ainda não possuem código de barras, sendo que esse é o método mais seguro para vincular dados e imagens em sistemas de informação”, complementa Rafaela.

A especialista ressalta ainda que a coleção do extinto herbário da Feema também abriga o maior número de espécimes coletados nas últimas décadas no Parque Nacional da Floresta da Tijuca e em áreas verdes do município do Rio. As novas informações disponibilizadas sobre a coleção de 80 mil amostras trarão benefícios diretos ao conhecimento da flora fluminense.

”Depois de ter sido doada ao Jardim Botânico, essa coleção passou por um minucioso processo de descontaminação e acomodação no prédio que abriga o nosso herbário. No entanto, ainda é preciso muito trabalho para que todas as valiosas informações da coleção possam estar acessíveis. As amostras precisam ser restauradas, digitalizadas e incorporadas ao acervo, permitindo que seus dados sejam plenamente utilizados por cientistas e como mais uma fonte de subsídios às políticas públicas do estado do RJ. Os dados e imagens a serem gerados vão ser úteis à gestão das unidades de conservação estaduais e federais do Rio, e também na avaliação de risco da flora fluminense”, ressalta Campostrini.

Segundo ela, os acervos botânicos também são imprescindíveis para entender a biota (conjunto de todos os organismos vivos de uma localidade) do planeta e as mudanças climáticas em curso.

”A falta de informações sobre a real distribuição das espécies no planeta é um dos principais obstáculos para avaliar as ameaças e propor formas eficazes para a conservação da biodiversidade em nível global, regional e local”, defende Forzza, que coordenou o processo de digitalização do acervo do herbário do Jardim Botânico do Rio e de suas coleções correlatas.

Por fim, a presidente do JBRJ, Ana Lúcia Santoro, pontua que a instituição desempenha papel fundamental no estudo e conservação da flora tanto no RJ quando a nível nacional há mais de 2 séculos.

”As coleções mantidas sob a guarda do Jardim Botânico do Rio são de excelência e reconhecidas internacionalmente pela qualidade científica e preservação. Esperamos, ao fim dos 36 meses, ter ampliado a capacidade institucional do Jardim de manter e conservar seu acervo botânico, físico e digital, e seguir cumprindo sua missão na catalogação e difusão de dados sobre a biodiversidade brasileira”, conclui.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui