Jeep Compass Trailhawk 4×4 não escolhe terreno; confira o teste

O Jeep Compass Trailhawk 4×4, foi o SUV médio da vez a passar pelos testes de carros do Diário do Rio. O carrão que é uma nova aposta da Jeep para o mercado brasileiro, está tendo muito sucesso nas vendas. O Trailhawk é a versão topo de linha do Compass, trazendo rodas maiores com pneus de uso misto e suspensão mais elevada.

O modelo tem concorrentes diretos no mercado brasileiro: além dos coreanos Hyundai ix35 e Kia Sportage, o Compass bate de frente com o Mitsubishi ASX e as versões de entrada dos alemães Audi Q3, BMW X1 e Mercedes-Benz GLA.

Com mais de 25 mil unidades vendidas desde sua chegada ao mercado nacional, o Compass fechou os meses de abril e maio como o SUV mais emplacado do país, reforçando a liderança da marca neste tipo de veículo. Produzido inicialmente no Polo Automotivo Jeep, em Pernambuco, o Compass já está sendo fabricado também na China, México e Índia, para atender a mais de 100 países.

Mais conservador do que o Renegade, o Compass tem design bastante parecido com o do Grand Cherokee. A frente traz as características sete entradas de ar acompanhadas de faróis retangulares. Na lateral, destaque para a parte inferior do friso que percorre toda a extensão da coluna “C”, fundindo-se com o vidro traseiro. Bem acabado, o interior possui peças vindas de Fiat Toro e do Renegade.

A traseira não traz a ousadia do “irmão” menor, mas a larga coluna C dá a impressão de que ele é maior que os rivais. Na verdade, os 4,41 metros de comprimento só ganham do Audi Q3. O mesmo acontece com a distância entre-eixos de 2,63 metros. Embora use a mesma plataforma, o Compass conta com entre-eixos 6 cm maior que o do Renegade, ele ainda é 17 cm mais comprido, o que permitiu mais espaço e um porta-malas de 410 litros – um dos pontos mais criticados do Renegade lançado lá em 2015 foi justamente seu espaço reduzido, especialmente no bagageiro de apenas 260 litros.

A versão Trailhawk é a topo de linha e usa unicamente o motor turbodiesel. Soma faróis de xenônio, ganchos para reboque, pneus de uso misto, para-choques com ângulos maiores de entrada e saída e sensor de chuva. Além dos logotipos, a configuração mais cara se diferencia pelas rodas de 18 polegadas com acabamento em dois tons e pelos cinco modos de configuração da tração 4×4.

O pacote de série de segurança inclui, entre outros itens, controle eletrônico de estabilidade (ESC), sistema anticapotamento (ERM), sistema de monitoramento de pressão de pneus (TPMS), controle de velocidade de cruzeiro, controle de partida em subida, assistente de partida em rampa (HSA), freios a disco nas quatro rodas com ABS, três pontos de fixação de cadeiras infantis Isofix, repetidores de direção nos retrovisores externos, faróis de neblina com função cornering (acende do lado que se esterça em manobras ou em baixas velocidades) e direção de torque dinâmico (DST), que induz o condutor a virar o volante corretamente em uma situação de perda de aderência.

Entre os opcionais para as versões Sport e Longitude (de série para Limited e Trailhawk) há mais dois air bags laterais, dois de cortina e um para os joelhos do motorista, totalizando sete bolsas quando somadas às duas frontais obrigatórias. Mas o maior destaque é o conjunto de recursos que faz o Jeep Compass atingir um patamar inédito entre os veículos nacionais. Ele é formado pelo controle de adaptativo de velocidade (ACC), monitoramento de mudança de faixa (LDW), farol alto automático (AHB) e aviso e prevenção de colisão frontal (FCWP), que engloba frenagem automática. Outro item de alta tecnologia é o sistema de estacionamento automático, o Park Assist, que opera em vagas paralelas e perpendiculares (não consegui testar o Park assist).

Direção:

Com motor, câmbio e sistema de tração 4×4 são conhecidos do Renegade e da Toro. O 2.0 Multijet turbodiesel de 170 cavalos de potência e 35,7 kgfm de torque, acoplado ao câmbio ZF automático de nove marchas com a primeira reduzida – em uso normal ele parte em segunda. A tração integral tem distribuição automática de torque entre os eixos, com cinco modos de uso: Auto (se adapta ao terreno), Snow (pisos escorregadios), Mud (lama), Sand (areia) e Rock (pedra), este último exclusivo da versão Trailhawk. Há também o controle eletrônico de descidas e o modo 4×4 Low, no qual o Compass aciona sua primeira marcha mais curta e controla toda descida.

Com os 35,7 kgfm de torque resulta em ultrapassagens super seguras e rápidas, o motor fala alto quando se pede potência. Tanto na subida da serra do Rio, como na estrada para Paraty, as manobras foram feitas com total segurança e agilidade.

Em termos de consumo, o Compass também não entrega o desempenho de outros SUVs menores, ficando com média de 10 km/l na cidade e 14,5 km/l na estrada. Vale frisar aqui, porém, que a versão Longitude deverá conseguir números um pouco melhores, uma vez que esta Trailhawk é mais pesada e tem maior arrasto aerodinâmico.

Na cabine, agrada o acabamento com uso de materiais macios ao toque e o vistoso painel, que nesta versão traz um completo computador de bordo com tela de 7 polegadas configurável. Além disso, pode se controlar diversas funções, do rádio ao ar-condicionado, pela central multimídia com tela de 8,4 polegadas – falta sentida é a conexão Apple CarPlay e Android Auto.

Na estrada, a nona marcha bastante longa permite viajar com giro abaixo de 2 mil RPM, não trazendo incômodo sonoro algum. Esta versão trilheira traz um acerto de molas e amortecedores mais firme, por conta da elevação da suspensão. O que no fim das contas, transmite maior solidez nos obstáculos, tanto urbanos quanto na terra, podendo ser dirigido sem muita preocupação com o tipo de piso enfrentado. Ao passar por uma estrada esburacada, no entanto, ele vai sacolejar mais que o Longitude. Esta firmeza é necessária para conter a inclinação da carroceria nas curvas, onde o Trailhawk “rola” um pouco mais que o Longitude, mas ainda se mantém equilibrado.

O Pacote High Tech reúne itens ainda mais sofisticados, deixando o Compass ainda com mais conforto e segurança. O valor atual do pacote, sai por adicionais R$ 13.500. Confira aqui quais são os itens de série de cada versão.

  • Piloto automático adaptativo (ACC);
  • Aviso de mudança de faixas;
  • Sistema de farol alto com comutação automática;
  • Aviso de colisão frontal;
  • Tomada auxiliar de 127V;
  • Ajuste do banco do motorista elétrico (8 posições);
  • Sistema de audio premium com 9 alto-falantes da Beats;
  • Remote start (partida remota, ideal para os dias muito quentes);
  • Sistema de estacionamento semiautônomo (Park assist).

Pontos positivos:

  • Autonomia bem calibrada com seu motor diesel;
  • Acústica impecável;
  • Espaçoso, gostoso de dirigir e bem equipado;
  • Versão com caixas de som da Beats entregam uma excelente qualidade;
  • Borboletas para trocas sequenciais na estrada agradam bastante;
  • Easter Eggs escondidos por todo carro.

Pontos negativos:

  • Kit High Tech deixa a versão ainda mais fora da realidade;
  • O teto solar elétrico poderia vir de série nessas versões mais caras (R$ 7 mil adicionais);
  • Senti falta da conectividade com Apple CarPlay e Android Auto.

Ficha Técnica:

MOTORdianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.956 cm3, turbo e intercooler, diesel
POTÊNCIA/TORQUE170 cv a 3.750 rpm / 35,7 kgfm a 1.750 rpm
TRANSMISSÃOautomática de 9 marchas, sendo a 1a reduzida; tração 4×4
SUSPENSÃOindependente McPherson na dianteira e na traseira
RODAS E PNEUSalumínio aro 17? com pneus 215/60 R17
FREIOS discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira com ABS e ESP
PESO1.717 kg em ordem de marcha
DIMENSÕEScomprimento 4.416 mm, largura 1.819 mm, altura 1.650 mm, entre-eixos 2.636 mm
PORTA-MALAS410 litros
PREÇOR$ 155 mil

 

*As novidades para versão 2018 devem chegar neste segundo semestre, quando a empresa deve lançar novas versões 4×4 com combustível flex e com transmissão 9AT marchas.

 

 

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